Ações Governamentais

Falta d’água: Atraso em investimentos da Embasa piorou efeitos da seca em Vitória da Conquista

 

Conquista

Entre 2006 e 2012, segundo o SNIS/Ministério das Cidades, Vitória da Conquista teve apenas R$ 157 mil em investimento da Embasa em água

A Embasa é a campeã de queixas no Procon. E é uma das empresas que mais faturam no município. Está na primeira condição, apesar da segunda. É que, embora pouco se fale disso, nos últimos 20 anos a empresa não fez investimentos significativos em abastecimento de água no município. Desde a entrega das barragens de Água Fria I e II, pelo ex-governador Antônio Carlos Magalhães, em 1998, a única obra de destaque foi a adutora do Rio Catolé, quando, segundo a Embasa, foram investidos R$ 33 milhões. A decisão para a implantação emergencial da adutora veio em plena crise hídrica, já com o racionamento em andamento. A obra começou em 2013 e nos oito anos anteriores, o investimento da Embasa em água para Vitoria da Conquista foi, praticamente, zero.

Adutora Catolé

Adutora do Catolé

A Adutora do Rio Catolé representou quase metade do total de R$ 77.356.167,00 investidos pela Embasa em água, no período de 2006 até 2015. Dos investimentos totais da empresa no município (R$ 102.174.975,24), a adutora significa 1/3 do que a Embasa aplicou em dez anos. No ano passado, a empresa deu sinais de que retomaria os investimentos, que só foram confirmados este ano, depois da assinatura de um convênio de dois anos com a prefeitura e de pressão feita pelo prefeito Herzem Gusmão.

Segundo informações passadas pela Superintendência de Operações da Região Sul da Embasa, à qual o escritório de Vitória da Conquista responde, serão investidos este ano na cidade cerca de R$ 10 milhões na expansão de rede. Serão R$ 4,7 milhões em construção de elevatórias e reservatórios de água para reforçar o abastecimento em bairros mais distantes, e mais R$ 4,3 milhões na implantação de uma adutora auxiliar no Rio Gaviãozinho, para transportar água até a estação de bombeamento no Rio Catolé e de lá até a Barragem Água Fria II. Serão 3,6 km de extensão, com tubulações de 400 mm de diâmetro e duas estações de bombeamento de água bruta entre a confluência do Rio Gaviãozinho com o Rio Catolé.

Os números constantes desta matéria fazem parte do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, mantido pelo Ministério das Cidades e abastecido com informações passadas pelas prestadoras de serviço, como a Embasa. Os dados disponíveis vão de 1996 até 2015. De acordo com o SNIS, o faturamento da Embasa em Vitória da Conquista em 2015 foi R$ 77.982.486,45. No período em destaque nesta matéria (2006 a 2015) o total faturado foi R$ 480.313.447,72. Em dez anos, o crescimento médio do faturamento da empresa no município foi de 12% ao ano.

Somados os valores da série histórica de dez anos, o investimento total da Embasa foi de R$ 102.174.975,24. Considerando apenas os investimentos em água o valor alcança R$ 77.356.167,00, dos quais 82,46% de recursos próprios: R$ 63.788.738,43. Este valor representa 13,28% do faturamento da Embasa no período referenciado. Nestes dez anos, a empresa não fez qualquer investimento em água (ou não informou ao SNIS) em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2012. Em 2011, o investimento em água para Vitória da Conquista, conforme registrado no sistema do Ministério das Cidades, a partir de informações da própria Embasa, foi de R$ 157.000,00. No ano seguinte (2012), o município passou a enfrentar racionamento no abastecimento de água (depois de 14 anos), o que se repetiu em 2013 e voltou a acontecer no ano passado, permanecendo até hoje, sem previsão de acabar.

Barragem Água Fria II

Água Fria II está com 57% de sua capacidade, segundo a Embasa

Na semana passada, o BLOG enviou à Embasa em Vitória da Conquista dez perguntas procurando esclarecer pontos da situação hídrica e do abastecimento de água na cidade. Em especial, o BLOG desejava saber o que pode contribuir para colocar fim no racionamento. As respostas não trouxeram muita esperança. Alguns dados são curiosos e chamam à atenção: a barragem de Água Fria I é usada apenas para reservação e está com 100% da capacidade; Água Fria II tem quase 60%, mas isso não dá garantias para a suspensão do racionamento, porque não há perspectiva de chuvas suficientes nos próximos meses.

Outros dois dados importantes referem-se ao tempo que deve levar para que as soluções de curto prazo e de longo prazo se concretizem: a implantação de uma adutora no Rio Gaviãozinho e a ampliação da capacidade de distribuição de água para os bairros mais afastados e mais altos da cidade devem levar 18 meses e seus efeitos só serão percebidos, provavelmente, no meio do próximo ano. Já a barragem do Rio Catolé, vista como a solução para o problema por, pelo menos, 20 anos, está com a sua licitação em andamento, com apresentação das propostas prevista para o dia 18 de abril. Se tudo correr bem, a obra, orçada em R$ 181.320.126,85, poderá começar no início do segundo semestre deste ano, com prazo de 33 meses. Considerando tudo o que tem de ser feito para que o conquistense se beneficie da barragem do Rio Catolé, ela servirá à cidade no meio do ano de 2020.

Sem chuva Vitória da Conquista ainda vai sofrer muito. Infelizmente, por muitos anos, a Embasa, o governo do estado e a administração municipal passada não calcularam isso. Agora, no entanto, há esperanças colocadas na palavra do governador Rui Costa. E ele tem demonstrado disposição de cumprir.

Leia a entrevista e entenda um pouco melhor a situação. Vale a pena:
BLOG – Se os níveis das barragens Água Fria I e Água Fria II se mantêm acima da metade e até subiram, como noticiam os blogs hoje, porque essa água não chega às casas?

EMBASA – A Embasa esclarece que a melhoria nos níveis das barragens não resultou em aumento do volume distribuído. A medida preventiva de racionamento visa justamente preservar estes mananciais que ainda não estão com volume suficiente para garantir o pleno abastecimento da cidade. É importante ressaltar que na maior parte da cidade, a água chega aos imóveis no período estabelecido no calendário de abastecimento divulgado. De acordo com as orientações contidas no calendário, existem fatores que contribuem para o retardamento da chegada da água até os imóveis, a exemplo da localização do setor. Além disso, algumas áreas são afetadas pela variação e redução da pressão da rede distribuidora, resultando em irregularidade na oferta de água. Quando identificadas, a Embasa realiza intervenções com o objetivo de promover melhorias no abastecimento.

BLOG – É verdade que quase 90% da água consumida em Vitória da Conquista vem do Rio Catolé?

EMBASA – Quando a vazão no rio é suficiente, a Adutora do Catolé tem contribuído com cerca de 80% do volume de água distribuído pelo Sistema Integrado de Abastecimento de Água de Vitória da Conquista (SIAA). A medida tem contribuído para a preservação e recuperação gradativa do nível de segurança da barragem de Água Fria II.

BLOG – Se o nível das duas barragens principais subir a 60%, por exemplo, nos próximos dias, o racionamento será interrompido? Por quê?

EMBASA – Mesmo que a barragem de Água Fria II aumente seus níveis em função de chuvas isoladas, é preciso que haja a regularização do regime de chuvas para garantir a segurança hídrica por um período prolongado. As chuvas registradas até o momento foram insuficientes para recuperar os níveis de segurança.

BLOG – Considerando as barragens de Água Fria I e II, qual o nível que elas devem atingir para o racionamento seja encerrado?

EMBASA – A barragem de Água Fria I é um reservatório que opera como apoio emergencial em caso de necessidade, para garantir que o município não fique completamente desabastecido no caso de um prolongamento ainda maior da estiagem. Atualmente, ele está com 100% de sua capacidade de armazenamento, enquanto Água Fria II – reservatório principal – encontra-se com 57% de carga. Neste momento, não existe possibilidade de suspensão do racionamento, visto que as previsões climáticas não são animadoras e a estiagem se estende por todo território baiano.

BLOG – É verdade que mesmo que as duas barragens cheguem a seu nível máximo (ou ideal), não alterará o abastecimento de água na cidade, em razão de não haver capacidade de distribuição, que depende de investimentos ainda a serem feitos?

EMBASA – A informação não procede. O sistema de abastecimento é composto por três momentos, a saber: captação (reservação nas barragens e Adutora do Catolé), produção (tratamento da água bruta para se tornar potável) e distribuição (processo de entrega da água nos imóveis). Com investimento de R$ 4,7 milhões, a Embasa já iniciou obra de ampliação da rede distribuidora para melhorar o processo de fornecimento de água em alguns bairros da cidade, especialmente na Zona Oeste. A previsão é de que as intervenções sejam concluídas em 18 meses.

BLOG – Quais são esses investimentos, quanto custam e qual o prazo de conclusão?

EMBASA – Pergunta respondida anteriormente

BLOG – O que está sendo feito no Rio Gaviãozinho? Qual será a contribuição disso no abastecimento de Conquista? Quando fica pronto? Quanto vai custar?

EMBASA – Com investimento de R$4,2 milhões, está em andamento a construção da Adutora do Gaviãozinho. Esta obra vai transpor a água deste manancial para o rio Catolé, que por sua vez, tem sido responsável por cerca de 80% do volume ofertado para distribuição na cidade. A conclusão está prevista para o final deste ano.

BLOG – O que está sendo feito no Gaviãozinho resolve o problema do abastecimento em Conquista por qual prazo?

EMBASA – A Adutora do Gaviãozinho visa reforçar e complementar os mananciais responsáveis pelo abastecimento de Vitória da Conquista. A garantia de segurança hídrica da cidade se dará com a construção da Barragem do Catolé, que tem previsão de licitação para acontecer até o mês de maio deste ano.

BLOG – Essa solução do Gaviãozinho não pode levar o governo a adiar a barragem do Catolé?

EMBASA – A construção da Adutora do Gaviãozinho é uma medida emergencial que visa reforçar a oferta de água para Vitória da Conquista enquanto se constrói a barragem do Catolé. O funcionamento deste equipamento não acarretará na suspensão do processo de construção da barragem do Catolé.

BLOG – Algum acréscimo ou esclarecimento superior?

EMBASA – A Embasa está trabalhando e adotando medidas para garantir a continuidade do abastecimento de água na cidade diante do cenário de escassez hídrica que assola todo o estado da Bahia. Neste momento, a Embasa reforça a importância do uso racional da água pela população e da colaboração de todos na observância de vazamentos e de perdas de água. Dúvidas e solicitações podem ser feitas nas lojas da Embasa ou pelo teleatendimento 0800 0555 195.

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