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Eleições Política

Campanha: Lúcia Rocha e Waldenor não gastaram quase nada do dinheiro deles. Usaram mais recursos públicos

O BLOG fez uma pesquisa no Sistema de Divulgação de Candidaturas e de Prestação de Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para ver o que informou cada um dos candidatos que foram mais atuantes em Vitória da Conquista na campanha eleitoral deste ano. Levantou quanto cada um arrecadou e gastou e destes valores quanto saiu do bolso do próprio candidato.

Lúcia Rocha (DEM) botou o carro dela na campanha e lançou o aluguel como investimento próprio. O valor: R$ 1.800,00, ou 0,60% do total de gastos da candidata. Oficialmente, nem um centavo a mais. Waldenor Pereira (PT) gastou apenas R$ 700,00 de recursos próprios, ou ínfimos 0,071% das despesas que ele teve para se reeleger.  Os dois foram os que menos recursos financeiros pessoais investiram nas próprias campanhas.

Dos candidatos locais, Waldenor foi quem mais teve dinheiro público para gastar, entre os federais, com R$ 920.884,00. Pelos estaduais foi Gilmar Ferraz (MDB), com R$ 400.000,00. Quem mais botou dinheiro próprio na campanha, entre os candidatos de Vitória da Conqusta, foram: em termos proporcionais, David Salomão, com 71,68%; em termos absolutos, Fabrício Falcão, com R$ 236.000,00. Tudo isso está no site do TSE.

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No dia 18 de setembro, pouco mais de duas semanas antes do primeiro turno das eleições, em matéria com o título “Você paga a conta. Deputados usam 92% de dinheiro público e menos de 3% de recursos próprios nas campanhas”, o BLOG chamava a atenção para o fato de que os recursos públicos para financiamento de campanha eram liberados, preferencialmente e em maior volume, para os candidatos a deputado que já tinham mandato ou os preferidos de cada partido. Mais: mostrava que quase nenhum dinheiro do próprio bolso daqueles candidatos seria usado na eleição, financiada, no caso dos medalhões de cada partido, por recursos públicos do Fundo Partidário (FP) e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Essa informação, mais o histórico patrimonial dos mesmos candidatos, a evolução de seus bens, deveriam servir para basear a decisão do eleitor na hora de escolher em quem votar. Pode parecer insignificante, mas não é, pois, afinal, quem paga a conta das campanhas e garante a eleição de cada candidato é o eleitor. Sempre cabe a pergunta: como é que um político disputa seguidas eleições, com gastos altíssimos, e a cada ano seu patrimônio cresce? (Leia aqui matéria sobre as declarações de bens de políticos conquistenses).

Passadas as eleições e os prazos para prestação de contas das candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o BLOG voltou a consultar os dados oficiais do tribunal, para saber quanto gastaram os candidatos a deputado estadual e federal com campanha em Vitória da Conquista e quanto dessa despesa foi paga com recursos financeiros dos próprios candidatos, o que cada um colocou dos próprios bolsos. Há casos marcantes, até curiosos.

QUEM MENOS GASTOU

Lúcia Rocha
Lúcia Rocha

Para começar, vamos ao caso curioso, o que não significa ilegal ou incomum. A candidata a deputada estadual Lúcia Rocha, que é vereadora e na eleição teve 14,54% ou 23.090 dos votos conquistenses, informou que colocou R$ 1.800,00 na campanha dela, mas não foi dinheiro. A vereadora incluiu na sua prestação de contas, como contribuição de campanha, o próprio carro. O valor informado corresponde a 0,58% de tudo o que ela arrecadou e a 0,60% dos R$ 300.993,65 do total de gastos. O maior doador para a campanha de Lúcia Rocha foi o partido Democratas, com R$ 300.000,00, que bancou 99,67% das despesas. Ela foi, dentre os candidatos a deputado estadual mais destacados no município, quem colocou menos recursos próprios na campanha. Em todo o estado, Lúcia obteve 26.130 votos e ficou em uma suplência.

Waldenor Pereira dep
Waldenor Pereira

Fora os candidatos que disseram não ter colocado dinheiro pessoal na campanha, Lúcia só não usou menos recursos próprios do que Waldenor Pereira. E merece boa análise a prestação de contas do deputado federal petista, que foi reeleito para seu terceiro mandato com 121.278 votos, dos quais 33.881 ou 21,52% em Vitória da Conquista. Waldenor foi o candidato do PT baiano que mais recebeu verbas públicas para a sua campanha: R$ 920.884,00 do Fundo Especial de Financiamento, que foi criado pelos deputados em 2017. Waldenor informou ao TSE que gastou R$ 982.476,12 para se reeleger. Já o valor arrecadado, segundo o site do tribunal, foi R$ 948.676,18. Desse total apenas R$ 700,00 sairam do bolso do deputado, meros 0,073% de tudo o que recebeu e somente 0,071% do que gastou. Waldenor foi quem menos gastou do próprio dinheiro na campanha, em termos percentuais e absolutos.

QUEM MAIS GASTOU

Quem mais usou do próprio dinheiro na campanha, entre os candidatos a deputado com participação mais ativa no município, foi Lúcio Vieira Lima, que não se reelegeu deputado federal e teve votação pífia no município (1.204 votos). Lúcio disse ter gastado R$ 760.100,00 de recursos particulares. Se somar o que foi informado como sendo dinheiro da mãe dele a conta sobe para R$ 955.000,00. Ele teve mais de R$ 1,5 milhão de recursos públicos.

Dep Fabrício Falcão
Fabrício Falcão

Fabrício Falcão aparece logo depois na lista. Ele disse ao TSE que investiu R$ 236.000,00 do bolso. Este valor equivale a 48,10% dos R$ 490.610,70 que ele gastou na campanha para se reeleger e a 44.37% de tudo o que arrecadou. Fabrício recebeu R$ 236.829,83 dos fundos partidário e eleitoral, repassados pelo PCdoB ou pelos deputados federais Daniel Almeida, Alice Portugal e Josias Gomes (PT).

QUEM MAIS ECONOMIZOU

José Raimundo Fontes 2
José Raimundo

O outro deputado estadual conquistense reeleito, José Raimundo Fontes, prestou contas ao TSE de gastos totais de R$ 116.862,80. Ele mesmo pagou quase metade (42,78%) das despesas, com R$ 50.000,00 que ele colocou na campanha, valor correspondente a 20,2% do que ele conseguiu arrecadar. José Raimundo teve R$ 108.514,00 de dinheiro público para se reeleger. Como a receita chegou a 247.465,89 e as despesas a R$ 116.862,80, o petista teve superávit de arrecadação no percentual de 52,77% (R$ 130.603,09), um recorde de dinheiro sobrando.

David Salomão 2
David Salomão

Em termos percentuais quem mais colocou do próprio dinheiro na campanha foi David Salomão, 71,68%. O vereador, que foi candidato a deputado federal, informou ao TSE ter gasto R$ 22.775,00, o mesmo valor que disse ter aplicado de seus recursos pessoais. A arrecadação, sem dinheiro de nenhum dos fundos eleitorais, foi maior: R$ 31.775,00. Salomão também foi o candidato com maior sobra percentual, 28,32%, entre os federais. Considerando o total de despesas informado por David Salomão, ele gastou um dos menores valores por voto obtido. Cada um dos seus 38.277 votos teria custado R$ 0,59, menos de 60 centavos. Em Vitória da Conquista ele teve 23.221 votos (14,75%).

BOLSO FECHADO

Alguns candidatos informaram ao TSE que não investiram recursos financeiros próprios em suas campanhas, a exemplo de Josias Gomes, Leur Lomanto Júnior e Ciano Filho. Josias e Leur venceram as eleições. Ciano teve apenas 5.039 votos. Leur e Josias receberam dinheiro público para a campanha. O primeiro R$ 500.000,00 e o segundo R$ 920.910,00. Outro candidato local a deputado federal, Marcelo Melo teve 13.630 votos em Vitória da Conquista e 19.751 no total, obtidos em uma campanha que gastou R$ 96.000,00, valor quase todo financiado por ele e pela família, que pagaram 76,56% das despesas. Sozinho, Marcelo não teve dinheiro público para sua campanha e colocou 14,06% (R$ 13.500,00). Uma curiosidade: Marcelo e outro candidato a deputado federal, Roberto Dias, fora os únicos entre os avaliados, cuja despesa correspondeu exatamente à arrecadação.

Ex-secretário municipal de Saúde e de vez em quando lembrado como nome para concorrer à prefeitura pelo PT, Jorge Solla, reeleito deputado federal, fez dobradinha com o estadual Marcelino Galo, ambos apoiados pelo ex-prefeito Guilherme Menezes. Solla disse ao TSE que gastou R$ 1.172.790,54 na campanha. Desse total ele assumiu sozinho R$ 185.000,00, ou 15,77%. Já Marcelino Galo informou gastos de R$ 179.134,44 e disse que ele mesmo pagou R$ 86.290,04 (47,17%). A arrecadação de Galo foi R$ 253.628,72, sendo R$ 52.000,00 de fundo partidário. Jorge Solla recebeu R$ 848.914,00 dos fundos especial e partidário, por meio do PT, do PR e da campanha de Rui Costa.

QUASE OS MESMOS VALORES

Também com domicílio eleitoral em outro município, mas com atuação eleitoral intensa em Vitória da Conquista, Alice Portugal e Daniel Almeida, ambos do PCdoB, com dobradinhas com Fabrício Falcão, gastaram quase as mesmas quantias para se reelegerem – R$ 1.661.480,08 e R$ 1.616.127,85, respectivamente. Alice investiu R$ 99.372,57 (5,98% das despesas) e Daniel contribuiu com 2,85% (R$ 48.000,00) com os gastos da campanha dele. Os dois, Alice Portugal e Daniel Almeida, receberam dinheiro público para suas reeleições também em valores muito próximos. A primeira teve R$ 1.448.438,23 dos dois fundos e o segundo R$ 1.494.398,94.

Vitória da Conquista teve mais quatro candidatos locais a deputado federal: Iporan Souto, Roberto Dias, Mozart Tanajura Jr e Sheila Lemos. Iporan informou que nada recebeu ou gastou; Roberto arrecadou R$ 20.000,00 do fundo partidário, enviado pelo PDT, e gastou os mesmos R$ 20.000,00. Candidato do PSOL, Mozart recebeu R$ 21.359,66, sendo R$ 20.000,00 do partido, e gastou R$ 21.359,66, dos quais R$ 1.500,00 ele pagou do bolso. Já Sheila gastou R$ 187.413,40, destes R$ 17.900,00 de seus próprios recursos. Ela arrecadou R$ R$ 200.512,20, dos quais R$ 170.000,00 do fundo partidário.

ESTADUAIS

Mais votado em Vitória da Conquista entre os candidatos a deputado estadual locais não eleitos, o médico João Aragão arrecadou R$ 118.850,00, sendo 72,86% desse dinheiro oriundo do Fundo Partidário, repassado pelos deputados federais Cláudio Cajado (R$ 80.000,00) e Jorge Solla (R$ 6.600,00). Aragão gastou das finanças dele R$ 3.100,00, ou 2,85% dos R$ 108.777,43 das despesas totais da campanha. Depois de Aragão, a melhor votação no município foi de Gilmar Ferraz. O candidato do MDB, em dobradinha com Lúcio Vieira Lima, recebeu R$ 400 mil do Fundo Partidário repassados pelo partido, de um total de R$ 461.693,00 arrecadados. Os gastou alcançaram R$ 445.515,65. Do bolso ele investiu R$ 19.031,00, ou 4,27% do total das despesas.

Esmeraldino Correia não recebeu dinheiro público para a campanha. A arrecadação total da candidatura foi R$ 85.750,25 e 81,63% foram repassados pelo candidato a deputado federal Leur Lomanto Jr.. Esmeraldino colocou R$ 11.500,00 do dele, equivalente 14,51% dos R$ 79.250,15 que ele informou ter gasto para chegar a 2.347 votos no município. Já Euvaldo Cotinguiba investiu de suas finanças pessoais R$ 5.100,00, valor correspondente a 73,91% dos R$ 6.900,00 que ele informou ter gasto. A arrecadação total foi R$ 8.500,00, sem recursos públicos e o candidato do PSOL teve 1.525 nas urnas locais.

POUCO DINHEIRO E POUCO VOTO

Na lista dos menos votados, com 636 votos em Conquista, Nelson Quadros Filho gastou R$ 8.890,00, segundo a prestação de contas no site do TSE. Pagou com recursos próprios R$ 6.000,00 que, segundo ele, foi o único dinheiro que entrou na campanha. Já o delegado Valdir Barbosa, que também concorreu a deputado estadual, conseguiu levantar R$ 27.372,00, sem dinheiro público. Como recursos dele, aparecem na prestação de contas R$ 472,00. As despesas somaram 27.371,40. Valdir teve 522 votos em Conquista.

Por último, com a menor votação (267) entre os estaduais com domicílio eleitoral em Vitória da Conquista, Clovis Ferraz informou ter gasto R$ 112.727,65, para uma arrecadação de R$ 123.638,61. Dele entraram R$ 12.905,61 (10,44%). O restante dos recursos veio dos fundos partidário e eleitoral, por meio do diretório estadual do PSD (80,88%) e da campanha de Rui Costa (8,21%), e de Otto Filho, candidato a deputado federal (0,47%).

Entre os candidatos de fora que tiveram um excelente desempenho no município nas eleições de outubro deste ano, o BLOG destaca o deputado estadual Marcell Moraes. Ele teve 9.277 votos em Vitória da Conquista. Marcell arrecadou R$ 171.500,00, sendo que R$ 55.000,00 vieram dos fundos partidário e eleitoral. Do próprio bolso ele colocou R$ 83.800,00 na campanha, ou 48,86% das receitas e a 50,95% dos R$ 164.463,20 que ele informou ao TSE como despesas.

 

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