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Administração Pública Transporte Coletivo

De indesejada a salvadora: Cidade Verde colocará mais 10 ônibus novos para atender emergência decretada pela prefeitura

O leitor que só tivesse acessado os blogs locais no final de junho deste ano não entenderia a reviravolta que se deu no sistema de transporte público de Vitória da Conquista, diante da notícia, publicada no site da prefeitura de que, atendendo a solicitação da administração municipal, a empresa Cidade Verde colocará dez ônibus novos para operar nas linhas que eram da Viação Vitória, que deixou a cidade depois de comprovada incapacidade de cumprir as obrigações contratuais com o município e com os trabalhadores.

Desde o dia 30 de agosto a única empresa a operar em Conquista é a Cidade Verde, que assumiu as linhas que eram da Vitória, a pedido da prefeitura. E aí residiria a surpresa do leitor citado no início da matéria. Dias antes da instalação do anunciado caos no transporte coletivo, quando 74 ônibus da Vitória foram proibidos de circular, pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), por apresentarem riscos de segurança aos passageiros, a Cidade Verde estava com os dias contados na cidade. Sua saída era dada como certa pela justiça e pela prefeitura.

Esta passou a ser a perspectiva da empresa em razão de decisão do juiz Ricardo Frederico Campos, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Vitória da Conquista, que no dia 31 de maio determinou, liminarmente, o cancelamento da outorga do lote 2 da Concorrência Pública 004/2011 (transporte coletivo), vencido pela Viação Cidade Verde,  por considerar que foi lesiva ao Município e determinou que a prefeitura realize nova licitação em 180 dias. O prazo de 180 dias, aliás, acaba no final de novembro.

No dia 29 de junho, o prefeito Herzem Gusmão assinou decreto determinando ao Secretário Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) que desse início ao processo para a realização de nova licitação para sibstituir a Cidade Verde “em cumprimento à sentença judicial, em anexo, nos autos da Ação Popular 0501761-94.2013.8.05.0274, pela qual ficou desconstituída a contratação por nulidade absoluta.” Era a oficialização do processo de saída da empresa verde, que nunca teve a simpatia do atual governo municipal, que anunciou várias vezes, publicamente, sua predileção para Viação Vitória, apesar de já ter encontrado um processo de caducidade contra ela, por descumprimento do edital.

Mas, a história começou a mudar na madrugada do dia 17 de julho. Por determinação do prefeito Herzem Gusmão, diante de frequentes acidentes envolvendo ônibus da empresa, colocando em risco passageiros, ptofissionais da empresa, motoristas de outros carros e transentes, a Semob realizou uma operação especial de fiscalização na garagem da Viação Vitória e lacrou ou 92% da frota, que ficou apenas com cinco ônibus circulando. Várias linhas ficaram sem assistência, filas se formaram nos pontos, os carros andavam lotados, as vans acabaram virando opção compulsória e a situação se estabeleceu no sistema.

nibus novos
Novos ônibus que devem ser incorporado às linhas em novembro

Depois de conversar com várias empresas, que se recusaram a assumir a emergência de substituir a Vitória, em razão da precariedade do contrato, com poucas garantias para o alto investimento que teriam que fazer, a prefeitura buscou a Cidade Verde, que passou de quase defenestrada para salvadora do sistema. Desde então, a empresa vem aumentado a frota que atende à emergência decretada pelo prefeito. De negociação em negociação, os dois lados, administração municipal e empresários, vêm dando solução a problema, que ainda está longe de ser considerado definitivamente resolvido. Atualmente, para atender aos dois lotes do sistema, a Cidade Verde tem 137 veículos, sendo 55 nas linhas que eram da Vitória. Outros 10 ônibus, todos zero quilômetro, chegaram domingo (30) e já estão sendo preparados para começar a rodar até o fim de novembro.

nibus sendo preparado
Os ônibus estão sendo preparados para fazer parte da frota

Segundo o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Ivan Cordeiro as linhas estão sendo reestruturadas para melhor atender a dinâmica social. “Desde o início da gestão, o prefeito está preocupado com a melhoria do transporte público. A chegada desses ônibus vai melhorar bastante o serviço em Conquista”, acredita Ivan.

De acordo com a empresa, cada ônibus custa em média R$ 400 mil, perfazendo um investimento de R$ 4 milhões. Segundo o gerente da Cidade Verde, Sérgio Hubner, a aquisição de ônibus novos representa uma demonstração de reciprocidade da empresa à confiança da população e são resultado da bom diálogo com a prefeitura. Ante às duas possibilidades decorrentes da questões legais (a decisão judicial contra a empresa, que ainda vigora, tendo a prefeitura iniciado o processo licitatório para substituir a própria Cidade Verde, e a realidade da emergência, que tem prazo legal de seis meses para terminar), a empresa já considera que a frota adquirida para atender à emergência poderá ser distribuída para outras empresas do grupo.

APROVEITAMENTO DOS TRABALHADORES

A Cidade Verde atende às demandas apresentadas pela prefeitura em duas frentes. Além de comprar e dispinilibilizar novos ônibus para suprir a saída da Viação Vitória, ainda atendeu solicitação feita pelo governo municipal e contratou grande parte dos trabalhadores da outra empresa. De acordo o gerente de operações, Geovanino Jorge Nogueira, a Cidade Verde já contratou 256 funcionários e espera selecionar mais 75.

Desde o dia 24 de setembro, motoristas e cobradores contratados pela empresa passam por treinamento. Na tarde de segunda-feira (1º), antigos funcionários da Vitória recebiam treinamento para assumir suas vagas na nova empresa, uma turma. “Fazemos um trabalho voltado para o transporte público, preparando o motorista e o cobrador, cumprindo assim as exigências do edital de licitação”, explicou o instrutor Elionardo de Almeida.

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