Administração Pública

O que disse de destaque o secretário Esmeraldino sobre os problemas no transporte coletivo

Culpa do PT. Não se resolve de canetada. Contrato com a Vitória pode ser desfeito. Há alternativas. Vamos fiscalizar vans.

Esmeraldino em coletiva 2

(Foto: Secom/PMVC)

Infelizmente, o BLOG chegou atrasado na coletiva concedida pelo secretário Esmeraldino Correia e não pôde fazer pergunta ou ouvir a maior parte das explicações que o coronel aposentado e ex-comandante da PM em Conquista deu para o problema do transporte público, a situação da Vitória em especial. Esmeraldino tinha pouco tempo para atender os jornalistas, por causa de outros compromissos também urgentes da sua pasta. Mas, podemos destacar da fala final do secretário alguns pontos que geram novas perguntas, as quais não acreditamos que ele ou o governo respondam, mas que servem à reflexão do leitor.

HERANÇA PETISTA

Esmeraldino repetiu o que diz o prefeito Herzem Gusmão sempre que está sendo pressionado por um problema que não consegue solucionar: “o nosso prefeito herdou essa situação”. Ele e outros membros do governo reclamam de terem herdado problemas que surgiram antes de eles assumirem a prefeitura. Parecem querer fazer a população esquecer que na campanha eleitoral, para ganhar a confiança e o voto do eleitor afirmaram que tinham capacidade de resolver os problemas. No caso do transporte público, este governo repete o anterior. O governo de Guilherme Menezes foi negligente com a situação da Vitória, a ponto de ensejar outras desconfianças, tendo deixado para o fim da gestão a decisão de rescindir o contrato, o que já era tarde para ele mesmo fazer, deixando a atribuição para Herzem Gusmão. Herzem se negou a cumprir. Preferiu dizer que Guilherme Menezes quebrou empresas de ônibus e que ele não faria isso. Optou por salvar a Vitória. Então, mesmo com os erros da gestão petista em relação a isso, o governo atual quis também cometer os seus e deixou a situação piorar. A prova foi dada nas últimas horas.

NÃO PODE RESOLVER NUMA CANETADA

Depois de afirmar que o abacaxi não é obra do atual governo, o secretário disse que não dá para resolver o problema numa canetada. Mas, foram exatamente canetadas que o prefeito Herzem deu achando que seriam suficientes para salvar a Vitória e manter o transporte público funcionando. Foi assim, por exemplo, com o primeiro TAC e depois com a sua prorrogação. Repete-se que é crível que a intenção do prefeito tenha sido a melhor possível, garantir que não faltasse ônibus, evitar um buraco no sistema, mas foi tudo na base da canetada. E do gogó.

HERDOU PROBLEMAS DAS VANS

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Concorrência ilegal das vans é motivo de críticas ao governo

Verdade. Herdou todos os problemas que existiam antes de começar este governo e que não foram resolvidos pelo anterior. Herdaram a responsabilidade. Herdaram o governo, em si, para o qual se disseram preparados, aptos para resolver os problemas, o que Herzem dizia que não levaria seis meses. Mas, outra verdade é que tudo piorou. As vans eram menos de 100, hoje calcula-se pelo menos 250. E o prefeito, respondendo irritado a uma carta aberta das empresas de ônibus, que atribuem ao transporte clandestino por vans um prejuízo de milhões, disse que se quiser coloca até 400 vans no sistema. E sobre os ônibus, as notícias de paralisações, quebras de carros, acidentes, etc. e as imagens mostradas constantemente pelos blogs estão aí para comparação.

VAI INTENSIFICAR A FISCALIZAÇÃO DAS VANS

Respondendo a indagação feita pelo jornalista Frarley Nascimento, do blog BlitzConquista, sobre as queixas contra o transporte clandestino de passageiros, se a prefeitura vai deixar como está, Esmeraldino Correia disse que vai intensificar a fiscalização, mas só depois que acontecer a regulamentação. Uma licitação está em andamento para escolher 80 vans para prestar o serviço alternativo (ou especial) de transporte de passageiros, incorporando-o ao sistema que hoje, legalmente, só tem ônibus. Até lá, fica tudo como está. E, aqui, mais uma vez, cabe o registro: o BLOG vê uma intenção positiva nesta atitude, considerando que a prefeitura está pensando nos pais de família e trabalhadores que estão atuando no setor. Também deve levar em conta o fato, incontestável, de que milhares de pessoas usam as vans em Conquista. Mas, o que não se esquece é que a quantidade de vans cresceu após a promessa de liberação do serviço, feita por Herzem Gusmão em campanha e reiterada já como prefeito. Deixar as vans rodarem sem apertar a fiscalização faz parte, certamente, do cumprimento da promessa.

JÁ HÁ ALTERNATIVAS

A certa altura da entrevista que concedeu a jornalistas no salão nobre do gabinete do prefeito, o secretário Esmeraldino disse, claramente, que os problemas da Viação Vitória já estão sendo identificados. Falou que os processos administrativos caminham para determinar a caducidade do contrato, por falta de cumprimento da parte da empresa. E cravou: “Já há alternativas”. Provavelmente, porque o caso exige esta responsabilidade, o governo já tenha uma empresa na manga, como se diz, para a possibilidade de ter que afastar a Vitória ou ela mesma decidir parar. A Cidade Verde também deixou sinalizado na carta aberta que ir embora de Vitória da Conquista é uma possibilidade analisada. O presidente do Sindicato dos Rodoviários,Álvaro Souza, disse que não tem como saber nem afirmar, mas acredita que a administração já vem conversando com outras empresas que possam assumir a vaga da Vitória, pois o governo não seria irresponsável de deixar para a última hora, porque ficaria um buraco no serviço, prejudicando a cidade.

EQUÍVOCO DA PESQUISA SOBRE TRANSPORTE

Esmeraldino – que, apesar da repetição do bordão de que “a culpa foi do PT”, exaustivamente empregado pelo prefeito e equipe, foi muito claro na entrevista, enfatizando posturas firmes a serem adotadas daquele momento em diante contra as falhas no sistema de transportes – reproduziu um equívoco que Herzem Gusmão frequentemente tem cometido. Ele disse que o prefeito tem pesquisa apontando que o transporte coletivo não é um problema para o conquistense. Tanto Esmeraldino como Herzem colocam o mérito desse dado na atuação das vans. Dois equívocos. O primeiro é técnico, acerca da pesquisa em si. Não se pode dizer que há má-fé do prefeito e do secretário na sua divulgação, mas, talvez, apenas um erro de interpretação induzido por marqueteiros pernósticos.

As pesquisas de opinião que avaliam uma administração ou buscam saber dados sobre intenção de votos, etc, costumam trazer a questão “Qual o principal (ou maior) problema de sua cidade?”, oferecendo a possibilidade de resposta múltipla ou única. Em Vitória da Conquista – e no Brasil – há anos, desde que a mãe de Patanha era lembrada em programas de rádio; desde quando eram governos antigos, José Pedral, Murilo Marmore, Guilherme Menezes, até Herzem, agora, os resultados são parecidos, com o transporte público aparecendo com muito menos menções negativas que outros problemas. Era assim mesmo quando a Viação Conquistense era a empresa de ônibus da cidade. Isso se dá porque as pessoas priorizam na sua resposta os maiores problemas, aqueles que as afetam com mais contundência, frequência ou gravidade, digamos. Assim é que violência, segurança pública, desemprego, filas em postos de saúde, falta de remédios, falta de vagas em hospitais, sujeira das ruas, falta de limpeza, esgotamento (dependendo do lugar), indústria de multas, etc. aparecem à frente do transporte público. Isso há eras. Não significa que a população não tem queixas – e muitas – sobre o transporte público, ele só não é o maior problema, porque, afinal, mal ou bem, as pessoas têm como chegar aos seus destinos, ninguém fica a pé (a não ser quando há greve). Para poder falar disso sem parecer que é discurso, o prefeito poderia mandar fazer uma pesquisa com questão específica, dando notas e avaliações para o transporte público em si, destacando-o dos demais problemas.

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