Anúncios
Educação Eleições Política Sociedade

Uesb emite nota de repúdio a agressão sofrida por professora. Agressor seria eleitor de Jair Bolsonaro

A Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb) manifestou-se nesta segunda-feira (15) em nota em que homenageia os professores pela passagem do seu dia e em repúdio a agressões reportadas por uma das docentes da instituição, Marília Flores Seixas de Oliveira, que, no domingo da eleição de primeiro turno (7) foi agredida por um homem, que estaria embriagado, por motivação política. Segundo contou a professora em seu perfil no Facebook, a agressão se deu no prédio em que ela mora, logo após a votação. Uma amiga dela chegou com a filha pequena, as duas usando adesivo com o número 13, de Fernando Haddad, provocando a reação violenta por parte da pessoa, que visitava um vizinho da professora.

“Gente, fui agredida em meu prédio, por um bolzonazi convidado do meu vizinho do segundo andar, que, bêbado, ao portão, não suportou ver chegar em meu próprio portão a minha amiga com o neto dela, de 3 anos de idade, para uma visita pós votação, porque ambos estavam com o adesivo 13. Fui empurrada, agredida verbalmente, e a agressão continuou… o babado foi forte, meu lábio abriu, sangue desceu… mas maiores são os poderes de Deus”, postou Marília. A postagem teve 50 compartilhamentos e cerca de 150 comentários. A professora prestou queixa policial e foi submetida a exame de corpo de delito.

Na semana passada, a direção do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH), no qual Marília Seixas é lotada, e da Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) também se manifestaram em solidariedade em protesto contra a violência sofrida pela professora. O BLOG tentou fazer contato com Marília (via Messenger) para obter mais informações sobre o desdobramento do caso – que é um entre dezenas de exemplos de violência registrados nestas eleições -, mas não conseguiu até oencerramento desta matéria .

Leia a nota da Uesb na íntegra.

“Na última semana, a professora Marília Flores Seixas de Oliveira foi alvo de violentas agressões verbais e físicas, que obrigaram a realização de exame de corpo de delito em unidade policial. O gatilho que detonou a fúria agressora do envolvido foi adesivos, com indicativos de apoio a um candidato à presidência da República, ostentados por duas pessoas que estavam em companhia da professora.

A agressão sofrida pela professora já foi alvo de manifestações de repúdio por parte da Direção do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH) e da Associação dos Docentes da Uesb (Adusb). Da mesma forma que essas entidades, a Reitoria da Universidade entende que não podemos aceitar como normais movimentos e atitudes que recorrem à agressão e à violência para silenciar os diferentes – diferentes por suas convicções políticas, por sua cor, por sua origem social, por sua orientação sexual, por seu gênero, por sua identidade étnica.

Marília Flores Seixas de Oliveira é professora do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Uesb, doutora em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília e, atualmente, desenvolve curso de pós-doutorado junto à Universidade Federal da Bahia. É professora de diferentes disciplinas vinculadas à área de Antropologia Cultural e docente permanente do Programa de Mestrado em Letras: Cultura: Educação e Linguagem. Foi orientadora de – e continua orientando – dezenas de trabalhos de iniciação científica, de monografias, de especialização e de dissertações de mestrado em nossa Universidade.

A Uesb não admite, em seus ambientes próprios, condutas discriminatórias e antidemocráticas. E se permite, também, defender para a sociedade projetos de organização coletiva baseados na valorização da diversidade, da dignidade e da humanidade.

Hoje, dia 15 de outubro, é Dia do Professor. Em homenagem à professora Marília e a todos os docentes e todas as docentes da Uesb, lembramos que, como dizem, lugar de professor é na sala de aula. Mas lugar de professor é também no laboratório, nos comitês de pesquisa, de extensão, de ensino; nos grupos de pesquisa; nas coordenações de curso; nas reuniões com os estudantes e com os servidores técnicos; nas direções dos departamentos, nas plenárias debatendo e discutindo os caminhos da universidade pública.

Lugar de professor é também nas ruas, defendendo seus direitos de cidadania e defendendo os direitos de todos à cidadania.

Na Uesb, lugar de professor é na sala de aula e em todo lugar em que se produz saberes em nome da utopia de um mundo melhor. Lugar de professor é lugar do presente e do futuro. Da realidade e do sonho. Do saber e do fazer.

Por isso, nossas homenagens aos professores e professoras da Uesb, e, em especial, à professora Marília Flores Seixas de Oliveira.”

Contra a violência politica
O clima de ódio e a violência na eleição brasileira são motivos de preocupação também no exterior
Anúncios

0 comentário em “Uesb emite nota de repúdio a agressão sofrida por professora. Agressor seria eleitor de Jair Bolsonaro

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: