A “Muda PT” realmente muda o PT? O PT acha que precisa mudar “para fora”?

Posted on domingo, 9 abril 2017

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Hoje, em todo o Brasil, o Partido dos Trabalhadores realiza eleições internas para escolher novos diretórios estaduais e municipais. Uma das chapas é a Muda PT. Na Bahia, o candidato é o deputado federal conquistense Waldenor Pereira, que quer tirar da direção estadual o militante Everaldo Anunciação, da CNB, corrente hegemônica na Bahia e no Brasil.

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Maturano e Waldenor, de camisas vermelhas, são da Muda PT.

Para a eleição (PED, como é chamada) nos diretórios locais de Itabuna e Vitória da Conquista, que interessam a este artigo, a Muda PT é representada, respectivamente, pelos atuais presidentes Flávio Barreto, ligado ao ex-prefeito e ex-deputado Geraldo Simões, e Rudival Maturano, ligado ao ex-prefeito Guilherme Menezes e ao próprio Waldenor. Essa curiosidade – de a mudança estar sendo proposta pelos grupos que dominam o partido aqui e em Itabuna – me levou a arriscar uma opinião. Vamos a ela.

Penso que o PT, mais que qualquer outro partido, precisa mostrar que mudou ou está mudando. Pelo que tenho lido de discursos e artigos dos candidatos da chapa Muda PT, há – predominantemente – uma preocupação de falar para dentro, de redirecionamento interno, de busca de um discurso mais militante, mas falta um discurso ou postura que convença os não-petistas, admiradores, eleitores históricos, de que o partido mudou ou está mudando. Acho essa uma atitude necessária.

Sinto, porém, que o PT, de sua parte, não parece entender que tem esse compromisso. É como se ainda se considerasse imune a julgamento dessa espécie. Como se ainda cresse na santidade que atribuiu a si, no passado.

Em Vitória da Conquista e Itabuna, por exemplo, a mudança é representada na disputa interna pelos mesmos que dirigem o partido há anos. Aqui, a santidade seria ainda menos questionável?

Voto no PT desde 1982 e esperava uma atitude mais humilde do partido em relação aos acontecimentos contemporâneos. Temo que não aconteça, a não ser, aqui e ali, manifestada por um outro indivíduo. Continuo acreditando nas pessoas do PT nas quais confiei até ontem, mas não acredito tanto no partido.