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Imprensa

Para quem pensa que é fácil fazer este blog ser um blog como as pessoas nesta cidade querem que seja um blog

Eu não sei o que os meus colegas que trabalham com imprensa em Vitória da Conquista, os que mantêm blogs jornalísticos, em especial, fazem para ter acesso a informações que órgãos públicos ou empresas privadas detêm. Como é que eles chegam aos dirigentes, como conseguem entrevistas, uma declaração, um dado a mais que pode fazer diferença no trabalho. E quando falo conseguir, estou também me referindo a prazo, agilidade na resposta, porque fundamental para o trabalho jornalístico.

Sim, eu sei que muita coisa chega como releases, escritos em estilo como se o veículo que o publicar fosse parte do projeto, da festa, do evento, qualquer que seja. Os textos costumam chegar cabotinos, “não há nada que supere”, “foi uma maravilha”. Publico quase todos os que chegam, mas adéquo-os, acrescento algo que me venha de uma pesquisa ou do meu conhecimento, refaço alguns totalmente, mas, sempre será mais importante ouvir as fontes. Porém, nem sempre é fácil.

Meu blog é o mais pobre da cidade. Não tem um anúncio sequer, a não ser os que eu deixo aqui para marcar presença, ou o da Pietri Pizzeria Artigianale, porque é uma permuta fraternal. Assim, o custo de uma reportagem é impeditivo para mim. Mas, eu tento fazer contatos por WhatsApp, e-mail; tento marcar entrevistas. Mas, gente, deve ser porque o meu blog não tem mais de um milhão de visualizações e aquelas dezenas de anúncios em que nem todo mundo repara, envolvendo as dezenas de notas (não se pode chamar de matéria, ainda menos de reportagem) sobre mortes, acidentes, suicídios, desaparecimentos, quer tenham acontecido em Vitória da Conquista, São Paulo ou na China.

Mas, o fato é que tem empresa e instituição que não dão a menor trela para o meu blog. Mesmo que ele tenha milhares de leitores. Não são milhões e nem é o blog especializado em informar “cancelamentos de CPF” – entendedores entenderão -, obituários, cavalinhos soltos na rua… E eu digo sem qualquer falsidade: eu entendo. E aos poucos eu vou me adaptando. Também publico assuntos policiais. Um pouco diferente, com mais jornalismo, além dos tiros e do corpo estendido no chão. É o meu velho jeito, de quem ainda está aprendendo a escrever e a fazer jornalismo há 40 anos e um mês.

Só fica difícil entender é por que algumas autoridades, servidores públicos e gente que tem informação importante, e que é tratada como importante por mim, demora tanto para marcar uma simples entrevista ou enviar poucos dados que podem ajudar todo mundo, inclusive eles, suas empresas, suas marcas e suas instituições. Claro que há aqueles de quem eu não tenho a mínima queixa. E estes, se estiverem lendo este artigo ou dele forem avisados, sabem de quem estou falando.

Porém, confesso, que é quase sempre desestimulante trabalhar “de graça”, colocando o máximo possível de meu esforço de reportagem, de escrita (às vezes, pela necessidade de postar a tempo de valer como notícia, acabam passando erros de digitação, até que a minha “revisora” leia depois de postado). Temo o dia em que o BLOG DE GIORLANDO LIMA esteja publicando – como quase todos os outros – textos copiados dos demais blogs ou reproduzindo releases ipsis litteris para que toda hora tenha algo no blog, no estilo que esperam e preferem as pessoas que dão entrevistas e – falando de negócios – anunciam em blogs.

20181105_184310Mas, ainda há tempo. Até lá, vou insistindo: magnífico reitor, a entrevista. Excelentíssimo prefeito, a entrevista. Meritíssimo juiz, mais informação. Senhora promotora, a nota. Senhor vereador, sua manifestação. Caros assessores, dados. Não é para mim, é para os senhores e senhoras leitoras. E ainda lhes servirá, garanto. Obrigado.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

2 comentários em “Para quem pensa que é fácil fazer este blog ser um blog como as pessoas nesta cidade querem que seja um blog

  1. Que bom saber que podemos ser solidários na indignação e continuar tendo em quem nos espelhar para continuar teimando na tarefa de fazer jornalismo, mesmo de graça, de verdade. Que o Deus da nossa fé nos dê força para que a tentação da prostituição continue passando longe de nós. Se me permite, mestre Giorlando, gostaria de também subscrever o “desabafo”.

    • Caríssimo Luiz, eu vivo a me perguntar de onde você tirar energia e confiança para manter o jornal. E olhe que não é um jornal qualquer, é um jornal muito bom. Nossa vizinhança é rara, mas é cara. Um forte abraço.

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