A Câmara de Vereadores vai se agigantar para mostrar a força e a importância de Conquista, diz novo presidente

O vereador Luciano Gomes, do Partido Republicano (PR), 42 anos, é um dos nomes da política conquistense com crescimento mais notável. De 13º colocado em 2008, sua primeira eleição, com 1.727, foi o quarto mais votado na última eleição, chegando agora à presidência da Câmara Municipal de Vitória da Conquista. Do distrito de Cabeceira da Jibóia, Luciano traça uma trajetória que inclui metas ambiciosas, como ser prefeito ou deputado. Aliás, ele corrige o BLOG, não se trata de ambição, mas de possibilidade, porque o político  não pode negar as possibilidades, principalmente se for convocado. “É possível dar outros passos e se tiver oportunidade de poder ser candidato a prefeito do nosso município ou a vice ou a deputado meu nome está à disposição do povo conquistense”.

Ele foi eleito com 20 votos dos 21 vereadores. Diz que sua eleição foi uma demonstração de que os vereadores entenderam a importância da unidade, tendo-o à frente do processo. Mesmo o vereador que não votou nele, diz Luciano, não foi por rejeitar a sua candidatura, mas por outro motivo (que ele não disse qual foi). Luciano não é o primeiro presidente da Câmara Municipal a ser eleito com 20 votos, o seu antecessor teve a mesma votação, mas ele diz que isso lhe dá força para implantar uma gestão com novidades, com ações novas visando aquilo que ano após ano vereadores e imprensa reclamam, da pouca aproximação da população com a Câmara e vice versa. Uma das medidas será voltar com as sessões itinerantes, especialmente na zona rural.

Na campanha para a eleição da Mesa, Luciano recebeu sinais de apoio do prefeito Herzem Gusmão, que depois da votação se disse feliz com a escolha do republicano da região da Limeira para a presidência, confessando ter pedido voto para ele. Mesmo assim, Luciano Gomes diz que continua oposição ao prefeito. “Nem o prefeito mudou, nem eu”, afirmou, dizendo que o prefeito mostrou grandeza ao não interferir com a imposição de um nome da situação que, em tese, tem maioria na Casa.

O novo presidente promete que a Câmara continuará transparente, aberta, fazendo um registro positivo da gestão do seu antecessor, Hermínio Oliveira, e que buscará dar ainda mais agilidade à tramitação de projetos e sua votação. “A Câmara – ele diz – sempre procurou votar com celeridade todas as proposições e projetos, mas, sempre há o que melhorar e nós vamos buscar melhora”.

Mas, o que mais Luciano Gomes tem destacado é a necessidade de a Câmara e os vereadores retomarem ou ampliarem o seu papel de defensor das bandeiras que são caras e importantes para Vitória da Conquista. Na opinião do presidente do legislativo conquistense, para além de Casa onde se votam projetos e se criam leis, a Câmara deve ser a caixa de ressonância da sociedade e da política local, por isso tem que levantar a voz para defender melhorias e prioridades para a população.

Ele fala de barragem, duplicação da BR 116, criação da Universidade Federal do Sudoeste, o gasoduto, policlínica, etc. “Muitas dessas demandas estão passando despercebidas e Vitória da Conquista está ficando de fora e isso a gente não aceita”, reclama, para enfatizar: “Vamos debater todos os grandes temas, não vamos fugir de nenhum assunto e estaremos presentes em todas as discussões em prol de benefícios para Vitória da Conquista”.

Luciano presidente a Câmara ao lado de Gilmar Ferraz (MDB) 1º vice-presidente; Nildma Ribeiro (PCdoB), 2º vice-presidente, Valdemir Dias (PT), 1º secretário e Cícero Custódio (PSL), 2º secretário.

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Ontem (quarta-feira, 6) foi a sua primeira sessão como presidente da Câmara, eleito com 20 dos 21 votos. Pessoalmente, qual foi a sensação?

A sensação foi a de um presidente eleito com quase todos os votos e que mesmo o voto que foi contrário o sentimento dele não era de votar contra a minha pessoa. Tenho um sentimento de honra por ter conseguido unido a Casa em torno do meu nome, o sentimento de um vereador que quer o melhor para a Câmara e para Vitória da Conquista. Diz o ditado que toda unanimidade é burra, se é assim, a Câmara de Vereadores provou que é muito inteligente, que são vereadores inteligentes. Não fomos unânimes, mas tivemos 20 de 21. Meu sentimento é de gratidão aos meus colegas.

O prefeito não participou da sessão, embora tenha sido a sessão dedicada à apresentação da mensagem dele. Isso incomodou os vereadores de algum modo?

Não incomodou. Nem a mim, como presidente, e nem aos vereadores. A vice-prefeita compareceu, apresentou muito bem a mensagem do chefe do executivo para o legislativo e nós vamos continuar nosso trabalho, sempre pensando no melhor para a população.

Nos últimos tempos a Câmara tem falado em transparência e buscado a aproximação com o cidadão, nos dois sentidos – transparência/informação e a aproximação com a sociedade – a sua gestão vai oferecer alguma novidade ou na sua opinião não há o que mudar?

Todas as gestões da Câmara sempre buscaram esse equilíbrio, de ser transparente e buscar a aproximação com a população e isso Conquista viu, por exemplo, na gestão do presidente que me antecedeu. Nós não vamos ser diferentes. No quesito transparência, nós – eu e meus colegas de Mesa Diretora – vamos ser os mais transparentes possível, porque é isso que o povo espera de nós e que os colegas vereadores esperam da mesa de uma Câmara Municipal do porte da de Vitória a Conquista.

Quanto a mudar, nós queremos mudar, sim. Algumas coisas vamos ampliar. Além de estarmos implantando novos sistemas que proporcionem uma transparência maior das atividades, também vamos trabalhar muito com as redes sociais, interagindo com as pessoas e buscando fazer uma gestão que atraia a população para prestigiar as sessões. Também vamos buscar a comunidade por meio das sessões itinerantes, que retornarão a partir de março, com uma agenda para o ano inteiro, com o objetivo de levar a Câmara às pessoas que estão mais distantes, na zona rural. E com os meios de comunicação, vamos, com certeza, atingir o nosso alvo, que é essa aproximação e a interação com o povo conquistense.

Você está satisfeito com a dinâmica e o rito das votações na Câmara? Há algo que não o satisfaz e que quer mudar?

A Câmara sempre procurou votar com celeridade todas as proposições e projetos que vieram do Executivo. Mas, sempre há o que melhorar e nós vamos buscar melhorar. No caso das comissões, vamos trabalhar com os dias de reunião já pré-agendados, de segunda e quarta. Com essa agenda, os vereadores terão tempo conhecer bem os projetos e irem para o plenário sabendo naquilo que irão votar. Nós vamos procurar melhorar o máximo possível e cumpriremos todos os prazos de maneira rigorosa.

Em 2014, depois de ter conseguido expressiva votação para seus candidatos a deputado, você disse que seria candidato à presidência de qualquer jeito. Não foi na época, mas é o presidente agora. Este seria o momento de vislumbrar um salto político, ser candidato a prefeito ou a vice ou mesmo candidato a deputado em 2022?

Desde 2006 nos conseguimos dar uma votação expressiva aos deputados Jurandir Oliveira e João Bacelar. Isso é resultado de um trabalho intenso e reflexo do nosso mandato, que tem recebido um apoio grande dos dois deputados, que têm trabalhado muito por Vitória da Conquista. Quem está na política sempre quer dar um passo a mais. Isso de maneira, ordeira, responsável, bem pensada, sem passar por cima de ninguém, mas sempre esperando o momento certo. Chegou a minha vez de ser presidente da Câmara, o que muito me honra, pois vou poder servir ao meu município sendo presidente do legislativo municipal. O que virá por aí, 2020, 2022, eu não posso dizer com certeza. Não posso afirmar que serei ou não serei candidato a prefeito ou a vice ou a deputado, mais tarde. Hoje eu penso em ir para a reeleição. Mas, é possível dar outros passos e se tiver oportunidade de poder ser candidato a prefeito do nosso município ou a vice ou a deputado meu nome está à disposição do povo conquistense. Eu sempre digo que quem diz para onde eu vou na política é o povo, as pessoas que me acompanham e direcionam as minhas decisões políticas.

Em 2016, você reclamou do PCdoB porque os vereadores recém-eleitos Danilo Kiribamba e Nildma Ribeiro decidiram apoiar Hermínio para a presidência. Chegou a dizer, ao jornalista Frarley Nascimento, do Blitz Conquista no Ar, que era exibido pela Brasil FM, que os dois vereadores teriam que apoiar uma chapa de oposição e não ficar com Hermínio, pois ele representaria o prefeito Herzem Gusmão, também recém-eleito. Dois anos depois você foi candidato também da situação e até o líder do prefeito votou em você, tendo Herzem manifestado seu apoio publicamente. O que mudou? A oposição, a situação, Herzem ou Luciano?

Eu acho que ninguém mudou, estão todos no mesmo lugar. O PCdoB continua na oposição, eu era oposição – e continuo – e Herzem também não mudou. Qual foi a diferença da eleição de 2016 para a de 2018? É que em 2016, nós, os dez vereadores da bancada de oposição, estávamos todos apalavrados, para votar em um candidato da oposição. Eu nem diria que Nildma e Kiribamba queriam desfazer da palavra dada, mas, por força do partido, ao qual eles deviam obediência, acabaram cedendo aos apelos das lideranças do partido para votar em Hermínio. Então, a minha reclamação foi no sentido de que a oposição deveria votar unida, porque isso estava apalavrado e, na minha opinião, a palavra não deve voltar atrás. Mas, eles tiveram os motivos e eu entendo.

Em 2018 foi diferente. Eu continuo como oposição, me elegi sem enganar ninguém, sem fazer conchavo. Herzem continua no lugar dele, mas eu sempre fui respeitoso com ele e ele comigo e vamos continuar sendo assim, mesmo estando em lados opostos em relação à posição partidária. Herzem sabe que eu sou oposição. A minha postura é essa, de sempre agir com transparência. E outra coisa é que os vereadores, em 2018, entenderam a importância de a Câmara estar unida e muito me honra que essa união tenha se dado em torno do meu nome.

A sua eleição teve os votos de quase todos os vereadores e o próprio prefeito disse que torcia pela sua escolha. Nos dois casos, por favor, me diga: a) O fato de ter sido apoiado por 95% dos colegas determina que a sua gestão seja mais corporativa ou a sua condução dos trabalhos pode diferir do que esperam seus colegas? b) O apoio direto do prefeito, inclusive reforçando o voto dos vereadores da bancada de situação (Herzem disse: “Fiquei muito feliz, pedi voto pra ele, Luciano, mesmo sendo de um partido ligado ao Governo do Estado, é um político legal, às vezes um adversário é melhor do que um aliado, o aliado às vezes dá mais trabalho”), significa que a Câmara estará mais alinhada com ele ou que ele terá menos dificuldade que antes?

Eu acho que o prefeito teve um gesto de grandeza em não interferir e aceitar a escolha que os vereadores fizeram. Ele diz aquilo que ele acha que é qualidade na minha pessoa e ficou feliz por terem me escolhido. Para mim é um gesto de grandeza porque ele não teve a vaidade pessoal de querer impor um candidato que fosse da bancada de situação, entendeu que a Casa tinha capacidade de escolher o seu gestor nas discussões e entendimento da própria Casa.

Quanto às dificuldades, desde gestões anteriores, como a do prefeito Guilherme Menezes, e eu fui vereador nos dois últimos mandatos dele, a Câmara sempre foi parceira do Executivo no sentido de votar tudo aquilo que visa ao bem da população e vai continuar assim. A Constituição diz que os poderes são independentes, porém harmônicos e assim será a nossa relação com o Executivo em Conquista.

Você levantou sua voz com relação ao gasoduto da Bahiagás que não passará por Vitória da Conquista, apesar de sua importância econômica para a região e para o estudo, e isso fez com que o debate fosse retomado. A empresa teve que se explicar e definir como o gás natural chegará na cidade. Mas, há outras questões, como a duplicação da BR 116; a segurança pública; o projeto da Universidade Federal do Sudoeste, parado há mais de quatro anos; e os baixos índices da educação pública, entre outros. a) Como presidente, você diria que há uma bandeira prioritária? b) Acredita que há como encaminhar e obter soluções para essas questões?

Quando eu vi que o Gasoduto Sudoeste não passaria por Vitória da Conquista eu fiquei indignado, porque não consegui entender que uma cidade do porte e importância de Vitória da Conquista não tenha disso levada em consideração quando fizeram o traçado, não desmerecendo Brumado, não desmerecendo Jequié, Maracás e outras cidades. Mas, Conquista tem uma importância econômica muito grande e nós temos demanda para o gás natural, por isso nós levantamos a voz, vamos continuar levantando, porque eu acho que é uma questão justa. A Bahiagás não tem plano de trazer através do gasoduto, mas, segundo a empresa, por caminhões. Mas, eu acho que nós, enquanto força política representativa, devemos continuar buscando. Nós temos dois deputados estaduais, um deputado federal, eleitos em Vitória da Conquista, e outros tantos que foram votados aqui, se a gente se unir e usar a nossa força podemos ainda conseguir fazer com que a Bahiagás mude de opinião. É o que eu penso, por isso, vamos continuar lutando.

Em relação a BR 116, nós achamos um desrespeito o que a Via Bahia faz. Na região de Feira de Santana, tudo, na região de Vitória da Conquista, nada, isso está errado. A Câmara de Vereadores tem que levantar a voz sempre que Conquista estiver sendo injustiçada – e neste caso está. A Câmara tem que se manifestar sobre os grandes temas do município, pois fomos eleitos para isso. E na nossa gestão tudo isso vai ter um relevância muito grande, vamos fazer com que ecoe até os nossos dirigentes, presidente da República, governador, para que Conquista possa ser olhada com outros olhos.

Muitas dessas demandas estão passando despercebidas e Vitória da Conquista está ficando de fora. Mas, eu quero lembrar o seguinte: quando o saudoso ex-deputado Coriolano Sales levantou a bandeira para trazer o anel viário as pessoas também não acreditaram e ele liberou uma grande campanha junto à bancada baiana na Câmara de Deputados, mobilizou e tornou possível a obra. Quando a Câmara se levantou e foi a Brasília em busca do novo aeroporto muitas pessoas reclamaram, disseram que os vereadores estavam malucos e não ia ter o aeroporto, que era um sonho de boteco, mas, uma vez mais, foi provado que com luta e participação política é possível reverter algumas situações e trazer o benefício para o município. Hoje, a demanda nossa é por uma nova barragem, pela universidade, pela segurança pública, é para o gasoduto e temos que tomar como exemplo essas lutas do passado e fazer com que novas conquistas se tornem realidade. E sobre isso a população pode contar com a Câmara, pois vamos debater todos os grandes temas, não vamos fugir de nenhum assunto e estaremos presentes em todas as discussões em prol de benefícios para Vitória da Conquista

O que Vitória da Conquista pode esperar da Câmara de Vereadores a partir da sua gestão?

Será uma Câmara cada vez mais próximo da população, transparente e, como eu disse, que vai lutar para melhorar nosso município em todos os aspectos. A Câmara não vai se apequenar diante das grandes demandas, muito pelo contrário, vai se agigantar diante das questões e das dificuldades que eventualmente possam prejudicar o município, para mostrar, cada vez mais, a importância que Vitoria da Conquista tem no cenário baiano e nacional.

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