Anúncios
Administração Pública Educação

Não dá para bater bumbo. Uma avaliação do Ideb 2017 nas primeiras séries da rede municipal de Vitória da Conquista

Nesta quinta-feira (6), o BLOG trará os números e a avaliação do desempenho da educação básica ofertada nas séries finais pela Rede Municipal de Ensino de Vitória da Conquista. O Ideb da 8ª série/9º ano é dramático. Comparando as notas obtidas em cada etapa, o desempenho dos alunos da 4ª série/5º ano pode ser mesmo comemorado, apesar da realidade que pode ser vista no estudo mais detido das notas divulgadas. Veja a seguir.

A Prefeitura de Vitória da Conquista comemorou parte dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017, divulgados esta semana. Boa parcela da mídia conquistense seguiu e publicou o release sem questionar. O ex-secretário de Educação, Marcelo Melo, candidato a deputado federal, usou a parte mencionada como propaganda política. Prefeitura e Marcelo vendem mais que a realidade. E ela não é boa. Principalmente fazer propaganda sem expor os dados completos não é bom. Erram os que assim o fazem. A parte pela qual governo e candidato a deputado fizeram a festa refere-se aos resultados para a 4ª série/5º ano, em que a rede municipal de ensino teve melhor desempenho, cravando 23 das 79 escolas entre as que alcançaram ou superaram a meta.

Já a oposição ao prefeito Herzem Gusmão estava esperando um desastre maior. Acreditava que os números viriam piores que o Ideb 2015, divulgado em 2016. Parece que não acharam terem sido tão ruins assim. Pelo menos, até o momento em que esta matéria está sendo escrita, não houve manifestação de vereadores de oposição ou de representantes do governo passado sobre o assunto. Apenas um ex-secretário, que tem o nome reservado porque seu comentário foi feito em caráter particular, escreveu no WhatsApp: “[17:50, 3/9/2018] ***: Antes que Pereira bata bumbo, é bom lembrar que os resultados se referem à prova feita ano passado – antes que a tal mudança dele produzisse efeitos práticos na rede municipal”.
[17:50, 3/9/2018] Giorlando Lima: Não há bumbo a bater. Estagnou um e não alcançou a meta o outro. Rs.
[17:53, 3/9/2018] ***: “Mas teve avanço expressivo nos anos iniciais”.

De fato, houve avanço nos anos iniciais, mas dizer que foi expressivo é um equívoco. Este ano 23 escolas, das 79 que ministram o 5º ano ou 4ª série do ensino fundamental em Vitória da Conquista conseguiram igualar ou superar a meta prevista, representando 29,11% do total. Mas, como apenas 32 escolas tiveram seus resultados divulgados (as demais 47 não foram avaliadas), o percentual sobe para 47,91%. Na prova de 2015 a aprovação foi de 15 escolas, ou 18,98% do total de 79 e 31,91% das 47 que fizeram a prova ou tiveram seus resultados divulgados.

Não aparecem as notas de escolas que tiveram número de participantes no SAEB 2017 insuficiente ou ficaram sem média no exame, por não terem participado ou não atendido os requisitos necessários para ter o desempenho calculado.

Das 23 escolas das primeiras séries que obtiveram resultados dentro ou acima da meta do Ideb atual, apenas sete não o tinham conseguido no Ideb 2015; sete não fizeram a prova naquele ano e nove também já haviam alcançado a meta. Os resultados precisam ser avaliados escola por escola, porque, ao contrário que pode parecer, cada instituição tem sua própria meta, baseada no histórico do Saeb. Entre as que chegaram à meta prevista pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), encarregado da avaliação, oito podem comemorar terem conseguido ficar com nota acima de 20% da meta.

Escola Euclides da Cunha
A Euclides da Cunha, no distrito de São Sebastião, obteve maior crescimento
SONY DSC
A Escola José Rodrigues do Prado, reinaugurada em 2010, no distrito do Pradoso, ficou acima de meta

ACIMA DA MÉDIA E DA META

Neste Ideb destacaram-se acima das demais as escolas Euclides da Cunha, que obteve o crescimento mais notável, tendo saído de 3.3 em 2015 para elogiáveis 5.3 em 2017, crescimento de 2.3 e 61%, ficando bem acima da meta de 4.6. Ridalva Correa de Melo Figueiredo, que também alcançou crescimento acima da média, saltando de 3.0 em 2015 para 4.6 este ano, crescimento de 1.6 e 53%, ficando acima da meta; Guimarães Passos, que em 2015 estava com 3.6, já acima da meta de 3.5, e em 2017 foi para 5.3, 1.7 a mais, 47% de crescimento; José Rodrigues do Prado cujo desempenho em 2015 a deixou abaixo da meta com 3.7, pulou para 5.2, ou 40,5% a mais, bem acima da meta de 4.0; Anísio Teixeira, que na prova de 2015 chegou à nota 4.0, abaixo da meta e agora a superou, com 5.2, 30% de crescimento; Iza Medeiros, que obteve nota 4.1 na prova passada, ficando bem abaixo da meta e que agora surge com 5.2, 1,1 ou 27% de crescimento; e a Escola Irma Barbosa, que não havia alcançado a meta em 2015, com nota 4.2, cresceu 24% e chegou a 5.2, exatamente a meta prevista.

Professores da Mário Batista
Professores da Mário Batista, escola que se destacou no Ideb 2017 (Foto: Página da escola no Facebook)

Já a Escola Municipal Mário Batista, que recebeu menção especial da Secretaria Municipal de Educação por ter alcançado a nota 6.2 não foi das que tiveram maior crescimento de desempenho. No Ideb de 2015 ela apareceu com nota 5.1, portanto, o seu crescimento ficou na casa dos 21,5%, ficando na oitava posição, apesar da boa nota, acima da meta 1.5 ou 32%.

ACIMA DA MÉDIA E ABAIXO DA META

Ainda com relação à notas da 4ª série/5º ano, seis escolas merecem registros especiais, embora duas delas não tenham alcançado a meta em nenhum dos anos em que a Prova Brasil, um dos componentes das notas. foi aplicada. Estes são os casos da Paulo Freire, que obteve nota 5.1 em 2015 e 5.2 agora, mas ficou bem abaixo da meta nos dois anos; da Maria Conceição Meira Barros, que cresceu 2,95% de 2015 a 2017, saindo de 4.4 para 5.7, ficando bem perto da meta de 5.8; a São Cristóvão tem situação semelhante: também saiu de 4.4 para 5.7, mas não alcançou a exigente meta de 6.2.

As outras: Escola Bem Querer, uma das poucas que vêm batendo a meta desde 2007, com exceção de 2009. Este ano, a nota da escola caiu de 4.5 para 4.3, mesmo assim acima da meta, de 4.3; Zica Pedral, que saiu de 4.5 para 5.1, crescimento de 13%, e também vem de uma sequência de aprovações, desde 2007, com exceção de 2009, a exemplo da Bem Querer. E a Guimarães Passos, que vem batendo a meta todos os anos, desde 2009, e agora saltou de 3.6 para 5.3, ou seja, 1.7 – ou 28% – acima da meta de 3.8.

Das escolas que fizeram a prova em 2017 e 2015 apenas quatro tiraram notas menores este ano: Bem Querer, mesmo batendo a meta; Lions Clube, que caiu de 5.2 em 2015 para 4.8, sendo que a meta era justamente os mesmos 5.2 que a escola conseguiu na avaliação anterior;  Eurípedes Peri Rosa, que já havia batido a meta em 2013, mas caiu em 2015 para 4.5 e agora 4.4, quando a meta era 4.9;  e a Tia Zefa, que caiu de 5.3 para 5.1, nota que, por incrível que pareça, a escola obteve em 2009, quando passou da meta. Desta vez, a Tia Zefa precisava tirar 6.1.

Veja mais resultados aqui.

Anúncios

0 comentário em “Não dá para bater bumbo. Uma avaliação do Ideb 2017 nas primeiras séries da rede municipal de Vitória da Conquista

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: