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Esporte Futebol

Dez garotos mortos, dez sonhos queimados, a dor pela tragédia no CT do Flamengo

Eles tinham entre 14 e 16 anos. Construíam suas histórias com talento e muitos sonhos e tudo sinalizava que estavam fadados ao sucesso. Eram como artilheiros na boca gol. O destino – e fatores que as investigações vão mostrar – no entanto, levantou a bandeira antes da hora, marcando um injustíssimo impedimento e os empurrando para a página das tragédias nacionais.

Os meninos não vão mais disparar em arrancadas em direção ao gol ou não vão mais fazer a ponte que despacha a bola e todo o perigo para longe da área. Não vão mais esquentar a partida, acender a torcida, incendiar o jogo com suas pernas elétricas.

Porque o ar condicionado pegou fogo primeiro. O conforto artificial lhes trouxe a dor e o adeus. A frieza da morte impõe, agora, o calor incômodo da saudade.

No Rio de Janeiro choveu muito esses dias. Águas descidas do céu encharcaram o solo. Agora, lágrimas fazem a lama de mais uma tragédia nacional se espalhar a partir da Cidade Maravilhosa e, desde então, muito triste, para o restante do país, invadindo os rincões de onde alguns desses meninos saíram e onde sonhos de atletas promissores – como eram os dez craques que perdemos hoje – recarregam as baterias de fé e esperança de pais, mães, famílias, amigos, cidades inteiras.

Tem gente chorando por todo o Brasil. O país já está com os olhos inchados. Brumadinho nos comoveu até a medula. A morte dos meninos nos corrói partes da alma.

Dez meninos bons de bola morreram em um incêndio causado por uma razão qualquer, que ainda se conhecerá, o que não alterará o estrago na nossa alegria. Dez são uma multidão. Que causa um lamento maior que mil Maracanãs.

Eu mesmo, que chorei por Brumadinho, por Emiliano Sala e pelo piloto David Ibbotson e choro pelos adolescentes queimados – todos os dias – pelo fogo das balas de revólver na guerra brasileira, agora, tento enxugar as lágrimas do choro pelos meninos que “comiam a bola”, que iam mudar as vidas dos pais, fazer a alegria de sua gente, de tanta gente, da gente.

Me lembro agora da música de Moacyr Franco, Balada No. 7, em homenagem a Mané Garrincha: “Mas pela vida impedido parou. E para sempre o jogo acabou. Suas pernas cansadas correram pro nada. E o time do tempo ganhou.”

Onde era ‘vida’, coloco destino. Onde diz ‘cansadas”, coloco ‘cheias de vida’. E onde diz que ‘time do tempo’, a gente sabe qual time foi. E aí dói mais.

ADEUS, CRAQUES.

Athila Paixão

Era de Lagarto, Sergipe, e jogava no clube desde março de 2018. O pai contou ao G1 que, em sua última conversa com o filho, ele disse que treinaria no Maracanã na sexta. Faria 15 anos no dia 11 de março.

Athila está entre as vítimas diz o pai do atleta — Foto: Arquivo Pessoal

Arthur Vinicius

Morava com a mãe e a tia em Volta Redonda, no RJ, e completaria 15 anos neste sábado (9). Era zagueiro e jogava no Flamengo havia três anos. No fim de 2018, foi convocado para a seleção brasileira sub-15.

Arthur Vinicius tinha 14 anos e faria aniversário no dia seguinte ao incêndio — Foto: Reprodução/Rede Social

Bernardo Pisetta

Nascido em Santa Catarina, era goleiro e chegou ao Flamengo em agosto. Antes, jogou no Athletico-PR e em equipes de futsal no Vale do Itajaí, em SC.

O goleiro Bernardo Pisetta, do time de base do Flamengo — Foto: Reprodução/TV Globo

Christian Esmério

Goleiro, era uma das principais promessas do Flamengo.  Acumulava convocações para as categorias de base da seleção brasileira. No fim do ano, postou uma foto com o técnico Tite.

Christian era goleiro do time de base do Flamengo — Foto: Reprodução/Facebook

Gedson Santos

Tinha 14 anos e era natural de Itararé (SP). O meio-campista era recém-contratado do Athletico Paranaense. Ele tinha ido para o Rio de Janeiro há uma semana e estava no Centro de Treinamento há apenas dois dias, segundo o tio Agenor Monteiro.

Gedson dos Santos morreu no incêndio — Foto: Arquivo Pessoal

Jorge Eduardo Santos

Tinha 15 anos e era de Além Paraíba (MG). Ele começou a jogar futebol aos 7 anos e chegou às categoria de base do Flamengo aos 12 anos.

Jorge Eduardo Pereira dos Santos, volante do Flamengo de Além Paraíba — Foto: Divulgação

Pablo Henrique da Silva Matos

Primo do zagueiro Werley, do Vasco, joga no sub-17 do Flamengo, é de Minas Gerais e morava no centro de treinamento.

Pablo, do Flamengo — Foto: Arquivo Pessoal

Rykelmo de Souza Vianna

Tinha 16 anos e atendia pelo apelido de Bolívia. Era natural de Limeira (SP) e jogava no meio de campo, como volante. Ele jogava na categoria de base do Flamengo e iria completar 17 anos no próximo dia 26.

Rykelmo de Souza Viana era volante da categoria sub-15 do Flamengo — Foto: Reprodução

Samuel Thomas Rosa

O garoto de 15 anos era morador de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Preferiu dormir no CT para voltar para a Baixada nesta sexta. Samuel jogava de lateral direito.

Samuel é um dos mortos no incêndio que atingiu o Ninho do Urubu — Foto: Reprodução/Facebook

Vitor Isaías

Nascido em Santa Catarina, tinha 15 anos. Era atacante e tinha seis meses de Flamengo. Começou a carreira no futsal do Figueirense.

Vitor Isaías era atleta das divisões de base do Flamengo — Foto: Reprodução/Facebook

Feridos:

  • Cauan Emanuel Gomes Nunes, 14 anos
  • Francisco Diogo Bento Alves, 15 anos
  • Jhonatan Cruz Ventura, 15 anos (está em estado grave)
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2 comentários em “Dez garotos mortos, dez sonhos queimados, a dor pela tragédia no CT do Flamengo

  1. Eu hoje vejo meu coração caído em lágrimas e a minha voz rouca quase sem palavras….a cada atleta desses deixo minha bandeira hasteada e meus sentimentos por cada sonho desses interrompidos…..que minhas orações a cada nome desses partidos se faça fértil …..aplausos a esses meninos guerreiros e valentes de uma trajetória de orgulhos inagáveis….

  2. As vezes é preciso ser forte e não desistir e acreditar que tudo é possível quando cremos que nada se faz por acaso…

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