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Eleições Política

Pré-candidatáveis a prefeito de Conquista: Waldenor e Zé Raimundo querem um 2º turno Pereira versus Pereira

Os jornalistas Paulo Nunes e Frarley Nascimento conseguiram colar no prefeito Herzem Gusmão um dos seus sobrenomes como se fosse um apelido. Desde que eles começaram a chamar o prefeito de Pereira, estabeleceu-se, como se fosse uma regra, que, além das menções oficiais, quando a pessoa que estivesse a falar do gestor conquistense o fizesse como elogio, favoravelmente ou com neutralidade o chamaria de Herzem ou Herzem Gusmão, como é sua identidade social, profissional e política há décadas. Mas, se quem fala é da oposição ou vai fazer alguma menção negativa, os dois primeiros nomes dão lugar ao terceiro que ele leva na carteira de identidade: Pereira.

Não se sabe qual a reação do prefeito a essa forma de tratamento, porque, afinal, é mesmo seu nome. Sobre isso Herzem tem sido discreto, talvez para não dar “ibope” aos adversários.

Mas, não é Herzem Gusmão o único Pereira proeminente na política de Vitória da Conquista. Há o deputado federal Waldenor Pereira (PT). Waldenor também é Alves e Filho, mas optou apenas por ser Waldenor Pereira. No condomínio político que o deputado comanda, ao lado do ex-prefeito e deputado estadual, José Raimundo Fontes, há mais pereiras. Um dele é Alexandre, que já foi do primeiro time da política local como vereador, tendo chegado à presidência da Câmara, onde fez trabalho elogiado até hoje.

Se formos traçar uma linha sucessória no condomínio WZ, iniciais usadas pela dupla na campanha passada, Alexandre, que chegou a colocar o nome como prefeiturável em 2016, mas pelo PSB, é o quarto, mesmo também sendo um Pereira, estando depois dos dois deputados, claro, e do vereador Fernando Vasconcelos, conhecido por Jacaré,  como ele ex-presidente da Câmara e que aguarda há algum tempo a chance de ser candidato a deputado ou mesmo a prefeito.

Mas, voltemos a Waldenor. No início dos anos 2000, quando o então prefeito Guilherme Menezes dizia que ser prefeito para ele era uma missão e não um projeto e falava em não disputar a reeleição, o nome que estava na fila era o de Waldenor, o Pereira do PT. Mas, como se viu, Guilherme não apenas foi candidato reeleição, como disputou (e venceu) outras duas vezes. E quando não foi Guilherme, nos 20 anos de hegemonia petista, foi José Raimundo, muito por uma circunstância partidária fora da vontade de Guilherme e, em alguma medida, do próprio Waldenor. Mas, essa parte estará no artigo sobre a pré-candidatura (possível) do deputado estadual.

No começo de 2000, Waldenor estava no meio do seu segundo mandato como reitor da Uesb. Fazia uma gestão marcada por atividades de extensão, que deram à universidade uma grande visibilidade na comunidade e permitiu ao reitor a projeção que lhe permitiu voos mais altos, nisso contando com a preciosa contribuição da fama de Guilherme, que avalizou a primeira eleição de Nonô – como é chamado por correligionários e amigos – a deputado estadual, em 2002, quando os dois tiveram 100.041 (50.293 em Conquista) e 33.338 votos (24.304 em Conquista), respectivamente.

De lá para cá são cinco mandatos, dois de estadual e três de federal, com a reeleição em 2018. Waldenor constituiu uma trajetória própria, se afastou de Guilherme, chegando a deixarem de se relacionar pessoal e politicamente, mas manteve a meta de um dia ser prefeito de Vitória da Conquista, coisa que ele negava no geral, mas confessava para íntimos. Nestes dias, o grupo ao que o deputado pertence já fala abertamente que ele pode ser o nome do PT na disputa de 2020.

Em dezembro de 2015, Nonô já havia colocado seu nome à eleição prévia que o diretório municipal do PT realizaria para escolher quem seria o candidato a prefeito. José Raimundo já estava inscrito, mas não seria candidato a ferro e fogo, por isso a estratégia de inscrição do companheiro de escritório, agenda e coletivo partidário (Reencantar) era dificultar ao máximo a indicação do ex-secretário Odyr Freire, tirado do bolso do colete por Guilherme para tentar barrar a candidatura de José Raimundo. Se o ex-prefeito e deputado estadual não topasse o enfrentamento pelo voto partidário, Waldenor estava lá, a postos. Se dependesse dele a candidatura do guilhermista ficaria pelo caminho. E ficou. Guilherme abriu mão da disputa, José Raimundo foi escolhido e Waldenor manteve-se na espera. Agora, dizem que é a vez dele. E a maioria acha que está mais fácil do que foi para Zé, que perdeu a eleição para Herzem Gusmão.

Waldenor é um dos petistas com melhor prestígio no partido. Na eleição de 2018 abocanhou a maior quantia de financiamento público de campanha entre os deputado petistas da Bahia. Para se reeleger, Nonô contou com R$ 920.884 do Fundo Especial de Financiamento, criado pelos deputados em 2017. Em contrapartida, gastou apenas R$ 700,00 (setecentos reais) do próprio dinheiro para garantir sua permanência na Câmara do Deputados, de acordo com números que ele próprio informou ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Waldenor foi quem menos gastou do próprio dinheiro na campanha, em termos absolutos e também percentuais: meros 0,073% de tudo o que recebeu e somente 0,071% das despesas totais.

Como deputado federal Waldenor se notabilizou em seu último mandato pela oposição firme ao ex-presidente Michel Temer e pela defesa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Também marcou sua trajetória ao apoiar com emendas ao Orçamento da União os diversos prefeitos e vereadores que apoiaram ele e José Raimundo. Os dois fazem os anúncios de emendas e as entregas de equipamentos, como tratores, como se fossem ação dos dois, quase ninguém consegue identificar – ou nem se importa – qual mandato viabilizou, oficialmente. Consta que os parlamentares estaduais têm direito a apresentar até R$ 1,4 milhão em emendas ao orçamento por ano. Na Câmara, cada um dos 594 parlamentares poderá apresentar anualmente até R$ 15,4 milhões em emendas individuais, dez vezes mais. Metade tem que ser destinada à saúde, seguindo divisão estabelecida na Constituição, por isso aparecem tantas emendas para hospitais e secretarias de saúde, principalmente para compra de equipamentos.

Em seus oito anos de mandato Waldenor apresentou R$ 29.412.125 em emendas, o valor não é nominal, mas o que foi efetivamente empenhado (na maioria dos casos o valor “redondo” apresentado pelo deputado não corresponde ao que é empenhado). Os dados estão disponíveis no portal da Câmara dos Deputados (http://www2.camara.leg.br/siconvWEB/). Do total de emendas de Nonô, 9,89% foram destinadas diretamente a Vitória da Conquista (R$ 2.908.738).

O ano que ele mais apresentou emendas foi em 2012, mas nenhuma veio para Conquista. Em 2014, foram R$ 5.668.766, mas nenhuma para o município que o partido dele governava, com Guilherme Menezes. Naquele ano, Waldenor teve em Vitória da Conquista 27% do total de seus votos no estado (31.083×114.965). No ano passado teve apoio 21,52% dos eleitores conquistenses que votaram – 28% do total (33.881×121.278). Vitória da Conquista sempre teve o maior peso individual na votação de Nonô. Mesmo em 2010, quando ele se elegeu deputado federal pela primeira vez e teve 23.910 votos no município, sua votação aqui representou 27,19% do total (87.930 votos).

Waldenor inaugura obra em Guajeru, em jullho de 2016

Por esse ângulo, pode-se dizer que Waldenor Pereira não vem retribuído o apoio que tem recebido do eleitorado conquistense. Uma das cidades mais contempladas com emendas dele é Maetinga. Lá, no ano passado, Waldenor teve 35,34% dos votos, mas 1.377 eleitores que o escolheram representaram apenas pouco mais de 1% dos seus votos totais. Em Guajeru, outro município que recebeu dinheiro de emendas do petista, ele obteve uma votação gigantesca, 55,41%, mas os votos de lá foram menos de 2% da votação dele na Bahia. Politicamente, Waldenor age certo, distribuindo as verbas de emenda orçamentária para os lugares onde ele é votado. Guajeru, Maetinga, Presidente Jânio Quadros, Ribeirão do Largo são municípios importantes e não têm a arrecadação semelhante a Vitória da Conquista, os gestores precisam desse apoio dos parlamentares.

É salutar que Waldenor continue nessa prática, inclusive levando dinheiro do orçamento da União para a sua terra natal, Caculé, que lhe destinou 3.008 votos, mas não vê um emenda de seu filho ilustre há muitos anos. Por outro lado, também é importante pesar que, na possível campanha para a prefeitura de Vitória da Conquista, o eleitor pode querer fazer contas e cobrar do deputado petista uma valorização maior do município que o colocou na ribalta da política. Percentualmente, a destinação de verbas do orçamento federal para Conquista é ínfima, quase vergonhosa.

Na verdade, a média anual de emendas apresentadas por Waldenor desde 2011 – R$ 3.676.515,62 – é muito abaixo dos valores que os parlamentares podem requerer. Para 2017 foram R$ 6.478.551, dos quais R$ 394.200 para “melhorias na infraestrutura de áreas públicas de lazer no bairro Urbis VI”. Em 2018 foram R$ 4.283.378, (sendo R$ 1.016.135,97 para Conquista, assim divididos: R$ 500.000 para a Santa Casa, R$ 500.000 para a Uesb e R$ 476.319 para a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) executar a a requalificação da Feira da Patagônia).  O BLOG não compreende os critérios que levam um deputado a apresentar um valor alto em um ano e baixo no outro. Em 2015, por exemplo, de acordo com os dados disponíveis no portal da Câmara e no Sincov, Waldenor só apresentou R$ 1.555.185, em emendas, nenhuma para Vitoria da Conquista. Pode ser um erro de pesquisa do BLOG ou falha técnica do sistema. Isso acontece.

Como pode acontecer que Waldenor, que quer ser prefeito, tenha dificuldade para explicar porque apresenta emendas percentualmente bem abaixo do que seria a importância de Vitória da Conquista na sua carreira e no seu sucesso eleitoral. Sem contar com a constatação de que ele faz campanha apenas com recurso público (ou de alguns amigos e assessores) e não gasta nada do próprio dinheiro. Podem parecer pouca coisa, mas, em tempos de eleitores atentos e vigilantes em relação aos políticos, principalmente quando o assunto é dinheiro, uma candidatura pode ter dificuldades maiores que o normal.

Mas, dá tempo para Waldenor Pereira, de inquestionável capacidade intelectual, de conhecido preparo, desfazer esse mal-entendido. Se bem que em 2018 o deputado foi mais generoso e o valor das suas emendas para Conquista passou de R$ 1 milhão e representou 23,72% de todo o dinheiro que ele garantiu do Orçamento da União, um percentual próximo do que ele tem tido de votação no município. Seguindo assim (ainda não foi disponibilizado o valor que ele pôs no orçamento 2019), quem sabe Vitória da Conquista possa mesmo testemunhar o duelo eleitoral Pereira versus Pereira em 2020?

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