Um pitaco sobre o depoimento de Lula a Moro e mais um pouco do que penso

Posted on quinta-feira, 11 maio 2017

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Para mim, Moro mostrou que é capacitado e leva muito a sério o trabalho que faz na Lava Jato. E Lula mostrou convicção e preparo na sua defesa.

imagesApesar de frases necessariamente mais duras, quer fosse na pergunta buscando a contradição, quer fosse na resposta rebatendo as tentativas de forçar a contradição, houve fidalguia. Não foi uma refrega. Registraram-se falácias, sofismas, ironias e, aqui e ali, uma visível postura de ambos visando a opinião pública, mas ao fim e ao cabo, com todo o viés político, o depoimento foi técnico do ponto de vista jurídico.

Agora, partidários de Lula escolhem as frases em que ele “escaldou” Moro e os antilulistas selecionam os momentos em que o ex-presidente foi “abafado” pelo juiz. Pelo que vejo nas redes sociais há quase a mesma quantidade de gente, de cada lado, demonizando Lula e Moro.

Uns atacam o juiz porque “seleciona”, “persegue Lula”, etc., afirmando que o julgamento é político; outros berram que Lula é chefe de quadrilha e tem que ser preso de qualquer jeito.

000_mvd6712703Os primeiros transformam Moro em, sim, a figura de referência e – por que não? – líder do antilulismo, ainda que o papel dele não seja esse e Lula seja apenas uma parte no processo todo. De alguma forma, ao mesmo tempo, vitimizam o juiz e fortalecem a sua imagem e poder, dando-lhe longevidade.

Os segundos parecem não perceber – ou não se importam – que os ataques, da maior parte baseados na raiva, sem considerar os autos, como pressupõe o Direito, propagando crimes não provados e marcando datas para a prisão do ex-presidente, que nunca acontece, fortalecem Lula cada vez mais (como mostram as pesquisas), pois, entre outras razões, cristalizam na massa a ideia de que o ex-presidente fala a verdade e/ou é perseguido, já que, diante de tantas acusações e processos, tendo na sua cola um juiz forte como Moro, Lula ainda não foi preso e fala, com a tranquilidade dos inocentes, que não fez o que dizem que ele fez. Só pode ser inocente mesmo, é permitido acreditar.

E assim, dá-se a continuidade de um mito, que, paradoxalmente, ganha força ao ser atacado, e cria-se outro, por razões parecidas. Isso me traz a sensação de que o Brasil terá uma longa peleja até o dia que a nação decidir, afinal, quem é o santo guerreiro e quem é o dragão da maldade.

Mas, antes de encerrar, quero dizer – sem ser lulista ou morista e sem querer antagonizar com quem pensa o contrário, sendo apenas um dos brasileiros que se angustiam querendo saber se um dia essa agonia vai acabar – que eu acho que por causa do tríplex do Guarujá Lula não será preso. Que venham logo as outras sessões de esclarecimento.

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