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Eleições Política

Faltam quase dois anos para a eleição de prefeito, mas em Vitória da Conquista já foi dada a largada

O ano nem bem começou e o assunto já está nos blogs: eleição de prefeito, que acontecerá somente no dia 4 de outubro de 2020. Na verdade, o tema começou a ser falado logo que terminaram as eleições de outubro do ano passado, depois de conhecidas as votações dos principais candidatos a deputado com militância política em Vitória da Conquista, quando alguns surpreenderam com grandes votações, a exemplo do vereador Davi Salomão. Estes entraram na fila de pré-candidatáveis automaticamente, embora possam até negar o interesse, como tem feito a vereadora Lúcia Rocha. A eleição de deputado colocou na cena até político que não sabe onde fica Inhobim ou Cachoeira das Araras, mas colocou o nome na lista.

Outros já são peças quase certas do xadrez eleitoral, pelo menos para a pré-campanha, na etapa das discussões partidárias e na mídia, a exemplo de não menos que dois nomes do PT. Os mais lembrados são os ex-prefeitos Guilherme Menezes e José Raimundo Fontes, se bem que já não são mais sussurros de corredores partidários, que o deputado federal Waldenor Pereira quer ter a chance dele.  E existem ainda os que aspiram ser candidatos, podem até ser, mas não mostraram bagagem eleitoral para uma jornada segura. Estes apostam, basicamente, com ligações com o partido do presidente Jair Bolsonaro ou com o próprio. Porém, o mais certo, por enquanto, é o nome do prefeito Herzem Gusmão.

O BLOG mencionará alguns nesta série de artigos e poderá deixar de falar em outros, pois se baseia no que lhe chega de informação. Se alguém ficar de fora da lista pode entrar depois, se quiser, bastando se apresentar. Será publicado um artigo por dia, avaliando um ou mais pré-candidatáveis, começando com uma avaliação da dita candidatura natural, que é a do prefeito.

O prefeito Herzem Gusmão já disse que vai buscar a reeleição. Tem gente apostando que ele não terá chance. Essa avaliação se baseia no notável desgaste da administração municipal e da imagem de Herzem. Os resultados ruins de pesquisas realizadas no ano passado, de conhecimento do próprio prefeito, indicaram que ele teria que tentar uma guinada na administração, mexendo na equipe e definindo metas e ações de impacto. Herzem parece ter deixado tudo para este ano. Concluiu 2018 com um balanço de realizações importantes, possibilitadas pelos recursos financeiros que encontrou na conta da prefeitura, e promete para 2019 investir R$ 45 milhões – de um empréstimo obtido na Caixa Econômica Federal – em pavimentação de bairros e localidades da zona rural, além da implantação do parque da cidade e projetos ambientais, incluindo a revitalização de alguns trechos do Rio Verruga, que corta a cidade.

Herzem, na diplomação, em 14‎ de ‎dezembro‎ de ‎2016.

Herzem sabe que os principais problemas da sua administração são os constantes conflitos com servidores e parte da imprensa e uma inexplicável tendência à polêmica, qualquer que seja o tamanho e a importância do tema. Os desgastes vêm daí e da ausência de boas respostas nos setores de transporte coletivo, educação – em que ainda não conseguiu avançar, apesar da parceria com a Fundação Leman – e saúde, onde as ações mais visíveis foram a instalação de uma clínica de fisioterapia e a mudança da sede da secretaria. Durante os primeiros dois anos, o governo enfrentou episódios desgastantes em vários setores, destacando-se a gravíssima crise no transporte público ainda não debelada e longe de ter final completamente feliz, e, mais recentemente, o caso da Policlínica Regional, da qual o prefeito se recusa a participar.

Para Herzem chegar forte em maio de 2020, mês em que a população costuma começar a se posicionar, precisa antes vencer o desgaste, baixar rejeição. Se o dinheiro da Caixa sair logo e virar obras ainda este ano, é muito provável que ele consiga. É insano desconhecer que, em 2016, além do fator PT (a rejeição dispensada ao partido com a Lava Jato e forte campanha da mídia e o desentendimento dentro do diretório municipal), a vitória de Herzem se deu também, e muito, pela força política que ele acumulou. Basta ver o crescimento eleitoral do mesmo desde a eleição de prefeito de 2008, quando ele enfrentou Guilherme Menezes e teve 43.159 votos; passando por 2012, com 63.130 votos no primeiro turno e 70.760 no segundo, de novo contra Guilherme; até 2016, quando obteve 78.455 no primeiro turno e 95.710 no segundo, vencendo Zé Raimundo.

Na eleição para deputado federal, em 2010, foi o mais votado no município, com 31.650 votos e em 2014 chegou a 32.454 votos para estadual, ficando à frente de todos os demais. Assim, é razoável admitir que Herzem construiu um cacife eleitoral, confirmado na sua eleição.

De outra parte, também seria pouco inteligente negar que a maior parte desse cacife eleitoral se perdeu nos atribulados primeiros 730 dias de governo, com a sucessão de idas e vindas, frases mal colocadas, ameaças, episódios de truculência, poucos projetos próprios, erros de condução e, isso é verdade, uma comunicação mal feita, entendendo como comunicação tudo o que o governo disse e mostrou, por meio do prefeito, secretários e colaboradores, além de ter faltado publicidade efetiva. Nos serviços básicos, a administração municipal vai bem na limpeza pública, iluminação (já esteve melhor) e cuidados com as praças. Mas, isso, já deu para ver, é pouco. O prefeito deve se lembrar que Jadiel Matos dizia que o povo não come asfalto.

Disposição e vontade de trabalhar é inquestionável que Herzem Gusmão tem. Em 2019, a prefeitura terá mais dinheiro para investir e isso pode ajudar a campanha à reeleição do prefeito. Mas, ele e seu grupo só não devem esquecer de uma coisa: não adianta melhorar a propaganda nem gastar toneladas de asfalto se não melhorar a relação do governo com a população que não é somente o tal do PIB. É preciso saber falar com a parte da sociedade que usa a cidade como um todo, que usa mais dos serviços (obrigatórios) do governo, não apenas desliza com seus carros em asfalto novinho.

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4 comentários em “Faltam quase dois anos para a eleição de prefeito, mas em Vitória da Conquista já foi dada a largada

  1. CABO HERLING candidato a prefeito em 2020

    • Qual o partido? Oposição a Herzem? E qual seriam os atributos para o eleitor escolher você? Os 943 votos que teve para vereador não mostram que você teria muita dificuldade? Essas perguntas não são críticas, apenas procuro colher informações para quando for escrever sobre sua pré-candidatura.
      Obrigado por ler. Abraço.

  2. Quem disputa a eleição é o candidato do PT e Herzem. Embora o sentimento anti petista ainda esteja muito presente, acredito que a vez é do Waldenor.

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