Burburinhos da Câmara: oposição perde dois vereadores e Cori Morais está com o coração fora do PT

Posted on segunda-feira, 6 fevereiro 2017

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Se tem burburinhos no âmbito do poder executivo, com o visível desconforto de alguns membros do governo com medidas tomadas por colegas – e mesmo pelo prefeito – ou porque já não dá para segurar as divergências, na Câmara de Vereadores também há registros de “confusões” e uma demonstração de que nem a bancada de situação nem a de oposição está no mesmo diapasão.

Vamos começar pelos vereadores de situação, os que apoiam o prefeito Herzem Gusmão. O primeiro episódio de desafinação veio antes mesmo da posse dos novos parlamentares e envolveu o vereador Edjaime Rosa (Bibia). Em um comentário no programa Resenha Geral, na Rádio Clube, sobre a apreciação do projeto de renovação do contrato do Município com a Embasa, o então prefeito eleito, Herzem Gusmão, comentou que o vereador Bibia havia dito que era preciso ficar atento porque projetos ficavam se aprovação por falta de quórum na Câmara Municipal. Foi o suficiente para despertar o aborrecimento dos demais vereadores – em alguns casos, a ira contra Bibia, a quem restou desmentir Herzem.

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Dudé e Bibia ainda estão em uma queda de braço pela liderança da bancada. Herzem vai arbitrar?

Talvez o que tenha ocorrido (e venha ocorrendo) nestes primeiros dias de mandato dos vereadores, envolvendo Bibia (mais uma vez) e Luis Carlos Dudé, tenha alguma ligação com o episódio de dezembro. É que Bibia queria ser líder da bancada de situação, que reúne 11 vereadores eleitos por partidos aliados ao prefeito. Mas, depois de negociações que não deram certo, o parlamentar viu seu desejo negado pela maioria dos colegas de bancada, que preferiu escolher Dudé, embora este já estivesse líder do prefeito, para a função de líder do bloco.

A confusão teria se estabelecido por causa da indicação – não aceita pelos pares de Bibia – do assessor jurídico da bancada. A indicada foi uma advogada e Dudé agora acumula as duas lideranças, contra o que, natural e legitimamente, Edjaime Rosa se insurge, alegando ter documento em que todos os onze vereadores herzistas, incluindo Dudé, assinam escolhendo-o para a liderança do grupo. O barulho ainda se faz ouvir, o prefeito Herzem prefere não meter o bedelho e na sessão de quarta-feira (8), o assunto deve render no plenário, nos blogs e nos programas de rádio que cuidam de política.

E a bancada de oposição?

O bloco que pretende fazer oposição ao prefeito Herzem Gusmão não é pequeno. Começou com dez vereadores, significando um risco real para os projetos e medidas do interesse do governo que contenham alguma polêmica ou não sejam considerados urgentes. Mas, nos últimos dias, bastou surgir a primeira necessidade de uma ação da bancada e o que se viu foi, como no caso da situação, dificuldade de união. Agora, só são tidos como certos na oposição oito dos vereadores que não ficaram com Herzem no segundo turno.

No dia 30 de janeiro, em entrevista ao programa Informação e Análise, na Melodia FM, o vice-líder da oposição, Valdemir Oliveira Dias (PT), informou que a bancada entraria, no dia seguinte, com uma representação no Ministério Público Estadual (MPE) contra o aumento na passagem do transporte coletivo, reajustado em 17,85% de R$ 2,80 para R$ 3,30. A reclamação, além do valor, considerado muito acima da inflação do período de 18 meses desde o último aumento, incluía o fato de que o prefeito decretou o reajuste sem ouvir o Conselho Municipal de Transportes (CMT).

Até agora nenhuma das assessorias dos vereadores de oposição divulgou nota confirmando a entrada com a representação. Nem o MP se manifestou. Considerando a hipótese de que o documento tenha sido entregue aos promotores, o fato é que das dez assinaturas previstas duas faltaram: de Adinilson Pereira (PSB) e Rodrigo Moreira (PP). Este último deu entrevista a um blog da cidade informando que não fará parte da bancada de oposição, optando pelo que ele chamou de independência. Segundo uma fonte do grupo, outra dificuldade encontrada foi convencer o vereador Coriolano Moraes a assinar o documento, o que acabou acontecendo.

Ao BLOG, Cori disse que não houve resistência para subscrever a representação e que a demora para assinar foi o tempo que levou para analisar o documento e conversar com os pares. Entretanto, o vereador não consegue disfarçar sua contrariedade com o tratamento que recebeu do partido antes, durante e depois da eleição. O Blog do Anderson tratou disso em nota com o título Política Conquistense: Professor Cori avalia cenário nacional e não descarta deixar o PT. Ele não confirma, mas também não nega. A nota foi reproduzida na página do vereador sem qualquer reparo ou contradição.Os sinais são de que, embora ainda esteja com os dois pés dentro do PT, Cori já está com o coração fora.

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O vereador Coriolano Moraes não está feliz com lideranças do PT, que não o têm valorizado

Petistas ouvidos pelo BLOG dizem que ele já teria comentado, mais de uma vez, que tem vontade de sair do PT. Um deles chegou a ver na movimentação do parlamentar por gabinetes do atual governo (esteve com a secretária Irma Lemos, com Marcelo Melo, com Arlindo Rebouças e com o próprio prefeito Herzem Gusmão) como um indicativo de que Cori estaria disposto a se posicionar na direção contrária ao que o PT espera dele e aí, garante a fonte, ele poderá perder o mandato, “que pertence, segundo a lei eleitoral ao partido”.

Nesta quarta-feira (8), o BLOG vai procurar o vereador Coriolano Moraes, assim como Edjaime Rosa e Luís Carlos Dudé para melhores esclarecimentos (e contestações, se houver) acerca dos assuntos comentados aqui.

 

Bancada da Situação na Câmara de Vereadores: Hermínio Oliveira (PPS); Luís Carlos Dudé (líder, PTB); Álvador Pithon e Lúcia Rocha (vice-líder, DEM); Edejaime Rosa (Bibia), Gilmar Ferraz e Osmário Ferraz (PMDB); Jorge Bezerra (SD); Dênis do Gás (PSC); Sidney Oliveira (PRB) e David Salomão (PTC).

Bancada da Oposição: Fernando Jacaré (líder), Viviane Sampaio, Cori Moraes e Valdemir Dias (vice-líder, PT); Nildma Ribeiro e Danilo Kirimbamba (PCdoB); Cícero Custódio (PSL) e Luciano Gomes (PR).

Indefinidos: Adinilson Pereira (PSB) e Rodrigo Moreira (PP)