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O dia em que a arte superou o medo da violência

Eles deixaram o presídio em viaturas diferentes sem que soubessem aonde estavam sendo levados. Não foram avisados de que hora sairiam. Além dos dirigentes da unidade prisional, do juiz e da polícia, mais ninguém sabia que eles estariam fora da cadeia naquele dia. No local para onde eram levados já havia um grande números de curiosos. E policiais. Os curiosos não imaginavam que eles chegariam. A polícia sabia. E a preocupação era de que ninguém mais soubesse.

Os dois chegaram ao Shopping Conquista Sul e foram bem recebidos pelo público que prestigiava a vernissage da exposição Transformando com Arte. Eles eram os pintores. Foram cumprimentados, posaram para fotos, pintaram telas a vivo e, cinco horas depois, voltaram para suas celas no Conjunto Penal de Vitória da Conquista (CPVC). Durante o tempo em que os dois estiveram lá, entre os visitantes circularam policiais à paisana. Havia o temor de uma tentativa de resgate de um dos detentos-pintores, por isso foi providenciado um forte esquema de segurança no shopping, que apoiou o projeto em louvável atitude de coragem e confiança.

A prevenção se justificava, segundo fontes que falaram com o BLOG, porque um dos detentos, Sandro Galiza, já foi considerado “linha de frente” no presídio, liderava os demais presos. Também foi associado a uma das facções criminosas mais atuantes em Vitória da Conquista e região. Com um pincel na mão, naquela noite, no entanto, Galiza não apresentou perigo. Ao lado do outro detento, Samuel da Silva Oliveira, deixou a impressão que o projeto mantido pelo CPVC previu, de que é “a arte pode traçar novos destinos”.

Entre os presentes à exposição a aposta era esta. Não havia medo, apenas admiração e notável esperança. Isso também o que se percebeu nas reações e comentários à matéria do BLOG sobre o projeto. A imensa maioria  foi positiva, com mensagens elogiando a ação e demonstrando esperança na ressocialização. Mas, só os detentos sabem se será mesmo assim. Por enquanto, o que fica é a visão de dois artistas pintando, mostrando sua arte e sendo respeitados pelo público, por conta do talento apresentado e pela humanidade muito visível. Neles, em quem teve a ideia – a administração penitenciária e a empresa Socializa -, em que a apoiou (o poder judiciário e o Shopping Conquista Sul) e no público que a aprovou.

 

 

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