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Jair Bolsonaro, ferido a faca, pode sair do hospital direto para o Planalto. Não duvidem.

Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, foi esfaqueado em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Deve ter sido ato de um louco. Vão dizer que foi um petista. E pode ter sido mesmo um petista ou outro militante de esquerda qualquer, que se moveu pelo ódio que tanto Jair Bolsonaro, quanto líderes de outros partidos emulam nesta eleição. Ou um mercenário, que recebeu encomenda irresponsável, orientado a apenas ferir o deputado e, ao lhe tornar vítima de violência, aumentar sua presença na mídia nacional e internacional, agregar emoção à sua campanha, criando um sentimento de revolta pelo que lhe fizeram e, ao mesmo tempo, de revanche. Mas, esta é apenas uma hipótese, na linha dessas teorias da conspiração que surgem por aí. Tem gente que calcula tudo. Há muitos anos eram comuns atentados forjados em campanha, carros alvejados por bala, ataques noturnos em esquina, vistos pela testemunhas certas.

Homem que feriu Bolsonaro
Adélio Bispo de Oliveira, suspeito de esfaquear o candidato a presidente, foi preso em flagrante e conduzido para a sede da Polícia Federal em Juiz Fora (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Em uma eleição da qual participei, o candidato passou boa parte do tempo à frente nas pesquisas, no entanto, por razões políticas e de estrutura da campanha, recuou e caminhava para perder a eleição, quando um homem, apresentando-se como enviado de um grupo de financiadores, me disse para preparar  programas de TV e rádio denunciando um atentado que sofreria o candidato. “Ôpa” – estranhei – que conversa é essa de atentado?”. O gordinho, ele era gordinho, respondeu que algumas pessoas haviam colocado muito dinheiro na campanha e que aquela eleição não poderia ser perdida, por isso ele já tinha bolado todo o plano, conversado com as pessoas e definido o dia e a hora que o carro do candidato seria fechado em determinado ponto da cidade e alvejado por vários tiros. Mas, que eu ficasse tranquilo, que o candidato não seria ferido, só haveria algum risco para o motorista que, no caso, seria o próprio roteirista do ataque. Por vários dias ele pediu para ver o texto denunciando o ato como de responsabilidade do adversário que estava na frente e, por fim, viria a ganhar a eleição.

Levei a sério a ameaça, mas não fiz qualquer texto. O atentado não ocorreu, o candidato está vivíssimo, o dono do plano bem longe e eu aqui, contando a história, preocupado com o que houve com Bolsonaro. Nos dois sentidos.

Em primeiro lugar, preocupado com o estado de saúde dele. Considero inadmissível qualquer violência. Na política democrática repudio até mesmo a ameaça. Não votarei em Bolsonaro e não desfiz qualquer amizade com quem o apoia e defende. Se ele ganhar esta eleição, terá sido por absoluta incompetência dos partidos e líderes ditos confiáveis e mais bem preparados. Não foi Bolsonaro quem enfiou o Brasil nessa barafunda em que se encontra. Também não foi o povo. Nem o povo que apoia Bolsonaro nem o que o rejeita. Foram os políticos da proa. Lula, Dilma, Fernando Henrique Cardoso, Aécio, Temer… E agora todos estão com medo dessa facada em Bolsonaro seja a primeira de uma sequência. Não é improvável. Fala-se em ódio, violência e barbárie na política brasileira desde 2014. Já atiraram no ônibus de Lula.

Bolsonaro ferido
Bolsonaro foi levado para a Santa Casa de Misericórdia (Foto: G1)

Ainda bem que o candidato a presidente Jair Bolsonaro não sofreu nada mais grave [as primeiras informações eram de que tinha sido apenas um ferimento superficial, de acordo, inclusive, com o filho dele]. E ainda bem que o louco que o feriu já está preso. Tomara que o homem Jair Bolsonaro tenha, pelo menos desta vez, a reação que se espera de quem está em sua posição e se prepara para a nada improvável oportunidade de dirigir um dos maiores países do mundo. Que não coloque mais gasolina nas chamas. Isso não significa tapar com bandêide a ferida que lhe fizeram nesta quinta-feira em Juiz de Fora (MG), mas chamar as autoridades policiais à responsabilidade e os demais políticos à consciência.  E tocar a campanha, seguir na sua trajetória e, se for da democracia, traduzida pela vontade de povo, ganhar ou perder a eleição.

Esta é a minha segunda preocupação, que esse episódio desencadeie outros, estimule outros loucos a agir parecido. Seja contra quem for, estaremos todos sendo feridos e a democracia pode cair morta. O Brasil não é um país qualquer. Estou cansado de ver o quanto nos depreciamos, ao depreciar a política e os políticos todos, de forma igual e, como se pôde ver com a prisão de Lula e com a facada em Bolsonaro, a alguns com mais ênfase e violência.

Mas, salvos a democracia, temporariamente, e Bolsonaro dos riscos decorrentes da facada, vejo-o saindo do hospital direto para o segundo turno. Um episódio desse em um Brasil de comoções, emotivo e pouco ponderado, pode levar até a uma eleição inesperada no primeiro turno. Mas, não sendo Jair Bolsonaro o meu candidato, espero que a facada nele não se transforme em um punhalada na minha esperança de uma eleição baseada em critérios de competência, preparo, interesse pelo resgate das conquistas sociais e respeito pelas diferenças entre as pessoas e por suas escolhas.

ATUALIZAÇÃO: Segundo o UOL,  Bolsonaro foi levado para a Santa Casa de Juiz de Fora, que, por volta das 17h30, informou que “o paciente Jair Messias Bolsonaro deu entrada no hospital por volta das 15h40 com uma lesão por material perfurocortante na região do abdômen. Ele foi atendido na urgência, passou por um exame de ultrassonografia e agora está no centro cirúrgico”.

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