Herzem e a secretaria de Comunicação: do desacerto ao acerto. Até quando?

Posted on terça-feira, 22 agosto 2017

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André Ferraro esteve em Vitória da Conquista na transição do primeiro para o segundo turno da eleição de 2012. Veio ajudar na formatação da propaganda eleitoral do PMDB, que na primeira parte da campanha foi conduzida pela jornalista Maria Marques. Maria, àquela altura, estava em Portugal, onde fazia doutorado em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa. Ela já havia trabalhado como redatora do programa de Guilherme Menezes, na campanha de reeleição de 2000. Nesta segunda-feira (21), o Blog da Resenha, que vem a ser o blog do prefeito atual, apresentou Maria Marques como a nova secretária de Comunicação, em lugar de André Ferraro, que ficou seis meses no cargo e o deixou justificando para a sua saída a falta de condições de trabalho e atitudes de desprestígio de parte do prefeito e do seu gabinete.

Maria Marques e André trabalharam juntos na campanha vitoriosa de Herzem Gusmão. O último assessorava na estratégia política e tinha participação no marketing eleitoral, uma de suas experiências como jornalista e publicitário. À colega dele coube dar a cara e o conteúdo dos programas de TV, escrever tudo o que Herzem e os demais participantes da campanha disseram na propaganda, no primeiro e no segundo turnos. Com o candidato eleito, tanto André como Maria poderiam assumir a secretaria de Comunicação. No começo do governo, a secretaria estava na lista das que desapareceriam, mas Herzem mudou de ideia e optou por André, que continuou a ser um dos seus colaboradores mais próximos e ouvidos – ou assim se pensava.

Herzem e André

André Ferraro e Herzem

Mas, André e Herzem, em algum momento, perderam a liga. Segundo pôde se ler nos blogs, o roteiro do desgaste incluiu o não cumprimento de encaminhamentos administrativos definidos pelos dois para a Secom, cancelamento de contratos sem conversa prévia, postergação da licitação de publicidade e, há quem diga, um crescente desinteresse de Herzem pela opinião de Ferraro depois da chegada de empresas e pessoas de fora, contratadas para pensar o governo, e o crescimento do prestígio de uma consultora em especial, Claudiana Figueiredo, que também é a coordenadora do Sebrae em Ilhéus, segundo o próprio André.

André Ferraro é um dos profissionais da área de comunicação política mais conhecidos no estado da Bahia. Tem preparo, bagagem e comprometimento profissional. E lealdade ideológica. Ao ter feito o que fez com ele o governo cometeu um desacerto, na sequência de outros desacertos, aliás. Primeiro, deixou uma das principais áreas do governo sem recursos financeiros, mesmo na travessia dos oito meses mais confusos e desgastantes de uma administração municipal em Conquista, quando comunicar seria fundamental – e caro. Depois, Herzem aceitou que o secretário que mais o defendia fosse fritado e, no fim, o descartou, após um desgastante debate, de uma parte pelos blogs e da outra no ambiente governamental, onde imperaram a fofoca, o puxa-saquismo e reações figadais a alimentar sede de vingança.

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Maria Marques (Foto do perfil pessoal no Facebook)

O governo acerta ao chamar Maria Marques para o lugar que era de André Ferraro, assim como acertou, inicialmente, ao desistir de fechar a Secom e colocar Ferraro para dirigi-la. Maria conhece das duas coisas que interessam: comunicação e Vitória da Conquista. Cuidou do setor quando Guilherme Menezes era prefeito, fez quatro campanhas eleitorais no município – três para Herzem e uma para o PT -, é professora do curso de Jornalismo da Uesb e gosta de Herzem. Assim como André, embora atenha trabalhado para o PT, ela tem comprometimento ideológico, sinalizado na nota do Blog da Resenha, que escondeu a relação profissional – e política – com Guilherme Menezes, optando por destacar sua ligação com o ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, por exemplo.

Na nota do Blog da Resenha, Herzem diz que credita a Maria Marques grande parte do êxito alcançado em sua trajetória política (uma suplência de deputado e a eleição de prefeito). Há os que afirmam que o prefeito tem uma dificuldade com a gratidão e uma maior ainda em ouvir (ouvir e praticar) fora do meio familiar e de um séquito de especialistas em agrado. Pode ser verdade, é preferível que não seja. Não sendo, Herzem Gusmão pode ganhar muito com Maria Marques quanto mais longeva for a participação dela na Secom e mais ouvido e acatado seja o conselho que ela certamente dará ao prefeito e ao governo.

Parabéns pela escolha, prefeito. Bom trabalho, Maria.