David Salomão também quer ser prefeito de Conquista e diz que não perde nem para Herzem nem para o PT

Vitória da Conquista já teve muito político polêmico. Politico que brigava na rua, brigava na Câmara de Vereadores, discutia com eleitor, ameaçava a imprensa, contestava autoridades e enfrentava até a polícia. Cada um com seus motivos e estilos. Os registros incluem políticos com problemas com a polícia e a com a justiça. David Salomão soma quase tudo isso. É agitado, destemido, abusado, diz desaforo e não leva desaforo para casa, fala muito, diz o que quer e isso já lhe custou a prisão e, pelo menos, uma expulsão, por força policial do Tribunal de Justiça da Bahia. Nos dois casos, Salomão se defende dizendo que brigava pelos direitos do povo ou da categoria de que fez parte – ele foi policial militar por nove anos.

A prisão fez Davi Salomão famoso, embora, para a maioria, uma fama negativa. Ele apareceu até no Jornal Nacional. Foi no dia 15 de fevereiro de 2012, por ordem da 2ª Vara Crime de Salvador. Conversas gravadas com autorização judicial flagraram Salomão, que era advogado e presidente da Centro de Assistência dos Policiais Militares e Associados (JUSPM) de Vitória da Conquista, dizendo que ia mandar tocar fogo em algumas viaturas e carretas na BR 116, como forma de pressionar o governo do Estado a aceitar as condições dos policiais militares baianos em greve que durou 12 dias. Nenhum carro foi queimado, mas Salomão ficou preso por 32 dias, até o dia 13 de março.

Naquele  ano ele teve 1.572 votos para vereador, mas seus votos não foram computados. Davi Salomão, pode ser difícil de acreditar, vendo suas posições políticas hoje, concorreu pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Mais recentemente, o vereador, que hoje está no PRTB, foi expulso do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), pelo presidente da corte, desembargador Gesivaldo Britto, depois de uma altercação com o procurador de Justiça. Salomão estava acompanhando a votação de uma ação contra a apreensão de veículos com dívida de IPVA, nas blitzes feitas pelo Estado. Isso foi no dia 14 de novembro, quando Davi Salomão desfrutava do sucesso, parcial, embora, da sua candidatura a deputado federal. Foi mais um motivo para aumentar os seguidores que ele conseguiu arrebanhar na sua briga contra o Estado, no caso do IPVA, e outras querelas institucionais que ele enfrentou com a garganta e a valentia que lhe parece ser uma marca.

Basta dar uma olhada nas refregas em que se ele se meteu para perceber que não foi só a defesa dos motoristas que não pagam o IPVA que deu a Salomão espetaculares 14,75% dos votos válidos em Vitória da Conquista, tendo sido o terceiro entre os dez mais votados. Para vereador ele obtivera meros 969 votos. Candidato a deputado ele chegou a 23.221 votos no município. E é nessa balaio de votos que ele quer ser candidato a prefeito. E, no seu estilo intrépido e vociferante, garante que vai ganhar. Os demais candidatos não terão qualquer chance, brada, seguro de que seu cacife eleitoral hoje é maior que no dia 6 de outubro.

Davi Salomão não é conquistense de origem. Nasceu em Alagoinhas, no dia 10 de julho de 1982. Mudou-se para Vitória da Conquista em 2003, destacado depois de passar em concurso da Polícia Militar. Nestes 15 anos já foi candidato a vereador em duas oportunidades e igual número de vezes concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados. Com 36 anos, é o mais novo dos pré-candidatos a prefeito de Conquista, que é o único lugar onde ele teria chance, tomando como base sua votação este ano. Na cidade onde nasceu, Salomão só teve 54 votos. Na região do Território Agreste Alagoinhas/Litoral Norte, que tem 22 municípios, a melhor votação dele foi em Esplanada, a 73 quilômetros de Alagoinhas, cerca de uma hora de carro.

Como Marcell Moraes, outro pré-candidato outsider, que tenta uma brecha entre o desgaste do governo municipal e a insistente – embora menor que em 2016 – rejeição ao PT, Salomão não encantou os eleitores de sua cidade natal e adjacências. Onde ele teve melhor desempenho, depois de Vitória da Conquista, foi em Itapetinga onde 1.039 ou 3,50% dos eleitores confiaram nele e em Jequié: 1.119 votos, 1,45%. Quase nada perto dos cerca de 15% dos votos dados à sua candidatura de deputado federal em Conquista, responsável por 61% dos 38.277 votos que Davi Salomão teve em todo o estado – pois ele conseguiu a incrível façanha de ter sido votado em cada um dos 417 municípios da Bahia! Mas, em nenhum ele teria a chance que acredita ter em Vitória da Conquista. Conta com a tribuna da Câmara de Vereadores, a fama de corajoso e muito espaço para polemizar.

Outdoor de Salomão com Bolsonaro (Foro: Blog do Rodrigo Ferraz, janeiro de 2018)

Mas, o que mais tem aparecido em favor de Salomão quando seguidores – e até adversários – avaliam suas chances? Um elemento externo (mas, nem tanto), chamado Jair Bolsonaro. Davi Salomão foi o primeiro a expor, efetivamente, seu apoio à candidatura do presidente eleito, que assume no dia 1º de janeiro. Foi xingado, multado, odiado e amado por isso. Juntou a bandeira do fim das blitzes do IPVA e outras brigas com a campanha pró-Bolsonaro, em pronunciamentos na tribuna da Câmara de Vereadores, outdoors e panfletos, sempre bem repercutidos nas redes sociais.

Se bem que, antes de Bolsonaro, o que ele defendia mesmo era a tomada do poder federal pelos militares. O mais provável é que ainda ache que isso é uma solução, mas apostou em Bolsonaro, por enquanto. A questão é: o futuro presidente aposta nele? Davi não é do PSL, partido de Bolsonaro. E não parece que a agremiação assuma o nome dele. Quando esteve em Conquista, a líder do partido na Bahia, deputada federal eleita, Dayane Pimentel, nem tocou no nome de Salomão. O PSL, aliás, ensaia outras pré-candidaturas, como a do piloto de avião Thiago Amaral Rangel, filho do candidato a senador pelo PSL na Bahia, Kleber Rangel.

Mas, isso não parece intimidá-lo. Para garantir a candidatura, no entanto, além de vencer resistências no grupo bolsonarista (entre os líderes partidários, porque entre os eleitores ele está bem) antes, Salomão terá que resolver pendência no Tribunal Regional Eleitoral, onde parecer contrário à aprovação de suas contas de campanha de deputado federal aguarda manifestação do vereador.

Salomão em campanha de vereador em 2012 (Foto: Blog do Anderson)

BLOG CONVERSOU COM DAVI SALOMÃO PELO WHATS APP. LEIA A ENTREVISTA. PERGUNTAS E RESPOSTAS NÃO FORAM EDITADAS

1. Pode me dizer o que o credencia a essa candidatura? A votação deste ano ou o mandato de vereador? Se ambos, em qual medida cada?
O artigo 1 ° parágrafo único da Constituição diz: Todo poder emana do povo…
O que me credencia é vontade popular, saio às ruas e as pessoas voluntariamente me legitimam ao cargo. Estamos desempenhando um mandato pautado na transparência e no respeito ao patrimônio público. A votação desse ano apenas comprova nossas afirmações, pois não comprei um único voto dos mais de 38 mil votos que obtive na última eleição.

2. Acredita ter experiência suficiente para administrar o terceiro maior município da Bahia?

Sou Advogado formado em uma das melhores Universidades Públicas desse País.
Garanto uma gestão melhor, mais dinâmica, mais Humana, mais eficiente e mais transparente do que a gestão de Zé Raimundo, Guilherme e Herzem. Conquista precisa de um prefeito Honesto e sensível as necessidades básicas da população. Se eu perder para esses eu vou ganhar de quem?

3. Sua candidatura fará oposição à do prefeito Herzem Gusmão? Ou negociará visando o segundo turno?
Não sou de negociatas ou aventuras. Nossa Candidatura é para decidir a Eleição ainda no Primeiro Turno.

4. Sua candidatura seria uma alternativa ao momento de impopularidade do prefeito e à rejeição ao PT? Qual dos dois seria adversário mais difícil e por quê?
Não vim para Vitória da Conquista por acaso. Em tudo nessa vida existe um propósito. A nossa missão é administrar o terceiro colégio eleitoral da Bahia com maestria. Quando você tem uma MISSÃO definida você não se preocupa com adversários. PMDB e PT representam a velha política. Se revezam no poder há décadas. Os considero farinha de um mesmo saco.

5. O que acha da candidatura do deputado Marcell Moraes?
Em Vitória da Conquista existe Homem para adminstrá-la. Não precisamos de mais aventureiros. Conquista merece mais.

AS DEZ MAIORES VOTAÇÕES NA ELEIÇÃO PARA DEPUTADOS EM VITÓRIA DA CONQUISTA

(CINCO FEDERAIS E CINCO ESTADUAIS)

ZÉ RAIMUNDO (PT) DEPUTADO ESTADUAL – 35.855 VOTOS (22,58%)
WALDENOR PEREIRA (PT) DEPUTADO FEDERAL – 33.381 (21,52%)
DAVID SALOMÃO (PRTB) DEPUTADO FEDERAL – 23.221 (14,75%)
LÚCIA ROCHA (DEM) DEPUTADA ESTADUAL – 23.090 (14,54%)
MARCELO MELO (PHS) DEPUTADO FEDERAL – 13.630 (8,66%)
FABRÍCIO FALCÃO (PCdoB) DEPUTADO ESTADUAL – 12.661 (7,97%)
MARCELL MORAES (PSDB) DEPUTADO ESTADUAL – 9.277 (5,84%)
JOÃO ARAGÃO (PTC) DEPUTADO ESTADUAL  7.693 (4,84%)
JORGE SOLLA (PT) DEPUTADO FEDERAL – 5.021 (3,19%)
SHEILA LEMOS (DEM) DEPUTADA FEDERAL – 4.525 (2,87%)

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

3 thoughts on “David Salomão também quer ser prefeito de Conquista e diz que não perde nem para Herzem nem para o PT

  1. Davi poderia mim passar o projeto q projeto de.lei q proibi aprender automoveis nos limites da cidade sou glauber de serrolandia pernambuco e aqui ta demais por favor meu zap 87 981103753

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