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Administração Pública Esporte

Estádio Lomantão: Polêmica e R$ 400 mil gastos pela prefeitura para apenas quatro jogos do Vitória da Conquista este ano

A polêmica pode colocar na conta do Palmeiras. Afinal, ano após ano os clubes de Vitória da Conquista mandaram seus jogos no Lomanto Júnior e o estádio – gigante em área e bonito por natureza, mas acanhado em estrutura, da vergonhosa “tribuna de honra”, às duras arquibancadas de cimento, passando pelas cabines de imprensa, espaço de lanches com piso desnivelado, sem pavimentação e virando lama quando chove, até os famosos vestiários, ora com água quente ora com água fria – sempre deu conta. Uma reclamaçãozinha aqui e outra ali não faziam ninguém ficar mais nervoso do que é comum ficar em dia de derrota do time.

Até que vieram os jogadores do Palmeiras esculhambar o gramado (com toda razão). Saiu no Band Sports, SporTV, saiu nos jornais de São Paulo, os da Bahia copiaram, o radialista Herzem Gusmão meteu o pau no rádio, aí inventaram de trocar a grama. Já que todo ano a Federação Baiana de Futebol vem, com Corpo de Bombeiros, CREA, Polícia Militar e mais uns trocentos órgãos e mandam fazer coisa, mudar isso, trocar aquilo, acrescentar aquilo outro, a prefeitura resolveu ouvir o apelo dos jogadores do Palmeiras – que, provavelmente, nunca mais vem jogar aqui – e da torcida envergonhada com o carão nacional e mandou trocar o gramado.

Contrataram uma empresa cara, a mesma que cuidou das arenas da Copa do Mundo, e puseram a grama nova, inaugurada com pompa e circunstância pelo ex-prefeito Guilherme Menezes, dirigentes do ECPP Vitória da Conquista, torcedores (uma dúzia) e colaboradores do governo. Os serviços levaram seis meses para serem feitos, foram anunciados pela prefeitura como “reforma do Lomantão” e custaram R$ 1 milhão. Além do sofrimento do torcedor do Bode.

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Lomantão no dia da inagururação da reforma, em 2916. Na foto, Nagib Pereira Barroso, que cuidava do esporte na administração municipal

Naquele ano, por causa da reforma, o time teve que fazer quatro de seus jogos no estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, sendo dois pelo Campeonato Baiano, com uma derrota e um empate, e dois pela Copa Nordeste, duas vitórias. No Lomantão só jogou uma partida, contra o fraco Colo Colo, de Ilhéus (4 a 1). Mas, com o péssimo desempenho fora de casa, quase cai para a segundona. Acabou disputando a chave do rebaixamento – se livrou de cair com uma vitória e um empate contra o Colo Colo – e ficou em 10º na Copa do Nordeste. E isso com o gramado novinho e caro que a prefeitura colocou.

As coisas melhoraram somente seis meses depois. Com o time entrosado o ECPP venceu a Copa Governador do Estado de forma invicta. Em casa, conseguiu 10 pontos em 12 disputados, aproveitamento de 83%. Mesmo assim, 2016 só não foi o pior ano do Bode porque aconteceu 2018, quando o time perdeu quatro das cinco partidas que jogou em casa (e ainda sofreu a mais humilhante das goleadas tomando de 6 a 1 do Bahia, na Arena Fonte Nova, Salvador).

Finalmente, chegamos a 2019. E assim como em 2016, quando a reforma demorou, 2017, quando os fungos ameaçaram o gramado, o ECPP, a torcida, a imprensa e o governo municipal estão às voltas com problemas no estádio e de novo voltou a polêmica do gramado que o Palmeira começou lá e 2016. A nove dias do começo do campeonato e a menos de um mês do primeiro jogo do Bode no Lomantão, ninguém sabe ao certo em que situação está o campo.

A prefeitura proibiu até os dirigentes do clube de entrarem no estádio, assim, a versão que vale é a do governo. E o governo diz que está tudo andando normalmente, que os prazos serão cumpridos e o Vitória da Conquista terá um gramado excelente para jogar suas quatro partidas programadas para a primeira fase e – se se der bem -, as duas seguintes de semifinal e final.

Para atender às exigências do Corpo de Bombeiros, Ministério Público, CREA, FBF e aquela lista enorme de órgãos, a prefeitura colocou pessoal trabalhando direto. Os funcionários comem no estádio, trabalham à noite, fins de semana, tudo para que o time conquistense não tenha qualquer desculpa e possa fazer um bom papel no campeonato baiano deste ano. Isso tudo vai custar em torno de R$ 400 mil.

Segundo o secretário Marcos Ferreira, encarregado pelo prefeito para cuidar do esporte, não dá para falar em valores exatos, porque além de insumos, materiais, etc., os serviços envolvem várias secretarias e o ritmo de trabalho exige muita gente, com alimentação e horas extras, por exemplo. Marcos garante que não há qualquer risco de não terminar tudo bem. “A prefeitura está fazendo a parte dela, vai entregar o Lomantão dentro das condições exigidas e depois vamos torcer para que o time tenha um bom desempenho, avance no campeonato e volte a disputas nacionais, como a Copa do Brasil e a Série D”, diz o secretário.

Para chegar lá, o ECPP Vitória da Conquista precisará de uns 17 pontos, algo como vencer, pelo menos, três partidas em casa e garantir no mínimo de sete a nove pontos dos 15 que disputa fora. Se não, babau. Terá sido como se a prefeitura gastasse R$ 100 mil por cada jogo, fora a conta da energia elétrica nos dias de jogos e a estrutura que o município movimenta a cada partida. E a gente vai ficar se perguntando: ano que vem vai ser a mesma coisa? Arruma vestiário, faz corrimão, troca porta, conserta piso, bota isso, tira aquilo? Desde 2016 já se gastou, por baixo, R$ 2 milhões no Lomantão. Pode ser até normal, mas a polêmica, o tempo gasto e as indefinições a cada véspera de campeonato, isso ninguém aguenta mais

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