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Cultura

Atrás do trio elétrico só não vai quem mora longe. Carnaval Conquista Cultural será no Boulevard Shopping

“Pensei em fazer no Glauber (Espaço Cultural Glauber Rocha, no bairro Brasil), mas, este mês de fevereiro será montado o planetário lá no espaço, então, por ser muito sensível [o equipamento], desisti”. Assim o produtor cultural Dylan Júnior começou a responder a uma entrevista do BLOG sobre a mudança do Carnaval Conquista Cultural da praça para o Boulevard Shopping. Segundo ele, a mudança se deu porque o público que frequenta a festa cresceu muito. “Preferi levar para o shopping porque é mais amplo, com certeza dará mais segurança ao folião”. Dylan disse que o shopping não está dando qualquer patrocínio, apenas cedendo o espaço.

O BLOG quis saber se, independente, do equipamento que deverá ser instalado no planetário, a prefeitura chegou a liberar o espaço do Glauber Rocha e o produtor respondeu: “Não, justamente por esse motivo: planetário.” Dylan Júnior adiantou que estão chegando técnicos dos Estados Unidos para montar o planetário e avaliar quais as atividades que poderão continuar a se realizar no espaço, por causa da sensibilidade do equipamento “ao som, às vibrações, uma série de coisas”. Essa condição teria se tornado impeditiva para a realização da festa no Glauber Rocha, mais perto da maioria das pessoas que se locomove de ônibus e aproveitaria a mudança para experimentar o carnaval cultural de Vitória da Conquista.

“Partiu de mim [a decisão de não fazer o evento no Glauber Rocha]. Mesmo se liberassem eu não ia fazer, porque eu não queria realmente, assim, de repente, ser logo o primeiro evento a fazer ali – e o carnaval cresceu muito – e depois danificar alguma coisa. Eu mesmo falei assim: ‘Não, pode cancelar o ofício que fiz solicitando o espaço’. Quando falaram que realmente já estão esperando o pessoal que está chegando de fora para montar, eu falei, ‘não, deixa pra lá, vamos pensar isso em outra ocasião’”.

Sobre as críticas acerca da distância do local da festa, Dylan Júnior, admitiu que “realmente, ficou um pouco distante, mas gente tem que pensar é por um todo”, e disse que estava indo à empresa Cidade Verde, pedir que nos dias do carnaval disponibilize ônibus à vontade “para levar o povo para lá. A gente tem que ver alguma alternativa para que o pessoal possa ir”, afirmou. Segundo ele, a praça da Bandeira é bem central, “mas, ficou pequena para o evento. A gente espera um público maior que no ano passado e aquela praça não comporta. A gente tem que pensar no folião, a gente tem que pensar em problemas, em acidentes, em tudo enfim, a gente tem que dar um conforto maior ao público. E segurança, em primeiro lugar”.

Embora o produtor cultural toque no assunto da segurança, é importante ressaltar que em nenhuma das edições do Carnaval Cultural na Praça da Bandeira houve ocorrência grave, segundo informações da Polícia Militar divulgadas à época. De acordo com a PM, a festa do ano passado, que teve o maior público de todas, foi de “tranquilidade absoluta. Não tivemos nenhuma ocorrência relevante”, conforme o portal da prefeitura na internet. Dylan disse que a decisão de mudar da praça da Bandeira para o estacionamento do Shopping Boulevard foi tomada na quarta-feira (6), depois que ele conheceu o espaço e viu que as dimensões são propícias para uma festa mais organizada. Até o dia 6 estava tudo certo para a festa ser no mesmo local de antes, reduzida em um dia para dar tempo das ruas serem lavadas e desaparecer o cheio de xixi.

“Vamos fazer uma coisa mais organizada e com mais segurança para poder acolher o folião de Conquista e região”, prevê Dylan. “A questão de ir, realmente, é longe. Mas, é aquilo tipo de coisa, é Conquista. É distante é, mas está aqui em Conquista. Acredito que a empresa de ônibus vai dar uma força em relação a isso, porque deve ser de interesse dela, pois Conquista para no período de carnaval, o que movimenta a cidade é o Carnaval Conquista Cultural. Acredito que a Cidade Verde vai disponibilizar “alguns ônibus que possam levar e trazer de volta os foliões”.

NOTA DO BLOG

O crescimento do Carnaval Conquista Cultural é notório e notável. Tudo começou com uma inciativa despretensiosa e informal de um bloco chamado Curtaki. No primeiro ano, em 2012, os foliões, aí incluídos crianças, jovens, adultos e idosos, sozinhos, em pares, grupos ou em família, desceram da Praça do Tiro de Guerra até a Praça Barão do Rio Branco, ao som de marchinhas carnavalescas tocadas pela banda de sopro do histórico e cultural músico e personagem Seca Gás.

No ano seguinte o trajeto mudou e passou a sair da Praça da Escola Normal.  E a partir de 2016, o evento passou a acontecer na Praça da Bandeira, já sob a organização da Associação dos Blocos Carnavalescos de Vitória da Conquista (ABCVC), o que representou o começo do fim da espontaneidade do evento do ponto de vista da organização, e o início de uma visível institucionalização da festa, ainda mais marcante no ano passado.

Com o crescimento do evento, a forma de promoção a partir de uma entidade e centralizada em uma direção, é positiva, favorece à organização e garante patrocínios e apoios que, se bem distribuídos aos blocos e cortejos, ajudarão a que o Carnaval Conquista Cultural se mantenha vivo por muito tempo. O BLOG ressalva que o produtor cultural Dylan Júnior e sua equipe têm feito um trabalho elogiável até aqui, que merece nossos parabéns e agradecimento. Contudo, por se tratar de algo que nasceu com a natureza da espontaneidade, para ser de todos, feito por todos e curtido por todos, tendo se ampliado como evento de toda a cidade, preocupa a primeira pessoa nas declarações de Dylan.

Já temos o exemplo histórico da micareta: quando passou a ser identificada como um evento associado a uma pessoa, em particular (isso, independente se a identificação era justa ou injusta), a micareta morreu.

Enfim, que sejam de bons augúrios o carnaval do povo no shopping longe do povo.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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