Anúncios
Comércio Economia

Conquista: shopping quase vazio (de lojas e consumidores) é sinal de perda de força econômica? O debate está aberto

O Boulevard Shopping era uma ideia antiga. Antes mesmo de ser construído o Conquista Sul ele já era previsto para aquela área. Há mais de 15 anos se dizia que a Avenida Olívia Flores ganharia um “shopping Iguatemi”. A ideia amadureceu, foi confirmada em 2012 e no início de 2013 o terreno foi cercado e surgiu a primeira placa de obra. Como todo projeto de empreendimento novo, perguntava-se se Vitória da Conquista teria tamanho para dois shoppings centers. Como se viu, a resposta foi positiva. Havia, na época, uma expectativa de que, mais do que uma economia interna forte, a região pudesse continuar fortalecendo o comércio conquistense e a cidade continuasse atraindo gente de várias partes por causa das ofertas na área de educação superior e de saúde.

Nos cinco anos de construção do shopping – que é parte de um projeto maior, com complexo de prédios residenciais e de serviços no seu entorno – várias datas foram anunciadas para que entrasse em operação. As mudanças na economia brasileira, com reflexos regionais, no entanto, atrasaram a inauguração do empreendimento. Até que, no final de abril deste ano, por força de contratos e diante de um possível desgaste da marca e do projeto, o Boulevard Shopping foi aberto, com pouco mais de 30% do número de lojas previsto. Algumas que estavam anunciadas poucas semanas antes da inauguração não abriram, outras estão ainda em fase de instalação.

O fato é que, seis anos depois da confirmação do projeto, com tão poucas lojas funcionando e com público reduzidíssimo, o Boulevard provoca a pergunta: o potencial econômico de Vitória da Conquista foi superestimado? Itabuna tem um shopping – que tem uma ampliação prevista para 2019. É certo que a população de Itabuna é 40% menor e sedia uma região menos populosa, mas o Jequitibá Shopping faz as suas contas incluindo Ilhéus. Por lá nem se fala em mais um shopping. O BLOG não tem condição de fazer qualquer afirmação. O que se pretende é questionar e, de alguma forma, lamentar.

Estivemos no Boulevard na quarta-feira. Compramos lá. E conversamos com trabalhadores de lojas. Disseram que o movimento é muito pequeno durante a semana e que aumenta no fim de semana. Mas, nem sempre o movimento de sábados e domingos corresponde a vendas. A espaçosa e muito bonita praça de alimentação esteve quase vazia no período de uma hora que passamos no local. A partir do espaço onde ficam os restaurantes e lanchonetes pode-se apreciar a beleza do projeto. Há um mezanino externo ainda não utilizado e no outro extremo a visão do primeiro piso, onde estão as lojas já abertas.

20181205_164739
No segundo piso só a praça de alimentação e entretenimento, incluindo o confortabilíssimo cinema.

BELEZA

Que nos perdoe o pessoal do Conquista Sul, mas o Boulevard, visualmente, é imensamente mais interessante. A circulação também é melhor. É até um passeio muito mais interessante. Pena que não esteja sendo atraente como centro comercial. O mix de lojas, ainda incompleto, limita as opções e isso faz com que quem vai lá não se sinta estimulado a voltar e quem ainda não foi nem querer arriscar, por saber que o outro shopping tem as mesmas lojas âncoras e mega stores, mais dezenas de opções. E ainda há a sensação de que o Boulevard é mais caro, com o jeito da área do terceiro piso do Shopping da Bahia, que já foi Iguatemi, projetada para ricos.

Apesar de tantos aspectos positivos, beleza, espaço de circulação, há pouquíssimos espaços comerciais ocupados. Alguns avisos de lojas que vão abrir. As abertas, vazias. O estacionamento livre (o outro está ocupado pelo circo Maximus) com quase todas as vagas livres. E dizem que essa é uma imagem quase constante. Até quando vão aguentar as empresas que não são âncoras, mega stores ou marcas nacionais?

O Boulevard apareceu como uma marca do desenvolvimento de Vitória da Conquista, da força econômica do município e do potencial de consumo da região. Tantos anos depois de projetado e pouco mais de oito meses aberto, o shopping ainda é um símbolo forte, mas, assim como as centenas de unidades residenciais vazias no bairro Candeias, aguardando comprador, provoca questões: Vitória da Conquista perde força? Perde o charme? Qual a expectativa de sair dessa fase crítica? Quanto disso tem a ver com a crise nacional, que permanece? Tem a ver com governos? O BLOG está redondamente enganado e o avião da economia conquistense e regional continua alçando voo, com perspectiva de ir mais longe, logo que o aeroporto estiver operando, ou vai continuar dando voltas, com o trem de pouso acionado?

Com a palavra, se quiserem, o shopping, a CDL, o Movimento Pró-Conquistas e a Secretaria de Trabalho, Renda e Desenvolvimento Econômico.

20181205_170028

Anúncios

2 comentários em “Conquista: shopping quase vazio (de lojas e consumidores) é sinal de perda de força econômica? O debate está aberto

  1. Já se parou para pensar no preço cobrado do aluguel de um ponto no shopping. O conquista sul é mais atrativo pq tem lojas. O boulevard nem loja tem. O público de conquista vai procurar o que em um shopping que anotem nada.

    • Obrigado por comentar, Adriano. É uma situação interessante mesmo. Quem está pagando sem vender fica em uma condição difícil para continuar. Só o tempo vai dizer se vai estourar de sucesso. Abraço.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: