Se Rui Costa tivesse ouvido Guilherme Menezes a polêmica da policlínica seria outra

Já dura quase dois anos a polêmica sobre a participação do município de Vitória da Conquista no consórcio que vai gerir a Policlínica Regional que está sendo construída pelo governo do Estado na cidade. O equipamento vai atender à população de 28 municípios da região (se Vitória da Conquista entrar), com consultas clínicas especializadas e exames gráficos e de imagem de alta complexidade. As obras seguem avançadas em terreno ao lado do Hospital Geral, mas Conquista ainda está fora. O prefeito Herzem Gusmão já disse que não está disposto a assinar o protocolo de intenções que oficializa a participação do município no consórcio.

Herzem apresentou várias razões para a sua resistência, incluindo motivações políticas – ele acha que a policlínica servirá a interesses do PT visando as eleições de 2020 – e financeiras – ele diz que Conquista já tem uma policlínica, o Centro Municipal de Atenção Especializada (Cemae), que atenderia 750 pessoas por dia e que os cerca de R$ 250 mil que a prefeitura teria que colocar na policlínica regional ele pode usar para melhorar o Cemae. No Blog da Resenha Geral (29/11), que publica em primeira mão as notícias relacionadas aos atos do prefeito, Herzem disse que “o tamanho da nossa adesão dependerá da capacidade instalada da Policlínica, e eficiência dos serviços que serão prestados”. Ao blog, o prefeito fez questão de destacar que a sua atenção está voltada para o Cemae “que considera ser a nossa verdadeira Policlínica Municipal”.

Guilherme Menezes (Foto: Giorlando Lima -15set2018)

Essa polêmica toda – que resvalou até para o lado pessoal, com o vazamento de uma conversa gravada em que o prefeito profere adjetivos ao referir-se ao gestor de Belo Campo, escolhido para dirigir o consórcio regional que administrará policlínica e à presidente do Conselho Municipal de Saúde, psicóloga Monalisa Barros – poderia ser evitada se o governador Rui Costa ouvisse o ex-prefeito Guilherme Menezes. Em 2016, o então prefeito de Vitória da Conquista achava que a policlínica deveria ser instalada em outra cidade e chegou a mencionar ao BLOG a vizinha Barra do Choça. Guilherme argumentou, entre outras razões, que isso geraria um incremento econômico e de desenvolvimento naquela cidade e desafogaria Vitória da Conquista, que participaria do empreendimento, sem, no entanto, sediá-lo.

Se o governador tivesse dado ouvidos à sugestão de Guilherme, hoje a polêmica poderia ser outra. Talvez, quem hoje reclama que a policlínica em Vitória da Conquista atende a interesses de Belo Campo e de eventuais adversários políticos do atual governo, estivesse reclamando que o governador teria desvalorizado a maior cidade da região, se a escolha para a sede da policlínica tivesse sido qualquer uma das outras 27 cidades que fazem parte do consórcio regional. O BLOG não sabe dizer se Guilherme estava certo em não querer a policlínica em Conquista, mas, ao pensar daquele jeito, o ex-prefeito parecia profetizar a confusão que hoje domina o assunto.

Naquele final de 2016, o que o Guilherme Menezes esperava que Rui Costa fizesse, ao que se sabe, o governador não fez: assumir o cofinanciamento do Hospital Municipal Esaú Matos. Na época, o ex-prefeito disse que “como ele [Rui Costa] comprometeu a palavra, eu tenho certeza que assim será, com o cofinanciamento no extrateto, porque o Esaú Matos atende para mais de 80 municípios da região e muita gente vem sem nenhuma pactuação. E isso é ainda para ser oficializado este ano. Porque não é justo o município bancar sozinho um atendimento tão grande. Então, como ele comprometeu a palavra, eu não tenho dúvida de que ele vai cumprir. Antigamente, os avós e bisavós nossos avalizaram a palavra com o fio do bigode, depois muita gente passou a avalizar com papel passado em cartório e reconhecida a firma, mas o governador não precisa disso”.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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