História de Conquista: Em 1981, ACM disse: “Prometi e cumpri”, mas ninguém mais liga para isso na Uesb

Antônio Carlos Magalhães, conhecido como ACM, foi um político brasileiro de sucesso no século passado. Figura controversa a quem os adversários atribuem todo tipo de maldade, ACM praticamente reinou na política da Bahia dos anos 1970 ao fim de 2005. A queda do poder carlista começou no dia 30 de maio de 2001, quando ele foi obrigado a renunciar ao mandato de senador depois de descoberta a fraude chamada de escândalo do painel. O senador baiano tivera acesso aos votos de cada um dos colegas que votaram pela cassação do senador brasiliense Luiz Estêvão. O esquema veio à tona por causa da briga de ACM com o paraense Jader Barbalho, presidente do Senado, e porque o baiano, boquirroto, contou vantagem da fraude ao procurador da República Luiz Francisco de Souza, uma espécie de Deltan Martinazzo Dallagnol com mais sangue no olho.

ACM era avô do atual prefeito de Salvador, ACM Neto
ACM era avô do atual prefeito de Salvador, ACM Neto

Naquele ano, ACM ainda ajudaria a eleger Paulo Souto ao governo da Bahia, com 53,7% dos votos sobre Jaques Wagner (PT), que teve 38,5%, e se reelegeria para o Senado. Porém, em 2006, Paulo Souto – com todo o seu grupo certo da vitória – foi derrotado pelo mesmo Wagner. A foto de ACM sentado em uma cadeira, desolado, com a cabeça baixa, chocou o país. O poderoso da política baiana, o painho da Bahia, via o PT arrancar o seu grupo do Palácio de Ondina. O PT se mantém até hoje no poder, com dois mandatos de Jaques Wagner e Rui Costa, agora, no segundo. ACM morreu em 20 de julho de 2007. Mas, a marcas de sua operosidade estão espalhadas pelo estado. As ruins e as boas. Vitória da Conquista tem várias. Uma visível, mas que quase ninguém sabe o que é e a outra visível, mas que ninguém dá importância para o que é.

20190117_184438A primeira marca é aquele “caneteiro” de aço inoxidável, denominado Monumento das Águas, na rótula entre as avenidas Olívia Flores e Rosacruz. É o marco da ampliação do sistema de abastecimento de água inaugurado por ACM, na condição de senador, em 1999. O governador era César Borges, mas a estrela (e o “benfeitor”) era ACM, que mandava em Borges. A outra está na Universidade Estadual do Sudoeste e, como a placa de inauguração do Hospital Geral de Vitória da Conquista, iniciado por Waldir Pires, concluído por Nilo Coelho e que ACM entregou como um dos últimos atos de sua última passagem pelo governo da Bahia, traz o nome do ex-governador, ex-senador e ex-todo poderoso por quem milhares nutrem saudade.

O monumento na Uesb vai fazer 38 anos no dia 24 de março. Duas lâminas de cimento se erguem paralelas em frente ao módulo 1 do campus de Vitória da Conquista, bem onde a universidade começou. Há anos, milhares de estudantes, professores, servidores e visitantes passam perto daquele monumento. É possível arriscar que pelo menos 60% dos que olham para aquele mondrongo sem entender nada, ou rejeitando-o, eram crianças despreocupadas quando ACM morreu. Certamente, uns 90% nem eram nascidos quando ele mandou erguer o monumento.

 

Na placa de bronze colocada em uma das duas lâminas está escrito:

Prometí e cumprí (sic)

A Universidade Estadual do Sudoeste é uma realidade e será o centro cultural de uma região que se afirma pela sua pujança e pelo valor dos seus filhos. O amanhã bem próximo dirá da grandeza do empreendimento e as futuras gerações agradecerão o esforço de seus idealizadores. Vitória da Conquista, 24 de março de 1981. Antônio Carlos Magalhães.

Passados 38 anos dessa mensagem, sabe-se que se confirmou o valor da Uesb como vetor e fator de desenvolvimento de Vitória da Conquista e ela é, não apenas o mais importante centro de formação cultural e educacional do Sudoeste, uma referência estadual e até nacional, vide último Índice Geral de Cursos, que coloca a universidade como uma das melhores instituições públicas de ensino do Brasil (leia aqui). Mas, não perece que “as futuras gerações” agradecem o esforço dos seus idealizadores, como pensava ACM. É possível que nem saibam quem são ou foram esses idealizadores – e o BLOG não está pensando apenas no velho caudilho da Bahia. Mas, aí, a culpa é da instituição, de seus dirigentes.

 

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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