Economia

Greve dos caminhoneiros: “Pode se preparar para emendar com o feriado”.

Nunca, em nenhum tempo, uma greve conseguiu o que vem conseguindo a paralisação dos caminhoneiros brasileiros, que já dura oito dias. O movimento gera vários tipos de sentimentos. Há quem esteja chateado porque suas atividades normais estão sendo atrasadas; há quem se beneficie porque ganha mais tempo para resolver tarefas, caso de estudantes; há os que demonstram toda insensibilidade e aproveitam a greve para majorar preços e lucrar com a necessidade dos demais; há os ansiosos e temerosos de que o desabastecimento chegue aos supermercados e lojas da cidade.

Há os que apoiam a greve porque ela sinaliza a possibilidade de vitórias políticas, como aqueles que pedem uma intervenção militar (algo que é improvável e não encontra respaldo na maioria da população) ou os que comemoram o desgaste do governo Temer, cuja impopularidade é a maior entre todos os dirigentes na história do país, ou ainda aqueles que ora discursam a favor porque a paralisação atinge o governo, ora se calam porque ela atinge a organização nacional, oferecendo a perspectiva de um caos ainda maior.

Greve caminhonheiros 1

Entretanto, parece claro que a maioria dos brasileiros, em algum momento, apoiou a greve, mesmo considerando algum prejuízo, mesmo sabendo (ou exatamente por não saber) que o movimento só mexe no preço do diesel, sem alterar o da gasolina e do etanol. Parte desse apoio nasceu da noção de que é um movimento justo, outra parte é originada na representatividade dos caminhoneiros ao realizar um desejo da população que não pode ou não tem coragem de fazer greve, e mais ainda, por conta da impopularidade e desorganização do governo, esta responsável pelo crescimento do movimento e do apoio popular.

QUANDO ACABA?

E quando a conversa é sobre quanto tempo ainda vai durar a greve ninguém consegue prever e as apostas variam. Muita gente acreditou que as medidas anunciadas pelo cambaleante presidente Temer ontem poderia desarticular o movimento. Havia expectativa quanto ao fim ou pelo menos redução do movimento ao amanhecer do dia, depois da publicação das decisões tomadas pelo governo, que incluem redução de R$ 0,46 no litro do diesel, equivalendo à incidência sobre o preço pela PIS/Cofins e manutenção do preço do diesel por 60 dias nas bombas e aumento apenas mensais, além de três medidas provisórias garantindo a não cobrança do eixo suspenso em pedágios de todo o país; 30% do frete contratado pela Conab e estabelecendo tabela mínima de frete.

A greve, no entanto, continua e não parece que se encerra logo, como sonha o governo. O BLOG conversou com pessoas que têm familiares no movimento e o que essas pessoas ouvem ou leem em grupos de Whatsapp é de que a paralisação vai continuar e isso, essencialmente, porque os caminhonheiros não confiam no governo. Fontes repassaram ao BLOG a preocupação dos profissionais com os setores de saúde e segurança, por exemplo, e com o abastecimento de alimentos, afirmando que eles estão fazendo o máximo para que não haja mais prejuízo para a população. “Nós temos família e elas estão passando por dificuldade também, e a gente não está aqui para prejudicar ninguém, mas para buscar um reconhecimento e um direito que sempre nos negaram”, disse uma das pessoas que enviaram mensagem a um entrevistado do BLOG.

Greve caminhonheiros 2Outros se queixaram de terem sido enganados. Afirmam que liberaram a passagem de caminhões tanques com combustível porque disseram que seria para serviços de saúde e para a polícia, mas que a gasolina foi para postos venderem a particulares. Isso foi em uma das barreiras próxima a Vitória da Conquista. O sentimento, segundo a fonte, é de terem sido enganados e isso irritou muitos caminhoneiros que nem querem falar em suspender o movimento.  Em outra conversa, o BLOG ficou sabendo que a disposição da maioria dos profissionais é de continuar parados, sem definir o dia de encerrar o protesto. “Tenho alguns familiares caminhoneiros na liderança e o que eles dizem para nós da família é que podemos emendar a greve com o feriado [dia 31, quinta-feira]”, disse uma das fontes. “A gente sente saudade, quer nossos pais, tios e amigos em casa, mas eles sabem o que estão fazendo, não dá para confiar até que as promessas do governo se tornem concretas, na bomba, no bolso deles”, explicou uma entrevistada que tem parentes no comando do movimento.

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