Não foram só Herzem e Fabrício. Waldenor, Zé Raimundo e Marcelo também receberam doações de acusados da Lavajato

Posted on quarta-feira, 7 junho 2017

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Na semana passada antigos aliados do PCdoB na Frente Conquista Popular, que governou Vitória da Conquista por 20 anos, espalhavam, via grupos de Whatsapp, a informação de que o deputado estadual Fabrício Falcão havia recebido recursos financeiros da JBS, dona da Friboi, cujos donos fizeram delação premiada, “entregando” 1.829 políticos que tiveram campanhas financiadas pela empresa, em especial nas campanhas de 2010 e 2014. A partir de ontem (06), depois que o jornal Estado de São Paulo publicou anotações e listas com os nomes dos candidatos que receberam dinheiro da JBS, o alvo principal, além de Fabrício, passou a ser o prefeito Herzem Gusmão.

Ainda buscando o ponto de equilíbrio do seu governo, marcado por equívocos e trapalhadas cometidas nos primeiros três meses de gestão, e diante de uma greve de servidores inédita, envolvendo todos os quatro sindicatos da categoria, o prefeito virou alvo fácil de críticas frequentes e memes na redes sociais. Colabora para que as críticas e cobranças ganhem corpo a coincidência de Herzem ser do PMDB, mesmo partido do presidente Michel Temer – rechaçado pela gigantesca maioria de brasileiros – e dos irmãos Vieira Lima, envolvidos em denúncias de esquemas de corrupção e, como Temer, também rejeitados pelos conquistenses.

Assim é que, ao ter seu nome na lista de políticos que receberam dinheiro da JBS, uma das empresas que confessaram corrupção e ter pago propina a autoridades, Herzem Gusmão ganha as manchetes de blogs e a notícia se espalha pelos grupos de Whatsapp, em clara intenção dos opositores do prefeito de ampliarem a fragilidade do governo e atingirem a sua imagem pessoal, mesmo que isso seja feito usando apenas uma parte da verdade e deixando de fora outros políticos conquistenses que receberam doações eleitorais na mesma condição ou em condição bastante similar.

É importante logo deixar claro: Herzem e os demais políticos, já apresentados no título deste artigo, não receberam os recursos mencionados de forma ilegal, mas de acordo com o que determina a legislação eleitoral, tendo suas contas de campanha sido aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A verdade, porém, é que todos os principais candidatos a deputado de Vitória da Conquista nas eleições de 2014, à exceção do atual vereador Coriolano Moraes (PT), receberam dinheiro de empresas citadas – algumas envolvidas até o pescoço – na Operação Lavajato, como a UTC, a OAS, a Odebrecht e a própria JBS.

Está tudo na prestação de contas de José Raimundo Fontes (PT), Waldenor Pereira (PT), Herzem Gusmão (PMDB), Marcelo Melo (DEM) e Fabrício Falcão (PCdoB).

FB_IMG_1450223154114O deputado Waldenor Pereira, de acordo com sua prestação de contas à justiça eleitoral, recebeu da OAS, da Odebrecht, da UTC, da Agropecuária Rio Claro (grupo Odebrecht) e da Cervejaria Petrópolis (citada na operação Lavajato como intermediadora de recursos da Odebrecht para políticos). Da OAS foram R$ 9.119,13; da Odebrecht: R$ 9.600,00; Rio Claro Agroindustrial  (empresa do grupo Odebrecht): R$ 1.190,71; da UTC Engenharia: R$ 2.855,41 e da Cervejaria Petrópolis R$ 13.671,86. Todos esses valores foram repassados pela campanha do governador Rui Costa, menos a contribuição da Cervejaria Petrópolis, que foi repassada pela direção estadual do PT.

A soma dos valores doados pelas empresas que aparecem na Operação Lavajato à campanha do deputado Waldenor Pereira em 2014 chega a R$ 36.437,11, menos de 10% dos R$ 484.769,53 arrecadados. O maiores doadores não são citados na Lavajato, a Arclima (empresa de engenharia especializada em execução de obras e preservação de instalações de sistemas de climatização e fornecedora de serviços credenciada pela Petrobras) e Amil (operadora de planos de saúde), ambas deram R$ 95.000,00 (R$ 180.000,00 no total), repassados pelo diretório nacional para a campanha de Waldenor.

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Marcelo Melo está dando tempo ao tempo. (Foto: Blog do Anderson)

Para Marcelo Melo, que foi candidato a deputado federal, foram doados R$ 1.580,00 pela UTC Engenharia, via diretório estadual do Democratas, e pela Odebrecht R$ 50.000,00, via diretório nacional. O total arrecadado por Marcelo, segundo prestação de contas disponível no TSE foi de R$ 77.080,00.

Fabrício

Fabrício Falcão (PCdoB)

Fabrício Falcão, reeleito deputado estadual em 2014, recebeu R$ 25.000,00 da JBS repassados pela campanha da deputada federal Alice Portugal, e R$ 37.000,00 repassados pelo diretório nacional do PCdoB. Os valores somam R$ 62.000,00 e representam 21% de toda a arrecadação de campanha de Fabrício, que foi R$ 293.514,60. Outra empresa a contribuir foi a Confer, construtora que atua na implantação dos complexos eólicos Guirapá I nos municípios de Pindaí e Caetité. A doação da Confer chegou a Fabrício via campanha do governador Rui Costa.

WhatsApp_Image_2017-03-28_at_22.37.04As doações recebidas pela campanha de Herzem Gusmão, que ficou na primeira suplência de deputado estadual do PMDB em 2014, somaram R$ 315.777,94. Deste valor, R$ 100.000,00 foram repassados pelo diretório estadual tendo como doador original a JBS. O mesmo diretório passou recursos da UTC (R$ 65.000,00) e da Cervejaria Petrópolis (R$ 22.677,94). Da campanha do deputado federal Lúcio Vieira Lima foram repassados R$ 60.000,00 da OAS. A soma de valores recebidos pela campanha de Herzem Gusmão, repassados pelo partido e oriundos originalmente de empresas listadas na Lavajato foi de R$ 247.677,94, ou 78% do total arrecadado pelo peemedebista em 2014.

José Raimundo Fontes 2José Raimundo Fontes recebeu para a sua campanha de reeleição de deputado estadual em 2014, R$ 3.092,62 da Cervejaria Petrópolis, por meio do diretório estadual e, via campanha do governador Rui Costa, foram: R$ 2.855,41 da UTC; R$ 1.190,71 da Rio Claro Agroindustrial; R$ 8.463,92 da OAS e R$ 9.600,00 da Odebrecht. Somando, as contribuições recebidas pela campanha de José Raimundo de empresas envolvidas na Lavajato, R$ 25.202,66, chegaram a pouco mais de 6% do total arrecadado em 2014, que foi R$ 416.083,66. Repassados pelo diretório nacional, José Raimundo recebeu R$ 47.500,00 da Arclima Engenharia, que não foi envolvida na Lavajato.

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