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Eleições Política

Eleitorado de Conquista pode chegar a 215 mil eleitores este ano. É hora de fazer conta.

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Vitória da Conquista deverá ter cerca de 215 mil eleitores em outubro

As previsões pessimistas não se confirmaram e o eleitorado de Vitória da Conquista não ficou abaixo dos 200 mil eleitores, como parecia sinalizar a dificuldade registrada no recadastramento biométrico. Nesta data, 28/03, o site do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, informa que o município tem 209.730 eleitores (última atualização às 6 horas), número obtido com novos registros e a regularização dos títulos que deixaram de ser atualizados durante o período da biometrização.

Agora, as contas dos pré-candidatos a deputado são mais otimistas. Muitos acreditam que os cerca de 15% dos eleitores que não compareceram à biometria e nem procuraram regularizar a situação no novo prazo, que vai até o dia 9 de maio, são os mesmos eleitores que já faltavam às eleições, por isso, apostam, a abstenção poderá ser bem menor que nos anos anteriores. “Nesse grupo que não fez a biometria tinha gente que não votava mais, pela idade, por morte ou por desinteresse reincidente, então, a abstenção terá um índice menor que na eleição passada”, estimou um assessor de pré-candidato. Se for assim, melhoram as expectativas de todos os que pretendem uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara.

Menos gente vota para estadual, mas candidatos locais se beneficiam

Nas últimas eleições parlamentares (2014) 20,97% dos 224.429 eleitores conquistenses não compareceram às urnas. Dos 177.366 eleitores que votaram para deputado estadual 6,85% votaram em branco e 22,90% anularam, tornando inúteis 29,75% dos votos, ou seja, foram computados apenas 70,25%. No final, somente 55,52% do total dos eleitores aptos daquele ano votaram para estadual. Para deputado federal o quadro foi um pouquinho melhor: 8,45% de brancos, mas apenas 5,61% de nulos, totalizando 14,06%. Para federal a contabilidade terminou assim: do total de eleitores que foram às urnas 85,94% votaram validamente, representando 71,21% do geral do eleitorado.

Com uma leitura apurada do resultado final da votação, para quem os votos foram dados, é possível dizer que faltou campanha dos candidatos a deputado estadual. Mesmo assim, os candidatos locais, moradores da cidade, ficaram com 81,5%, ou cerca de 102 mil dos votos válidos. Para os federais identificados como candidatos de Vitória da Conquista (sem contar Jorge Solla, Alice Portugal, Irmão Lázaro, Lúcio Vieira Lima, Valmir Assunção, etc.) ficaram cerca de 69 mil votos, representando 45% dos válidos ou 39% dos que compareceram às urnas, bem abaixo do “sucesso” dos estaduais locais que, mesmo em uma situação mais adversa – alto número de nulos e brancos – obtiveram 48% a mais de votos que os federais. Isso em decorrência da importação de candidatos de fora para as famosas dobradinhas de interesse partidário ou em razão de financiamento.

Em 2014, Vitória da Conquista lançou sete candidatos a deputado federal e oito estaduais, hoje há a mesma quantidade de pré-candidatos à Câmara dos Deputados e seis para a Assembleia Legislativa. A meta é repetir, pelo menos, o percentual de votos dado ao grupo local, não apenas porque é melhor para os candidatos novos, mas essencial para os que buscam reeleição. Se houver queda e esta for significativa e proporcional, pode representar risco a reeleições. Em se confirmando o eleitorado em torno de 215 mil votos, os candidatos a deputado estadual devem torcer para que a abstenção não passe de 15% e que a soma de brancos e nulos fique na metade do que foi em 2014, ou seja, não pode passar de 12%. Já no caso dos candidatos a deputado federal, registrando-se percentuais parecidos com os calculados acima, terão uma situação mais tranquila.

Contas feitas, os candidatos a deputado estadual de Vitória da Conquista teriam mais ou menos 160 mil votos para disputar com os candidatos de fora. Na ocorrência do mesmo milagre dos 81,5% dos votos da última eleição, os oito prováveis candidatos alcançariam entre 130 mil e 132 mil votos, desde que aconteçam as reduções desejadas na abstenção e nos votos invalidados. Mas, será um milagre se abstenção e votos nulos e brancos não estourarem, especialmente se tomarmos como referência uma eleição que ocorreu em situação parecida com esta, após o escândalo e o afastamento do ex-presidente Fernando Collor. Daqui a pouco falamos disso. Para não falhar com os pré-candidatos a deputado federal, façamos cálculos baseados na projeção do número de eleitores pós-recadastramento e nos resultados de 2014.

Se o eleitor resolver colocar todos os candidatos no mesmo balaio; se a abstenção, votos nulos e brancos ficarem na mesma conta da eleição para deputado estadual em 2014 e se o percentual obtido pelos candidatos locais for equivalente ao daquele ano (cerca de 45% dos votos válidos), os prováveis sete nomes que querem representar Conquista em Brasília disputariam de 72 mil a 75 mil votos. Na média chega a 11 mil votos, enquanto no caso dos estaduais pode ficar em torno de 16 mil. Para que as projeções melhorem os pretendentes à Câmara dos Deputados precisam trabalhar para reduzir os votos os importados, ir para cima, como se diz, e aumentar o quinhão sobre os aproximadamente 160 mil que podem votar (considerando-se a utopia de 15% de abstenção e 12% de perda de votos).

Na conta acima, o BLOG deixou de fora os votos obtidos em 2014 por Alice Portugal, que foi a candidata a deputada federal do PCdoB local; Lúcio Vieira Lima, que foi o candidato oficial em dobradinha com Herzem Gusmão, pelo PMDB, e Jorge Solla, que teve o apoio do então prefeito Guilherme Menezes.

A história pode se repetir

Em 1994, nas primeiras eleições após o afastamento do ex-presidente Fernando Collor, por impeachment, 26,66% dos eleitores baianos deixaram de comparecer às urnas, incríveis 46% anularam ou votaram em branco para deputado federal e 40% fizeram o mesmo para estadual, de acordo com dados obtidos no site do Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Em Vitória da Conquista esses percentuais foram ainda maiores. Naquele ano foram eleitos Clóvis Flores, Yvonilton Vonca Gonçalves e Guilherme Menezes, estaduais. De federal só Coriolano Sales.

Considerando a quantidade de eleitores que não votarão porque não terão feito a biometria e a possibilidade de abstenção e da soma de votos nulos e brancos serem altas, por conta da perda de credibilidade dos políticos e da indignação dos cidadãos, é aconselhável que os novos candidatos planejem bem e intensifiquem desde já suas campanhas e os candidatos à reeleição cuidem com mais ênfase de suas pré-campanhas locais.

A história de 1994 pode se repetir.

 

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