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Política Conquistense

O que diz o silêncio do ex-prefeito Guilherme Menezes

No dia 10 de fevereiro do ano passado, 40 dias depois de entregar o cargo de prefeito a Herzem Gusmão, encerrando um longo período de poder que somou, só em mandatos próprios, 4.843 dias à frente da prefeitura em duas etapas (1º de janeiro de 1997 a 5 de abril de 2002 – 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2016), o ex-prefeito Guilherme Menezes de Andrade foi nomeado para o cargo de coordenador do Escritório de Representação do Governo do Estado da Bahia, em Brasília (DF). O cargo corresponde ao de um superintendente (DAS-2A) abaixo do de secretário. Consta que Guilherme foi convidado a assumir uma secretaria, mas optou pela função na capital federal.

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Guilherme, em foto feita no gabinete da prefeitura, em 2016

Em Brasília, moram os dois filhos do ex-prefeito, Gustavo e Guilherme. Compreendeu-se, à época, que o ex-prefeito uniu a missão dada pelo governador à oportunidade de recuperar parte do tempo que não pôde curtir com os filhos em sua fase mais recente. Ele dizia sempre que fazia sacrifícios pessoais e familiares em razão da tarefa de dirigir o município, nem férias tirava. Comparada com a gigantesca responsabilidade de administrar o terceiro maior município da Bahia e um dos 80 maiores do país, e até com as obrigações do cargo de secretário estadual, coordenar o escritório do governo em Brasília é uma tranquilidade, a despeito de ter atribuições importantes, mesmo que intermitentes e pouco volumosas.

Herzem em gabinete
Herzem, em foto feita no gabinete da prefeitura, em 2017

Com a derrota do PT em outubro de 2016, interrompendo um dos mais longevos governos da história brasileira, com seus 20 anos consecutivos de exercício de poder (13 anos e 95 dias de Guilherme e seis anos e nove meses de José Raimundo), assumiu a prefeitura um político com grande domínio da comunicação, um dos melhores talentos do rádio baiano, disposto a fazer tudo para Vitória da Conquista esquecer o PT em pouco tempo. E assumiu colocando em prática a promessa, com críticas pesadas, atribuindo à gestão anterior todas as falhas administrativas e as razões para a dificuldade de resolver os problemas que foram surgindo à medida que o tempo passava.

Ao mesmo tempo, a imprensa e os meios políticos se perguntavam qual seria o comportamento do Partido dos Trabalhadores diante da nova situação e qual a meta política do ex-prefeito Guilherme Menezes, praticamente recolhido em Brasília, em obsequioso e voluntário silêncio. Tampouco o PT, na condição de instância partidária, abria a boca. Afora as manifestações dos quatro vereadores da bancada petista, atentos às demandas mantidas ou surgidas com a nova gestão, cuja movimentação e discurso em oposição ao prefeito ajuda na percepção da existência do partido, outras vozes quase não se ouviam. Ressalva para o ex-secretário Edwaldo Alves.

Quase não se fizeram ouvir os deputados José Raimundo Fontes e Waldenor Pereira, cujas falas, aqui e ali, com pouca intensidade e reverberação menor ainda, pareciam expressar uma certa acomodação, como se não fosse com eles essa coisa de se posicionar (com a agudeza imaginada) ante o governo municipal, bem do jeito que eram em relação ao último mandato de Guilherme Menezes. Mas, de todos, quem menos falou foi justamente Guilherme. No período de um ano em que está em Brasília, toda vez que foi procurado para dizer algo, ele desconversou. Não deixou claro se será candidato a cargo parlamentar este ano, bem como abriu mão de avaliar a administração de Herzem Gusmão. A ninguém disse (pelo menos em público) se considera que o prefeito trabalha bem ou trabalha mal.

Quem conhece o ex-prefeito costuma dizer que o silêncio dele equivale a dizer muita coisa. Dia desses, ao ouvir o silêncio de Guilherme Menezes, um importante radialista afirmou que ele não será candidato este ano e apoiará para estadual Marcelino Galo e para federal Walmir Assunção, quando tudo parecia crer que ele seguiria com Jorge Solla para a Câmara dos Deputados e poderia lançar a si mesmo para a Assembleia. Eu mesmo não duvido dessa última hipótese, entretanto, acho um erro, porque prevejo uma sexta candidatura de Guilherme à prefeitura, em 2020, e uma disputa este ano poderia ser frustrante do ponto de vista eleitoral, mesmo que ele fosse eleito. Numa analogia com o mundo do futebol, seria como se Barcelona ou Real Madrid enfrentassem a Jacuipense: se os espanhóis não vencessem com uma sonora goleada seria vergonhoso e deixaria torcida e analistas com a pulga na orelha.

Para 2020, alguns dizem que Guilherme Menezes estará velho, aos 77 anos. Porém, o mais provável adversário, o prefeito Herzem Gusmão em busca da reeleição, terá 72. São quase topes, como se dizia antigamente. Arrisco que, apesar de muitos desacertos, de desgastes e críticas insistentes, a administração do MDB tem todas as ferramentas para dar certo. Se a dificuldade financeira, os equívocos e o amadorismo iniciais da gestão não se fixarem como marca de governo, caso as coisas deem certo, só Guilherme fará frente a Herzem, considerando a oferta de lideranças e nomes de que dispomos hoje.

Mas, claro, isso é pura especulação. Como Guilherme Menezes não fala, não dá para saber o que lhe vai pela cabeça. Nas redes sociais os seus seguidores digladiam com os seguidores de Herzem Gusmão em uma guerra verbal que, às vezes, até assusta. Os que elogiam o prefeito e o grupo que atualmente está no poder atribuem a culpa de todo e qualquer problema que se destaca no município ao ex-prefeito e ao PT. Os que defendem o PT fazem o que podem para retrucar, devolvendo as culpas ao colo dos atuais ocupantes do gabinete da Praça Joaquim Correia. Mas, é uma guerra de comunicação ainda sem vencedores, ainda que com uma leve desvantagem dos que brigam contra o governo.

Se Guilherme falasse talvez ocorresse o desempate. Mas, Guilherme preferiu o silêncio, mesmo estando em Brasília, de onde vem uma barulheira infernal.

 

 

 

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