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Política Sociedade

Sheila Lemos e Lúcia Rocha avaliam momento político e participação feminina na eleição

Em Vitória da Conquista já são 16 pré-candidatos a deputado e somente três são mulheres: Sheila Lemos, Lúcia Rocha e, segundo o Blog do Anderson, Edenísia Fraga. As duas primeiras já estão se movimentando há meses, Edenísia teve seu nome lançado há poucos dias. Todas buscam um feito raríssimo em Vitória da Conquista – e no Brasil. No Brasil, apesar de as mulheres serem 52% do eleitorado, a presença feminina em cargos eletivos não chega nem perto. As mulheres estão há 86 anos buscando ampliar seus espaços na política e sempre enfrentaram preconceitos, dentro e fora dos partidos.

Elas são cerca de 10% na Câmara dos Deputados e menos de 15% no Senado. Nas assembleias legislativas, a representação é de 11,33%. Na Bahia, de 63 cadeiras, apenas oito (12,7%) são ocupadas por mulheres. E nas câmaras municipais são apenas 13,51% de mulheres. Em Conquista são três vereadoras, de um total de 21 cadeiras. Em toda a história, chegaram à Câmara Municipal dez mulheres. A primeira delas, foi Geny Fernandes de Oliveira Rosa, D. Zaza, em 1936.

Já para a Assembleia Legislativa, somente uma mulher conseguiu se eleger deputada estadual representando o município, em 1990: Margarida Oliveira, que dois anos depois também foi eleita vice-prefeita, mas renunciou ao cargo para se manter na Assembleia Legislativa. Margarida só teve um mandato e, desde então, várias mulheres têm se candidatado, sem sucesso. Este ano, com algumas modificações nas regras da campanha e do financiamento eleitoral, a confiança aumentou. Ainda não é igual, mas ter direito a pelo menos 30% do fundo eleitoral, compulsoriamente, oferece uma condição maior às candidaturas femininas, que antes, com raríssimas exceções, quase não viam a cor do dinheiro dos partidos.

O MACHISMO COMO EMPECILHO

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Sheila Lemos Andrade

Para Sheila Lemos, cuja mãe, Irma Lemos, ocupa cargos eletivos há alguns anos, como vereadora e, atualmente, vice-prefeita de Vitória da Conquista, a maior dificuldade para uma candidatura feminina é “que a sociedade ainda é muito machista”. Ela acredita o mundo mudou muito, “mas ainda existe essa noção de que a mulher não deve ter cargo no legislativo ou no executivo.” Sheila diz que nem sempre há uma reação explícita, mas, o preconceito se mantém e nós percebemos e não é só dos partidos, “é da própria sociedade”.  Outro empecilho, na visão dela, é a falta de incentivo e de investimento nas candidaturas femininas por parte das legendas partidárias. “Essa dificuldade nós esperamos que seja vencida, ou pelo menos diminuída, com a cota de 30% dos fundo eleitoral definida pelo TSE exclusivamente para as mulheres candidatas. É uma oportunidade de começar a sanar essa parte. Que isso ajude a dar mais voz às candidaturas femininas.”

“Quanto à minha expectativa em relação à eleição, eu estou muito confiante. Eu sinto que as pessoas têm um sentimento de mudança, que isso está latente na sociedade. E não só o mudar por mudar, mas procurar, realmente, colocar pessoas que pensem de forma diferente de tudo o que está posto”, crê Sheila. Ela diz que, se eleita, vai trabalhar da forma mais ampla possível, levando em conta das demandas regionais. “Claro que, como deputada, pretendo trabalhar sem limites geográficos, mas darei especial atenção a esta região, aos municípios no entorno de Vitória da Conquista. Eu acho que quando se delimita o espaço, você tem melhor condição de dar atenção, dar um atendimento diferenciado à comunidade, à região que posso representar”.

FOCO NA REGIÃO DE CONQUISTA

Sheila justifica seu ponto de vista, destacando que existem deputados estaduais com votação em todos os municípios, “mas a gente não consegue compreender como eles dão assistência a todos. Não vejo como. Penso que devo ser, hoje como pré-candidata, amanhã como candidata e depois, se for eleita, com a vontade de Deus e do povo, uma deputada comprometida com a região, para que eu possa trazer benefícios objetivos e representativos, sem espalhar esses benefícios, um pouquinho aqui, outro ali, um tantinho acolá, resultando em uma ação diminuta em Conquista e região. Na verdade, quero e vou trabalhar pela região Sudoeste, a partir de Vitória da Conquista”, afirma.

Dirigente empresarial, Sheila Lemos diz que há bons projetos sendo apresentados, mas que não são implementados por conta da burocracia pública ou da burocracia política. O que acredito que eu posso fazer de diferente é levar toda minha experiência no setor privado, como dirigente empresarial e pessoa preocupada com o desenvolvimento, procurando reduzir a burocracia e a dificuldade para que cheguem recursos à região. Para Sheila, outra luta, tão importante quanto buscar recursos para a região, é lutar contra a cultura de corrupção. “Mas, quando falo de corrupção não me restrinjo ao meio político, não é exclusiva de quem está na função pública. Nós, o povo, precisamos ter a coragem de enfrentar o ‘jeitinho brasileiro’, de levar vantagem em tudo. É hora de escolhermos votar em pessoas que pensam diferente e estão com disposição de mudar, com uma proposta de ação nova, para termos um futuro melhor”, ressalta.

POR ESPAÇOS DE LIDERANÇA

Lúcia Rocha
Lúcia Rocha

Para Lúcia Rocha, vereadora no sétimo mandato, a dificuldade para eleição de uma mulher é um problema histórico e sistêmico ao mesmo tempo. E não apenas no caso do cargos eletivos. “Dentro do quadro de ministros de Estado, quantas mulheres temos? Foram apenas 30 mulheres ministras em toda a história do país. Quantas mulheres ministras do STF nós temos? Apenas duas, num universo de 11”.  Na opinião dela, o problema reside no fato de que as mulheres nunca foram admitidas em espaços de liderança, onde podem mostrar sua qualificação e seu valor. Lúcia diz que enquanto os espaços não forem totalmente paritários, não haverá igualdade na disputa eleitoral. A vereadora aponta como principal dificuldade para alcançar essa paridade o machismo. E ela lembra as formas de chacota misóginas sofridas pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Enquanto a mulher não for vista como tão capaz quanto um homem, não deixaremos esse triste quadro de lado”.

Quanto à determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que 30% dos recursos do fundo eleitoral sejam destinados a candidaturas femininas, Lúcia Rocha não acredita que isso altere o quadro de forma significativa, justamente, segundo ela, porque esse problema é mais profundo. “É um problema que envolve as bases da sociedade e que só será resolvido com a educação e com a indicação de mais mulheres aos cargos de liderança, em que terão a oportunidade de conduzir a aplicação de políticas públicas. Apesar de ser uma grande conquista, não creio que só o Fundo Partidário resolverá o problema”, opina.

Quando fala da sua própria pré-candidatura, Lúcia, que foi eleita pela primeira vez em 1992, diz que a campanha vai ser muito simples. “Não possuímos recursos, patrocinadores ou nada além de nossa força de vontade e trabalho prestado a Vitória da Conquista”, diz, acrescentando que a pré-candidatura atende a pedidos de pessoas dos mais diversos setores da sociedade, mas principalmente da zona rural, das comunidades periféricas e pequenas cidades vizinhas, “que há décadas anseiam por uma representação popular e que tenha como pauta o trabalho pelos menos favorecidos”. Lúcia explica que seu objetivo “é representar as mulheres na política, superando, como fazemos há mais de 20 anos, o machismo e ocupando os espaços democráticos e de representação popular, propondo políticas públicas de acesso das mulheres à saúde, cultura e educação com o objetivo de conscientização do nosso espaço na cidade, no estado e no país.”

HISTÓRIA

Carlota Pereira de Queirós primeira eleita oficialmente
Carlota, a presença feminina entre mais de 200 homens, em 1933.

As mulheres conquistaram o direito de votar e serem candidatas a cargos públicos no dia 24 de fevereiro de 1932, com um código eleitoral provisório assinado pelo presidente Getúlio Vargas. A fazendeira Alzira Soriano de Souza, em 1928, foi a primeira mulher a se eleger prefeita na pequena cidade de Lajes (RN), cidade pioneira no direito ao voto feminino. Mas Alzira não pôde exercer o mandato, porque a Comissão de Poderes do Senado não autorizou a posse e anulou os votos de todas as mulheres da cidade, porque a participação de mulheres na eleição só tinha sido autorizada excepcionalmente graças a uma intervenção do candidato a presidente da província, Juvenal Lamartine.

A primeira deputada federal do país foi Carlota Pereira de Queiròs, eleita pelo estado de São Paulo, em maio de 1933, para a Assembleia Nacional Constituinte no Brasil.

 

 

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