Duas mortes no trânsito de Conquista em 24 horas levantam a questão: O monitoramento por câmeras é mesmo ruim?

As duas principais questões são: 1. É a atitude correta ficar contra um equipamento que pode ajudar a salvar vidas e a melhorar o trânsito na cidade? 2. A prefeitura está dando a correta aplicação ao dinheiro arrecadado com as multas?

Na semana passada, um dos temas mais comentados nas redes sociais foi a instalação de câmeras de vídeo em vários pontos da cidade, com o objetivo de monitorar o trânsito no centro de Vitória da Conquista, especialmente excesso de velocidade e estacionamento em locais proibidos. A maioria dos comentários nas redes sociais era de críticas à medida da prefeitura. Reflexo da posição crítica e desconfiada da população em relação às ações do governo municipal. Mas, não só por isso.

Na mesma semana aconteceram duas mortes nas ruas da cidade. A primeira vítima, Otacílio de Jesus, 76 anos, foi atropelado na sexta-feira (18), na Avenida Juracy Magalhães, e chegou a ser internado na UTI do Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), mas acabou morrendo neste domingo (20).

Já Rairan Gama de 27 anos, natural de Nova Canaã, pilotava sua moto nas proximidades da Praça do Gil, na noite de sábado (19), quando teria sido fechado acidentalmente por um carro, perdeu o controle da moto e bateu em um poste. O Samu 192 chegou rápido, mas Rairan não resistiu ao choque e morreu no local.

É comum, não apenas em Vitória da Conquista, que as pessoas critiquem instalação de radares, câmeras e outras medidas que aumentam a fiscalização, no trânsito ou outras áreas. As reações ocorrem mesmo quando as medidas visam a coibir abusos, que acabam gerando acidentes, grande parte deles graves, como os dois que ocorreram em Conquista na sexta e no sábado. As reações têm diversas origens e explicações, mas há duas que se destacam: o interesse na impunidade, causando ação contrária aos instrumentos de repressão, e a oposição política.

O monitoramento por câmera em Vitória da Conquista caiu em desgraça, principalmente, pelos dois motivos acima. Em uma cidade em que parte dos eleitores escolhem um candidato a deputado porque aquele se posiciona contra blitzes e apreensão de veículos com tributos atrasados, não surpreende que a grita contra a “indústria de multa” ganhe intensidade. E é, também, um discurso que serve aos opositores do prefeito Herzem Gusmão, cujo governo está vulnerável a qualquer crítica, por conta de seu histórico de equívocos e desgastes.

Os dois casos do fim de semana e outros centenas ou milhares que não são divulgados – porque não acabam em morte -, dizem que não seria um erro dotar a cidade de equipamentos que ajudem os órgãos de trânsito a organizar o setor e evitar mais mortos e feridos. Mas, só assim não será um erro. Instalar câmeras para flagrar apenas motoristas dando ré em pontos proibidos ou parando onde não podem, com o intuito de aumentar a arrecadação, merece todo repúdio e reação da população.

A propósito, sabe-se que a arrecadação de multas e taxas relativas ao trânsito dentro do município deve ser revertida em obras de mobilidade, sinalização e melhorias do tráfego e em ações de educação de trânsito. Em uma Vitória da Conquista com semáforos apresentando problemas frequentes e com faixas de pedestres apagadas em quase toda a cidade, não se pode dizer que a prefeitura venha aplicando os recursos como deveria. Senão, avalie leitor. Em 2016, foram arrecadados R$ 2.195.122,78; em 2017, R$ 2.817.198,38 (28,33% a mais). No ano passado, a arrecadação continuou crescendo e chegou a R$ 2.867.067,24, mais 2% em relação a 2017 e 30,6% acima de 2016.

Imagem acidente moto Praça do Gil
Ponto onde ocorreu o acidente com Rairan (Foto: Blog do Anderson)

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

2 thoughts on “Duas mortes no trânsito de Conquista em 24 horas levantam a questão: O monitoramento por câmeras é mesmo ruim?

  1. Você é uma mulher mal educada. Não deve entender de muita coisa. As câmeras e outros equipamentos ajudam a reduzir os riscos porque limitam a velocidade. Agora, limpe sua boca.

  2. Quanto mais controle houver sobre o trânsito, melhor. Respeitar limites de velocidade parece ser uma chateação para quem não está acostumado, mas salva vidas. Apesar de o cidadão sempre ter direito de contestar uma multa e ser devidamente ressarcido em caso de abuso, essa história de “Indústria da Multa” é argumento demagógico inflado pelo grupo político que agora preside o país, que tem outros interesses maiores do que as vidas das pessoas.

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