Administração Pública

Rodas de ônibus se soltam e atropelam governo Herzem Gusmão. Em reação, 33 ônibus da Vitória saem de circulação

Poderia ser uma manchete do site Sensacionalista e seria cômica se não tivesse chegado tão perto de ser trágica. O próprio prefeito Herzem Gusmão admitiu isso em entrevista ao programa Agora Sudoeste, apresentado por Humberto Pinheiro na Clube FM, ao comentar o incidente ocorrido na manhã de quinta-feira (22), quando dois pneus de um ônibus do transporte coletivo em movimento se soltaram em via pública, colocando pessoas em risco. Herzem disse que “Deus já foi bom demais e digo pra você: se acontece uma tragédia acabou o Governo. Acabou o Governo. Tem que todo mundo ir pra casa”.

Pneus da Vitória se soltaram 2 (Foto BlitzConquista)Pneus da Vitória se soltaram (Foto BlitzConquista)Os pneus não atingiram ninguém, não houve feridos. A não ser a Viação Vitória, dona do ônibus e, em sentido figurado, o usuário do transporte público e o governo. Herzem não vai precisar ir para casa agora, ainda tem muito a fazer e se espera que ele faça bem feito, mas os pneus soltos da Vitória ajudaram a aumentar o rombo na avaliação de sua administração. Explicando: mesmo colocando a culpa na gestão anterior, de Guilherme Menezes (nem Herzem, nem outro membro do governo fala o nome do ex-prefeito quando critica o governo passado, apenas dizem “o PT”), não é possível mais negar que os problemas da Vitória (e do transporte público em geral) piorou nos últimos 15 meses e que foi Herzem Gusmão quem decidiu que “salvaria” a Viação Vitória, porque no governo dele empresa de ônibus não ia quebrar, “como foi no governo do PT”.

Herzem assinando

Segundo o governo, o prefeito Herzem Gusmão não pode resolver o problema de uma canetada.

O prefeito de Vitória da Conquista fez opção política pela empresa de ônibus. Ciente de que a Viação Vitória não dispunha mais de condição para oferecer serviço de qualidade e que enfrentava dificuldades financeiras gigantescas, impedida de realizar investimentos em renovação da frota ou mesmo de cumprir obrigações editalícias e contratuais, como o pagamento da outorga (valor devido à prefeitura pelas linhas operadas) e a implantação de abrigos, Herzem anunciou a plenos pulmões que assumiria o compromisso de ajudar a empresa a se reerguer. Enfrentou a opinião pública e deu um dos maiores reajustes da história – o maior da Bahia em 2017; propôs Termos de Ajustes de Conduta (não cumpridos); recolocou no roteiro da Vitória linhas perdidas na gestão anterior e foi paciente com todas as desculpas que ela deu, inclusive o pedido de recuperação judicial. Mas, aí, os pneus se soltaram.

Desta vez, não dá mais para defender o indefensável, não é mais possível continuar protegendo a empresa e replicando as suas desculpas.

Desta vez, o governo teve que admitir sua responsabilidade iminente e emergente, tanto é que o próprio Esmeraldino Correia, secretário de Mobilidade Urbana, foi para o pátio da empresa e deu início “À” fiscalização. De repente, a mesma prefeitura e o mesmo secretário que diziam que “sempre atuaram firmemente” na fiscalização da Vitória, tiraram 33 ônibus de circulação, quase metade da frota que teria que estar nas ruas, atendendo os usuários. É importante dar destaque a esta informação: a prefeitura, numa ação liderada pelo secretário Esmeraldino, identificou 33 carros sem condição de rodar com passageiros e os tirou de circulação. A pergunta que resta é: esses 33 ônibus se tornaram inaptos (ainda que parcial ou temporariamente), ficaram assim da noite de ontem para a manhã de hoje? Não. É que a prefeitura, simplesmente, fechava os olhos.

Não se pode dizer que esse fechamento de olhos tinha uma intenção maldosa ou abrigava um interesse imoral. Compreende-se que o que se tentava era evitar ao máximo que a população fosse prejudicada. A cidade é atendida por duas empresas de ônibus, a Cidade Verde e a Viação Vitória. Cerca de 160 ônibus devem transportar os passageiros diariamente e a redução dessa frota causaria transtornos para os usuários, mesmo com o serviço prestado pelas vans (mais de 200, segundo vereadores e imprensa), restando à administração permitir que ônibus em condições muito ruins circulassem transportando passageiros. Isso até que os pneus se soltaram, colocando em risco pessoas e quase atropelando a administração Herzem Gusmão e, como ele mesmo disse, acabando o governo e mandando todo mundo para casa.

 

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1 resposta »

  1. O tal do Herzem Gusmão e sua equipe demonstra a cada dia a sua incapacidade em governar a cidade, que esta totalmente abandonada e suja, mato já invade as calçadas das ruas px ao pq de exposições, etc… O período de chuva esta chegando e a coisa vai piorar ainda mais.

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