Decisão da Coopmac de cancelar exposição agropecuária do ano que vem movimenta políticos

Além do prefeito Herzem Gusmão, que ligou de Brasília várias vezes, o governador Rui Costa também teria demonstrado interesse em ajudar para que o evento não deixe de acontecer. Segundo o presidente da Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac), se tiver patrocínio, a exposição volta no segundo semestre de 2019. Caso contrário, só em 2020. “No tamanho e na dimensão do evento deste ano, a Coopmac não tem mais como fazer correndo risco de prejuízo”.

Considerada um evento que vai além dos negócios de compra e venda de animais, mas uma oportunidade de movimentação da economia regional e opção de lazer e diversão para os moradores da cidade, a exposição agropecuária de Vitória da Conquista não vai mais acontecer em abril do ano que vem, como estava previsto. A decisão foi tomada pela Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac) na segunda-feira (26). A principal razão seria o alto custo do evento que não tem obtido o mesmo apoio financeiro de anos anteriores.

Segundo o presidente, Jaymilton Gusmão Filho, a Coopmac vinha realizando as últimas exposições com risco de perder dinheiro, o que, segundo ele, não é concebível para uma empresa privada como é a cooperativa. “A última exposição fechou com R$ 30 mil de resultado e se tivesse chovido, como em 2017, o prejuízo teria sido de R$ 200 mil”, disse ao BLOG. Jaymilton não coloca a culpa pelas dificuldades da exposição nos governos estadual ou municipal, “a culpa é da conjuntura, não dos entes governamentais”, explicou, reconhecendo que há um desaquecimento do segmento.

Mas, mesmo tirando a responsabilidade dos governos, o presidente da Coopmac se queixa que o apoio deles tem sido cada vez menor. Até mesmo uma emenda parlamentar no valor de R$ 70 mil que deveria ter sido liberada no ano não foi repassada pelo governo do Estado. Já a prefeitura municipal sempre teve apoio logístico, nunca entrou com dinheiro, diretamente, entretanto, de acordo com a Coopmac, a participação poderia ser maior, incluindo o repasse de patrocínio financeiro.

MOBILIZAÇÃO

Jaymilton Gusmão está em Salvador, onde ficará até sábado. A agenda na capital baiana inclui reuniões com secretários estaduais, deputados e lideranças do agronegócio. Repercutiu como uma bomba na política e no setor produtivo a notícia de que Vitória da Conquista pode não ter exposição agropecuária, uma das mais tradicionais da Bahia, com 52 anos. O prefeito Herzem Gusmão ligou várias vezes para Jaymilton, para discutir possíveis formas de viabilizar o evento do ano que vem. Herzem disse à imprensa que iria solicitar verba federal diretamente do presidente Michel Temer, com quem teve audiência na tarde desta quarta-feira.

Alguns dos deputados que representam o município também já se manifestaram. E no âmbito do governo do Estado, uma fonte ligada ao governador disse ao BLOG que até Rui Costa demonstrou interesse em reverter a situação. Conversa nesse sentido deve ser mantida entre Jaymilton e a secretária de Agricultura, Andrea Almeida Mendonça, e com o secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues. “Vamos conversar, se der a gente faz a exposição no segundo semestre”.

Mas, para ter a exposição em 2019, precisa de dinheiro. Não é apenas uma questão de boa vontade. “A exposição, no formato que conhecemos, é muito cara”, diz Jaymilton. Ele diz que a Coopmac reconhece que a exposição agropecuária é um evento tradicional, de 52 anos, incorporado ao calendário da cidade, que todo mundo espera, mas que a entidade realizar ela sozinha. “Sei que pode não ser obrigação nem do Estado nem do Município, com certeza também não é da Coopmac. Pode ser das outras entidades, do Sindicato Rural, da minha associação de criadores de cavalo, que pode fazer um evento na fazenda ou até no parque de exposições, mas não da Coopmac”, foi categórico.

Jaymilton Gusmão Filho diz que a possibilidade de não ter exposição já estava anunciado. “Já tem dois anos a gente conversando e deixamos muito claro, no ano passado, para os entes, o estadual e o municipal, que se não existisse o apoio a gente iria recuar. As pessoas achavam que era um blefe – e não era. A gente não precisa blefar; a gente não precisa realizar a exposição.  Eu posso falar, porque se tem alguém que cria cavalo e gado e participa da exposição e que ganha dinheiro com a exposição, sou eu. Eu sei da importância que é a exposição para o meu negócio, mas, como presidente da cooperativa eu não vou ser maluco de fazer uma exposição com a mesma estrutura, com a mesma dimensão da que foi feita este ano, sem contar com patrocínio. Aí eu seria um erro gigantesco contra a Coopmac”.

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Jaymilton; “Eu ganho com a exposição, na condição de criador de animais, mas como presidente de cooperativa não posso cometer a irresponsabilildade de fazer um evento que pode dar prejuízo ao associado”.

HORA DE REFLETIR

O cancelamento do evento de 2019, nas palavras de Jaymilton, é uma decisão que vai fazer as lideranças da cidade e do estado com ligação com Vitória da Conquista pensarem. “É um momento para a cidade refletir e saber se quer ou não quer; se o agronegócio quer a exposição. Daqui a pouco se descobre que a exposição é mais um problema do que uma solução para o setor primário. Eu estou dando várias entrevistas em que eu digo que este é um momento de reflexão, para que as pessoas vejam [se a exposição é importante]. Se você perguntar se é obrigação do prefeito fazer exposição, digo que nem sei se é. Nem sei se é do Estado ou do setor do agronegócio. Sei que é uma tradição, que vai fazer 52 anos, mas a gente não pode absorver esse ônus sozinho.”

O presidente pede ao BLOG que não deixe de colocar que quando ele se refere ao pouco apoio financeiro recebido não está falando apenas de prefeitura e governo do Estado. De acordo ele, outros entres, como os bancos públicos, também reduziram sua participação. “Como no caso dos governos, não quero dizer que tenham culpa ou que seja responsabilidade deles fazerem a exposição, o que a gente quer saber é se interessa para esses entes que o evento continue, porque a gente sabe que a parceria sempre foi importante para os dois lados”.

Se a reflexão que a decisão que a gente tomou levar à conclusão de que a exposição de Vitória da Conquista deve continuar a acontecer, que o evento é importante para a economia e para a cidade, como opção para moradores e visitantes, é provável que ela aconteça no segundo semestre. “No primeiro semestre do ano que vem é impossível fazer. Se tudo correr bem e tiver dinheiro a gente faz no segundo semestre, se não, toca para 2020 e vê o que a cidade quer. A gente sabe que festa é bom demais, agora quando é só um para pagar, é complicado”, ressalta Jaymilton.

Mosaico exposição

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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