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Meio Ambiente

Com tragédia de Brumadinho, Jacobina volta a se preocupar com as barragens de rejeitos de minérios na cidade

Na Bahia, quatro barragens de rejeitos de minérios, das 24 em funcionamento no Estado, têm classificação idêntica à Barragem do Fundão, que rompeu em 2015, em Mariana (Minas Gerais) e algumas guardam semelhanças com a barragem que devastou Brumadinho, ontem à tarde. As barragens baianas que têm merecido atenção, pelo risco que representam duas estão localizadas em Jacobina, na Chapada Norte, e as outras duas em Santaluz, na região sisaleira. Elas estão classificadas em Dano Potencial Associado (DPA), condição considerada alta pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Há mais de três anos, quando ocorreu o desastre de Mariana, a imprensa noticiou que, por não ter alertas sonoros, assim como a de Mariana, a barragem 02, administrada pela Yamana Gold, em Jacobina, era a que mais preocupava e era a única em plena atividade. Mas, em abril daquele mesmo ano, relatório divulgado pelo DNPM, mesmo considerando o Dano Potencial Associado, assegurou que as quatro barragens baianas, em Jacobina e Santaluz, não apareciam entre as 16 mais inseguras do país.

Apesar das outras barragens não estarem ativas, elas armazenam material de rejeitos, inclusive, a Barragem 01, em Jacobina, preencheu toda a capacidade de armazenamento em 2008. A Fazenda Brasileiro S/A, subsidiária da Yamana, que administra as barragens de Santaluz informou que as mesmas estão inativas.

Na época, o geólogo e consultor de meio ambiente do Crea, Rossini Barreto, afirmou que “não há possibilidade de acontecer em Jacobina o que ocorreu em Mariana. Essa barragem é completamente diferente da de Mariana”. Ainda de acordo com Barreto, na Yamana Gold é feito um equilíbrio entre o volume de material que é depositado.

35853466_1723102367727525_5557518167254761472_nEm seu perfil no Facebook Almacks Luiz Silva, graduado em Gestão Ambiental com especialização em Recursos Hídricos, Saneamento e com residência agrária em Tecnologias Sociais e Sustentáveis no Semiárido, explicou que a segunda barragem de rejeitos da Yamana Gold tem um talude (paredão) de 55 metros de altura e capacidade para 13 milhões de toneladas de material, em uma área de 34 hectares. O NI – 43.101 (estudo apresentado pelas mineradoras precisam nas Bolsas de Valores, provando o potencial minerário do empreendimento) atesta que a mina ainda tem um potencial de 33,9 milhões de toneladas de material para ser processado.

Almacks pergunta: “Já imaginou quantos milhões de material já foram depositado na primeira barragem?” E explica que as barragens de rejeitos no Brasil sofrem as seguintes classificações quanto ao risco e perigo:

1.1 – Categoria risco, podem ser alto, médio e baixo;
1.2 – Categoria dano potencial associado, podem ser alto, médio e baixo.

Mas, ele ressalta, a classificação de risco da barragem de rejeito da Yamana Gold, localizada em Jacobina, é ainda desconhecida. De acordo com o especialista, a informação seria obtida com a realização de um teste de avaliação, o Simulado de Acidente, que seria realizado entre a Yamana Gold e Prefeitura, com a presença da Coordenação de Defesa Civil do Estado da Bahia (Cordec), mas a avaliação foi cancelada porque choveu no dia. “Até o momento não foi remarcada outra data”, diz Almacks.

No artigo, Almacks Silva afirma, no entretanto, que a empresa detectou quase 200 pontos em que as pessoas terão que ser treinadas para quando ouvirem a sirene de emergência tocar. Ou seja, o risco existe e não é baixo. “Se der tempo, as pessoas têm que correr para uma área segura”, diz e complementa com a questão que tem sido compartilhadas pela população jacobinense: “Mas, onde é a área considerada segura, se a cidade está às margens do Rio Itapicuru?”


COM JORNAL DA CHAPADA E JACOBINA NOTÍCIAS   – FOTOS: ALMACKS LUIZ

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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