Prefeitura de Conquista começa a propaganda. A contratação da primeira foge aos parâmetros legais

Posted on terça-feira, 18 abril 2017

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Na campanha, Herzem assegurou um governo novo e diferente

O prefeito Herzem Gusmão completa, nesta terça-feira, 18 de abril, 108 dias no cargo. No tipo de conta que o pessoal da Secretaria de Comunicação gosta de fazer, como se aos sábados e domingos o governo não tivesse obrigações, são 75 dias úteis. Nesse tempo, sem ações significativas que, pelo menos, sinalizassem ter chegado o tempo prometido por Herzem em campanha, a administração foi alvo de muitas críticas e apelou para o talento mais conhecido do prefeito. Diante das queixas e da impaciência dos cidadãos, Herzem respondeu no microfone. Deu pouquíssimas explicações e reclamou muito. Da imprensa e do governo anterior.

Esta semana, a Secretaria de Comunicação – cujo titular talvez seja quem mais influencia o prefeito – divulgou uma nota, a propósito dos 100 dias de administração, anunciando o marco zero do governo Herzem. Para justificar a marquetagem, como vem fazendo desde o início, a Secom elenca as lamúrias, lista as dificuldades que teriam sido deixadas pela administração anterior. Dando-se o devido desconto, tirando a inspiração do seu marqueteiro e o exagero que vem da necessidade de ter algo para justificar a lentidão do governo, Herzem tem uns 15% de razão. O resto é lero-lero.

A verdade total e absoluta é que a atual gestão ainda não é nem rascunho do que foi prometido e que pode vir a ser. Quem acompanha os passos do governo e analisa a administração com honestidade intelectual e sem paixões sabe que não está boa. Não há quase nada do que (ainda) se espera, a partir das promessas de campanha. Mas, a equipe, maior parte dela, e o próprio Herzem parecem não saber. No caso, por paixão legítima e justificada.

É nítida a convicção do prefeito de que está fazendo um bom governo. Bom não, excelente, ele acredita. E ele não defende a administração com o propósito de enganar seus interlocutores, ou à mídia ou às pessoas que o ouvem pelas ondas do rádio ou na internet. O tom da voz, o brilho nos olhos, os gestos e o sorriso ao final de cada afirmação deixam bem claro que Herzem tem as melhores intenções do mundo, quer ser o melhor prefeito da história de Vitória da Conquista. Mesmo quando defende uma mentira criada pela sua assessoria, ele o faz com a verdade de sentimento de quem tem fé profunda no que diz e no que lhe disseram. E aí ele repassa para a população o engano.

A turma que assessora Herzem, aqui o BLOG se refere ao povo que lhe dá conselhos políticos, de comunicação e marketing, sabe que ele tem um apaixonado coração conquistense alimentado pelo sangue do radialismo, da empolgação, da certeza de que sua voz funciona como o cajado de Moisés, que ao bater a ponta no chão, abre o mar. Dizem a ele que basta despejar palavras e frases de efeito, acrescentadas da cantilena contra o PT e o governo anterior, que o milagre da multiplicação de certezas acontece.

Nessa jogada de marketing do marco zero, o time da Comunicação da prefeitura dá identidade a uma ideia que o PT também colocou em prática, pois, embora não tenham definido um ponto de corte na linha do tempo, as administrações petistas e seus defensores na imprensa (Herzem no meio) trabalharam por anos para apagar qualquer vestígio positivo, qualquer boa prática ou conceito desenvolvido pelas gestões anteriores, sob a liderança de José Pedral. O PT quis apagar a história construída no ciclo de 24 anos do pedralismo, admitindo, no máximo, alguma coisa de Jadiel Matos, por gratidão de Guilherme.

Marca 100 dias Herzem

Material da administração amplia críticas à gestão anterior, mas não mostra ações de destaque da atual

Agora, é a vez de Herzem e seu marco zero. Se para o PT e apaixonados pelo PT Vitória da Conquista começou a ser o que é somente depois de 1º de janeiro de 1997, para o PMDB conquistense tudo começa de novo agora. Marco zero. Para justificar, os marqueteiros enchem laudas de lero-lero. Sabem que ainda há um cenário favorável a esse tipo de propaganda com intenção de anular a história. A Lava Jato, caudalosa, segue veloz na direção da maior liderança petista, o ex-presidente Lula, coloca o ex-governador Jaques Wagner no balaio e pode até carimbar Rui Costa. Tem Geddel, tem Lúcio, tem ACM Neto… mas estes não são pintados com as mesmas tintas pela mídia e a visibilidade maior de petistas na lambança mantém aquecido o sentimento que afastou o PT na prefeitura e ajudou a alçar Herzem ao cargo de prefeito.

O marco zero de Herzem sinaliza que vem por aí uma enxurrada de propaganda.

O “marco zero” de Herzem inclui até a redução do nome do município, pelo menos em um caso específico. Pelo tratamento adotado pela Comunicação da prefeitura, agora é só Conquista, como era antes de julho de 1891, quando a Vila Imperial da Vitória foi oficializada como cidade. Coincidência, estratégia, marquetagem, nada a ver? Mas, é assim, só Conquista, que a prefeitura está assinando suas propagandas. Não é crime, claro, mas, uma coisa é chamarmos o município e a cidade carinhosamente de Conquista, ou mesmo de Suiça Baiana, mas o poder público, a prefeitura, em seus anúncios e peças oficiais, não deve deixar de assinar Vitória da Conquista, porque este é o nome do município, desde os tempos em que os primeiros parentes de Herzem Gusmão governavam.

Aliás, já que o BLOG mencionou a propaganda, vem a pergunta: quem pagará por ela? Explicando: a Secretaria de Comunicação fez um contrato com a TV Sudoeste para patrocinar um projeto da emissora chamado Lápis na Mão, a propaganda está no ar. Não se sabe o valor porque a prefeitura não tem como lança-lo em sua contabilidade, aí não aparece na Transparência. Teria sido uma compra “para acertar depois”. Pela lei federal 12.232, conhecida como a lei da propaganda, a administração pública só pode fazer contratos de publicidade, veicular anúncios na TV e no rádio, por exemplo, por meio de agência propaganda regularmente licitada*, o que a prefeitura ainda não tem.

Mas a SECOM autorizou assim mesmo, estando a prefeitura sem agência de propaganda licitada. Fala-se que um advogado de Salvador deu parecer pela recontratação das duas agências locais que atendiam a prefeitura na administração passada, o que é bom, mas quando o aditivo for feito, a prefeitura já estará devendo à TV. Como será o milagre para pagar o fiado aberto pela TV Sudoeste? Vai inventar outro serviço? Vai retroagir ao contrato? Quem vai pagar a conta?

Pode ser o marco zero das trapalhadas. Ou dos jeitinhos. Isso é o que dá medo.

* Art. 1º  – Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratações pela administração pública de serviços de publicidade prestados necessariamente por intermédio de agências de propaganda, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.