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Educação Geral

Ideb 2017: últimos anos decepcionam na rede municipal de Vitória da Conquista, mas o ensino médio estadual é um desastre

A Prefeitura de Vitória da Conquista e o candidato a deputado federal Marcelo Melo (PHS) comemoram o crescimento médio do Ideb das escolas municipais na primeira etapa, ou seja, no 5º ano (ou 4ª série) do ensino fundamental. Fizeram propaganda porque 23 escolas, das 79 que atendem aos primeiros anos da educação básica, conseguiram alcançar ou superar, individualmente, a meta prevista pelo Ministério da Educação (MEC). Deixaram de dizer que a meta geral  foi de 4.9 para 2017 e que Vitória da Conquista ficou abaixo, com 4.7, depois de ter obtido 4.1 na avaliação de 2015, 3.9 em 2013, 3.4 em 2011 e 2.8 em 2009, em uma clara evolução, mas ainda não satisfatória.

O governo municipal e o candidato Marcelo Melo também deixaram de falar que as escolas que chegaram às metas individuais representam apenas 29% das 79. Pior: se consideradas todas as escolas avaliadas, 107, o percentual de aproveitamento é menor ainda e não passa de 26%, ou pouquinho mais de 1/4 do total das escolas que obtiveram nota na Prova Brasil. Porém, o que puxa o índice mais para baixo é justamente o desempenho dos alunos do 9º ano, ou 8ª série. Das 28 escolas municipais de Vitória da Conquista listadas pelo Instituto Nacional de Estudos  e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), apenas cinco, 18%, conseguiram chegar à meta. Em 2015, foram dez. Destas, a Escola Municipal Paulo Freire, que havia atingido a meta em todos as cinco avaliações anteriores, não teve número de participantes no SAEB suficiente para que os resultados fossem divulgados.

Escola Fidelcina Carvalho Santos
A melhor nota do Ideb municipal do 9º ano, a Escola Fidelcina Carvalho Santos, na Urbis VI foi ampliada em 2012.

São as seguintes as cinco escolas municipais que obtiveram a meta do IDEB 2017: Fidelcina Carvalho Santos, nota 4.1, exatamente igual à meta; Francisco Antônio Vasconcelos, que teve 4.0, ante meta de 3.3; José Rodrigues do Prado, 3.9 e meta de 3.5; Professor Josias Casaes França, 3.8, com meta 3.5; e Centro Educacional Moisés Meira, cujo IDEB, 3.5, superou a meta de 3.2.

Nada menos que sete escolas que bateram a meta em 2015 ficaram para trás no Ideb 2017. O Centro Educacional Eurípedes Peri Rosa, de 3.7 para 3.1, ante uma meta de 3.9; o Centro Municipal de Educação Erathósthenes Menezes, que saiu de 4.1 para 3.3, ante uma meta de 4.3; a Escola Municipal Bem Querer, que em 2015 teve nota 5.2, ficando bem acima da meta de 4.0 e caiu para 4.0, ante a meta de 4.2; Frei Serafim do Amparo, de 4.5 para 3.1, ante meta de 4.3; Professora Edvanda Maria Teixeira, queda de 1.3, saindo de 4.9 para 3.6, ante meta de 4.0; e Zélia Saldanha: 3.7 para 3.3, com meta 2017 de 3.5. Já a escola Milton de Almeida Santos, repetiu a nota de 3.5 e ficou abaixo da meta de 3.8.

Escola Cláudio Manuel da Costa
A Cláudio Manuel da Costa obteve Ideb baixíssimo e repete mal desempenho histórico

Algumas escolas ficaram muito longe da meta. A Cláudio Manuel da Costa teve o pior desempenho, o que se repete desde 2009, quando a escola obteve o índice de 0.7. Em 2017, ela ficou com 2.4, abaixo 1.7 da meta de 4.1; Euclides da Cunha: diferença de 1.9 entre nota (2.8) e meta de 4.7; Domingos de Oliveira: Ideb de 3.3 para meta de 4.1, ficando 1.8 abaixo; Frei Serafim do Amparo, diferença de 1.2 entre índice (3.1) e meta (4.3). A Escola Marlene Flores, com 3.4, ficou 1.1 abaixo da meta de 4.5; Mozart Tanajura, ficou 0.8 abaixo da meta, com nota 3.6, ante meta de 4.4. A Erathósthenes Menezes ficou abaixo 1.0. Escola Maria Leal, nota 3.1 e meta 3.9, diferença de 0.8; Peri Rosa, que  também precisava de 0.8 para alcançar o índice; Paulo Setúbal, com nota 3.0 e meta 3,7, diferença de 0.7; e Ridalva Correa de Melo Figueiredo, com índice 3.5 e meta de 4.1, 0.6 abaixo.

Curiosamente, uma escola fez a prova, foi avaliada, mas não tinha meta prevista. A Escola Municipal Fábio Henrique, conseguiu 2.8 em seu primeiro Ideb, mas não dá para dizer se esse desempenho é razoável ou não pelos parâmetros do MEC/INEP. Como a Fábio Henrique, outras duas escolas tiveram índice menor que 3.0: Euclides da Cunha (2.8) e Cláudio Manuel da Costa (2.4). Casos preocupantes, que merecem atenção especial da Secretaria Municipal de Educação.

Como visto, se os resultados das primeiras séries – avaliadas com a Prova Brasil aplicada a alunos do 5º ano/4ª série -, não admitem que se toquem bumbos festivamente, os índices do 9º ano/8ª série pedem trombetas, não de júbilo, mas de aviso.

BLOG não tem a pretensão de atribuir culpa ou mérito à atual administração nem à anterior. Uma leitura detida dos números e uma avaliação mais aprofundada dos elementos disponíveis mostram que o histórico errático das políticas de educação no município trouxeram a esse quadro. A Prova Brasil, usada pelo MEC/INEP para a aferição do Ideb, foi feita entre os dias 23 de outubro e 3 de novembro do ano passado, quando a administração Herzem Gusmão completava 11 meses. O Ideb não pode ser atribuído a ela, pelo lado bom ou pelo lado ruim. Tampouco pode-se jogar somente no colo do governo petista que a antecedeu. O Ideb é reflexo de uma política de Estado, não de governo, ou pelo menos deveria ser. Não pode se tornar ferramente de propaganda incompleta (para não dizer enganosa), seja para enaltecer seja para criticar.

ESTADO DEPRIMENTE

Mas, se serve de alívio, os índices das escolas estaduais que funcionam em Vitória da Conquista são ainda mais dramáticos, sob qualquer ângulo que se olhe. Para começar, no ensino fundamental, na avaliação do 9º ano/8 série dos estabelecimentos de ensino mantido pelo Governo do Estado no município é apenas 3.7, o mesmo índice de 2015, enquanto a meta foi 4.2. São 23 escolas e destas apenas três, ou 13%, conseguiram chegar ou passar da meta: Colégio da Polícia Militar Eraldo Tinoco, que bate a meta desde 2007 (à exceção de 2009, quando obteve inacreditável Ideb de 1.8) e chegou a 2017 com 5.8, acima 1.7 da meta de 4.1. Escola Estadual de Tempo Integral Alaor Coutinho, com nota 4.4, acima da meta de 3.6; e o Colégio Estadual Vilas Boas Moreira, que desde 2009 passa da meta e em 2017 alcançou 4.1, ante meta de 3.2.

Colégio PM Conquista 2
O Colégio Militar está muito acima da média na avaliação do 9º ano

Foram três as escolas estaduais de ensino fundamental que bateram a meta em 2015 e que agora não conseguiram: São João Batista, que saiu de 4.5 para 3,8, quando a meta era 4.3; Carlos Santana, mesmo Ideb de 2015 (4.2), mas com meta de 4.4; e Dom Climério Almeida de Andrade, que teve 4.3 em 2015, mas este ano não alcançou a média no SAEB 2017, por não ter participado ou não atendido os requisitos necessários para ter o desempenho calculado, segundo o INEP.

Os resultados do Ideb do 9º ano das escolas estaduais derrubam alguns mitos. O primeiro: de que o ensino estadual é melhor que o municipal. Pelo menos comparando o percentual de escolas que atingiram as metas no município (18%) e no estado (13%) não se pode manter a afirmativa. Mais: são 28 as escolas municipais listadas pelo MEC/INEP e cinco conseguiram bater a meta. Já da rede estadual instalada em Conquista são 23 as listadas e somente três “passaram”. E ainda mais: a melhor nota da rede estadual é do Colégio Militar, que teve 5.8 e foi o maior índice obtido por uma escola em funcionamento no município, mas somente outras duas conseguiram a meta, sendo que a terceira com o mesmo índice da Escola Municipal Fidelcina Carvalho Santos.

Sequer tiveram índices ou ficaram longe das metas, escolas tradicionais como a Euclides Dantas, conhecida também por Escola Normal, que não conseguiu média no SAEB 2017;  Centro Integrado Navarro de Brito, que não teve número de participantes no SAEB suficiente para que os resultados fossem divulgados, e o Polivalente, que caiu de 4.0 de 3015 para 3.7 em 2017, ficando bem abaixo da média de 4.4 . Por razões que o BLOG desconhece e a Secretaria Estadual de Educação não explicou, o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães não tem sido incluída entre as escolas avaliadas.

ENSINO MÉDIO

No ensino médio as escolas estaduais avaliadas obtiveram 2.9 no Ideb 2017, mas não houve meta prevista. Das 21 escolas estaduais listadas pelo MEC/INEP, apenas seis conseguiram nota. As demais não tiveram número de participantes no SAEB suficiente para que os resultados fossem divulgados. Como não houve meta prevista não há como afirmar se o desempenho das seis escolas foi bom ou ruim. O Colégio Militar obteve índice 5.1, com todos os outros bem atrás. Dom Climério de Andrade: 3.3; Colégio Estadual do Campo José Gonçalves: 3.2; Colégio Estadual do Campo Cabeceira da Jiboia: 3.1; Doutor Orlando Leite: 3.0; e Nilton Gonçalves: 2.9.

IFBA Conquista
O IFBA de Vitóriia Conquista teve Ideb 5.9 em sua primeira avaliação

Como não há metas e nem escolas municipais com ensino médio para comparar, a referência para as escolas estaduais será o índice obtido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), que alcançou 5.9, acima do Colégio Militar e disparadamente na frente das demais escolas do Estado.

 

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