Bahiagás explicará, na quinta, porque o gasoduto não vai passar em Conquista e como o gás natural chegará à cidade

Nesta quinta-feira (31), o assunto Gasoduto Sudoeste, que tanto debate tem rendido, gerando, inclusive, disputas de paternidade, manifestações de ciúme, oportunismo político e confusão na cabeça das pessoas que não estão na articulação do assunto, a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), empresa mista controlada pelo governo do Estado, vai realizar o evento “Gás Natural em Vitória da Conquista – Estudo de Viabilidade Técnica”. O encontro é voltado para empresários, investidores e representantes da sociedade civil que tenham interesse no tema. A audiência acontecerá às 9h00, no auditório da Faculdade Independente do Nordeste (Fainor).

Esta será a primeira vez que a atual gestão da Bahiagás virá à cidade para discutir o assunto. A ideia é apresentar as possibilidades de transporte do energético e ouvir as dúvidas e sugestões de empresários, investidores e da população. Para viabilizar o evento, o empresário José Maria Caires, da Livraria Nobel e da Maxtour Viagens, e o deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB), estiveram em Salvador na sede da companhia com o presidente Luiz Gavazza, que propôs o encontro para tirar dúvidas levantadas por empresários, vereadores e imprensa. Gavazza foi indicado para o cargo pelo partido de Fabrício, em substituição a Davidson Magalhães, atual presidente do PCdoB.

Para o deputado Fabrício Falcão, uma das principais lideranças na articulação, a iniciativa tem fundamental importância. “A nossa luta é para que o gás natural possa beneficiar a população do município e de cidades circunvizinhas. E esse debate é imprescindível, porque  somos a terceira maior economia do estado e, certamente, a implementação do energético trará vantagens para a comunidade conquistense”.

Vai dar tudo certo, mas a polêmica não cessou. Ela se consolidou quando o presidente da Câmara de Vereadores, Luciano Gomes (PR), reivindicou a pauta, porque, segundo ele, a vinda do gasoduto seria fundamental para combater o suposto cartel dos postos de combustíveis. Luciano discursou sobre o assunto na Câmara, mas quem deu passos objetivos em relação ao tema foi José Maria. O problema é que os dois estavam atrasados, como a política e as lideranças conquistenses de modo geral: a construção do Gasoduto Sudoeste já está em curso, em um projeto de mais de R$ 400 milhões que não inclui Vitória da Conquista em seu trajeto. Simplesmente porque a cidade não tem potencial para o investimento.

Desde a concepção do projeto, que, na ponta, vai contemplar Brumado, por causa da presença da Magnesita, Vitória da Conquista seria (e será) abastecida com o gás natural comprimido (GNC), por meio de carretas transportadoras do combustível abastecidas na ponta final do duto de distribuição (veja aqui). Mas, isso não é dito por nenhum dos articuladores da reunião de quinta-feira e que estão ocupando a mídia como podem, inclusive dando entrevistas em vídeo a torto e a direito (como disse uma fonte ligada ao evento: “porque quem não tem cão caça com gato).

Fabrício e Zé Maria, blog do Anderson
Fabrício Falcão e o empresário José Maria Caires reivindicam articulação pelo gás natural

É isso o que o BLOG não se cansa de repetir: não tem como um projeto de quase R$ 500 milhões, elaborado há cinco anos, que já está em sua fase de execução, ser “estudado” em poucas horas, em uma reunião. Nem mesmo haverá estudo de viabilidade para verificar as possibilidades de trazer o gás natural para Vitória da Conquista. O gás natural já viria por caminhões.

Seria mais esclarecedor da parte da Bahiagás, do empresário e do deputado à frente do evento, dizer que a empresa vem apresentar seu projeto e explicar para a cidade quando e como vai começar a funcionar. Deixar claro que a chegada do GNC é coisa para 2021/22,  após o término da obra, uma vez que a venda de GNC só se torna economicamente viável para distâncias de até 150 km (saiba mais). Acima disso, o transporte de gás é feito em contêineres com gás natural liquefeito (GNL), que já poderia estar vindo de Itabuna, se as pessoas que hoje estão cobrando não estivessem tão atrasadas. A última vez que o assunto foi discutido – e muito pouco – em Conquista, foi em 2011.

Ressalte-se que a esperança, a luta e a perseverança são virtudes importantes que podem quebrar barreiras e refazer histórias, mas a firula é pecado. Que venha o gás natural. Que venha tudo o que a cidade precisa e merece, mas, que as coisas sejam feitas com mais transparência e desapego.

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