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Administração Pública Economia Transporte e Trânsito

Caos no transporte: reação de empresa mineira a equívocos de parte da imprensa conquistense foi desproporcional

Nos últimos anos, as duas empresas de ônibus que operam no sistema de transporte público de Vitória da Conquista chamam a atenção de usuários, políticos e imprensa por pontos antagônicos: uma ganhou a simpatia da população por prestar um serviço de qualidade, com ônibus novos, regularidade no serviço e cumprimento das cláusulas contratuais; a outra perdeu a confiança da cidade por não atender aos requisitos do edital, com ônibus velhos, que quebram na rua, e dificuldades econômicas que levam ao atraso de salários de funcionários e greves frequentes. Além dessas características técnicas, a primeira empresa, Cidade Verde, sempre cuidou das relações sociais, envolvimento com a comunidade e urbanidade. A Viação Vitória não se preocupou muito com este aspecto.

Como é do conhecimento geral, equívocos da parte da prefeitura (desde a administração passada e agravados na atual) e dificuldades financeiras da Vitória arrastaram o sistema de transporte público para o caos. E isso já tem quase um mês. A realidade é que há menos de 75% das linhas atendidas, pontos cheios de gente esperando, protestos; as vans estão atuando mais do que nunca e quase nenhuma resposta efetiva do setor que cuida do assunto na administração municipal.

Diante do caos, a prefeitura apelou para a Cidade Verde, justamente a empresa que a administração resolveu mandar embora, depois que uma decisão judicial determinou o cancelamento da licitação vencida pela empresa há quatro anos. A prefeitura não recorreu e abriu processo licitatório para contratar uma nova empresa para substituir a Cidade Verde. Com a necessidade de suprir a falta de ônibus em dezenas de linhas, depois que a Secretaria de Mobilidade Urbana lacrou 74 ônibus da Viação Vitória por falta de segurança, a prefeitura teve que recorrer à Cidade Verde. Neste ínterim, começou a procurar outras empresas para o lugar da Vitória, que, a se depreender da postura e das informações da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), deve ser dispensada em razão do descumprimento de vários pontos do contrato. Aí, nova confusão de instalou.

nibus da Anchieta
Ônibus da Anchieta, em Belo Horizonte (Foto de Moisés Magno. Reproduzida de https://minasbus.wordpress.com/2012/02/07/viacao-anchieta-40177/)

Segundo os blogs da cidade, cinco empresas disputam as linhas da Vitória. Entre elas, estaria a Viação Anchieta, de Belo Horizonte (MG). O titular da Semob, Ivan Cordeiro, acompanhado da procuradora Nadjara Régis, esteve em Minas Gerais e procurou a empresa. Foram conhecer a estrutura, saber do interesse da Anchieta e oferecer a proposta autorizada pelo prefeito Herzem Gusmão. A imprensa local noticiou que a Anchieta aceitou vir, aceitando as principais condições da prefeitura, como absorver os funcionários da Viação Vitória. Isso foi o bastante para que a empresa mineira – por meio de um advogado – reagisse, como se diz na minha velha Jacobina, “com quatro pedras na mão”.

Screenshot_20180803-164637Em nota enviada ao blog Vitória da Conquista Notícias, o advogado da empresa, Marcos Neves, embora sem fazer ameaça direta, sinaliza, claramente, por meio do verbo “judicializar”, processar o blog por ter repercutido notícias iniciais que davam conta de que a Anchieta absorveria motoristas e cobradores que ficariam sem emprego com a saída da Vitória da cidade. A seguir, o teor da nota assinada pelo advogado, em nome da empresa de ônibus de Minas Gerais, com todas as redundâncias, vírgulas e falta delas: “Boa tarde. Vimos pela presente informar que o grupo Anchieta não confirma a notícia indevidamente publicada, sobre a ‘aquisição de empresa e absorção de empregados’ visto que em momento algum confirmou a absorção de funcionários, sendo inverídica e prematura a informação. A empresa prima pelo labor em excelente qualidade, por isto, seria prematura tal afirmação. Por este motivo, necessário se faz a imediata retirada da notícia, sob pena de judicialização do tema. Att. Marcos Neves. Advogado do grupo Anchieta.”

Screenshot_20180803-164545O final da nota deixa clara a ameaça de processo. O blogueiro retirou a matéria anterior, dizendo que “a postagem foi removida a pedido da empresa e para evitar que mais pessoas sejam levadas ao equívoco”. Uma nota equivalente foi enviada à coluna Xereta, do Avoador, blog produzido por alunos de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), sob supervisão de professores. “Boa tarde. Vimos pela presente informar que o grupo Anchieta não confirma a notícia indevidamente publicada, visto que em momento algum confirmou a absorção de funcionários, sendo inverídica e prematura a informação. Por este motivo, necessário se faz a imediata retirada da notícia, sob pena de judicialização do tema”.

Screenshot_20180803-164553Mesmo ao blog dos estudantes, o representante da empresa manteve a linha dura. Não atentou para o fato de que O Avoador queria apenas esclarecer os pontos e não os enfatizar. A demonstração do equívoco de relações públicas e urbanidade do emissor da nota se repetiria em outra mensagem enviado ao blog da Uesb, à noite, quando os estudantes quiseram saber sobre uma comentada carta-proposta que a Viação Anchieta teria mandado à prefeitura: “Boa noite. Não existe carta com tais dizeres, pois, a empresa não pode se comprometer dessa maneira sem uma análise mais detalhada. Assim, as respectivas matérias devem ser retiradas ao ar imediatamente. Agradecemos.”

O BLOG entende que, apesar do equívoco que alguns blogs cometeram ao repercutir informações não checadas e sem a devida comprovação, o que pode ensejar o pedido de esclarecimento ou reparo por parte dos mencionados, o advogado optou por “chutar o pau da barraca”, como se diz. Ninguém pode determinar a um meio de comunicação que cumpra seu desejo “imediatamente”, a não ser a justiça, por meio de liminar ou sentença condenatória. O advogado não foi apenas enfático, agiu com uma dose evidente de autoritarismo, infelizmente não contestada pela imprensa conquistense, que preferiu se autopunir, rindo uns dos outros.

Para nós, as mensagens do advogado – que tem do BLOG todo o respeito como profissional e deve ser admirado pelo seu cuidado com o cliente – contém o que consideramos autoritarismo e censura. A empresa de ônibus, que está listada entre cinco que podem operar no município, cometeu uma falta. Para o BLOG, grave. Foi desproporcional e antipática a reação. Não combina com Vitória da Conquista.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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