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Chuva x Lomantão: “Isso é que é sistema de drenagem!”, elogiou Tadeu Schimidt sem saber quem fez

Primeiro foi a Rede Bahia. O narrador-torcedor Thiago Mastroianni destacou a excelente drenagem do estádio Lomanto Júnior, em mais de um momento da sua narração do jogo Vitória da Conquista e Bahia. Segundo ele, após o temporal a drenagem do gramado foi perfeita. Isso bastou para que correligionários e seguidores do prefeito Herzem Gusmão disparassem pelo WhatsApp mensagens parabenizando o prefeito e equipe, que teriam feito a drenagem elogiado por Mastroianni. O ponto central das mensagens era uma espécie de desagravo da administração: “Depois de terem criticado tanto o trabalho da prefeitura, falando mal do gramado, devem reconhecer que o trabalho foi bem feito”.

Quase imediatamente veio a reação. Colaboradores da gestão anterior e amigos do ex-prefeito Guilherme Menezes e do ex-secretário de Esportes Nagib Barroso correram para esclarecer que a implantação do sistema de drenagem atual foi feita por eles, que a atual gestão cuidou apenas da recuperação do gramado, dos corrimões da arquibancada e das melhorias em banheiros e vestiários.

A enxurrada de elogios de lado a lado têm razão de ser. Depois de quase 50 minutos de chuva torrencial, o gramado resistiu e o jogo fluiu normalmente. Um pouco de água ainda dava para ver por boa parte do jogo no corredor direito do campo, em frente aos vestiários, mas nada que impedisse a bola de rolar e os jogadores de fazer as melhores jogadas.

À noite, durante os gols do Fantástico, a Globo exibiu as cenas da tempestade sobre o Lomantão, incluindo a cascata de água, terra e pedras na arquibancada, resultado da queda de uma parte do muro do estádio Lomanto Júnior, felizmente sem ferir ninguém. No decorrer da apresentação, Tadeu Schimidt fez questão de destacar a drenagem: “Isso é que é sistema de drenagem”.

“Depois de tanto tempo mostrando os gols eu achava que já tinha visto de tudo no futebol” – disse o apresentador do Fantástico antes de começar a mostrar as imagens da água descendo forte pela arquibancada do Lomantão. “Eu estava enganado – prosseguiu. A arquibancada virou cachoeira! Que é isso, rapaz? Dá para acreditar nessas imagens? Olha! É o estádio Lomanto Júnior, em Vitória da Conquista, na Bahia. O pessoal se abrigando mais acima, indo embora, e a cachoeira lá. Campo alagado… Mas, surpreendentemente, depois de 18 minutos de atraso, a bola rolou e não rolou mal, não”, afirmou Tadeu Schimidt e cravou: “Isso é que é sistema de drenagem”.

Para ver o vídeo com Tadeu Schimidt (Vitória da Conquista está depois de 4’14”), clique aqui.

Depois que o apresentador do Fantástico disse isso a campanha pelo crédito do bom serviço ganhou mais intensidade. Como aliás, está acontecendo com tudo em Vitória da Conquista, uma grande disputa de paternidade, seja para as coisas boas ou para as ruins. Quem viabilizou o aeroporto? Quem fez o que no Cristo? O asfalto da rua foi dinheiro de quem? Quem fez a creche/ Quem não fez? A fraquíssima evolução nos índices do Ideb foi milagre de que ano? A culpa das enxurradas é de quem? Quem foi o responsável para que campo de futebol não encharcasse?

AINDA PODE MELHORAR

Mas, nem tudo tem só uma verdade. A água não ficou acumulada por conta do sistema de drenagem, que nunca foi ruim. O Lomantão sempre foi elogiado pela drenagem do campo. Em 2016, depois de constatar que já estavam começando a ocorrer problemas, a prefeitura resolveu trocar o sistema por um mais moderno. Aproveitou e trocou também o gramado. O prefeito era Guilherme Menezes e o secretário de Esportes Nagib Barroso.

Este ano, quem foi mexer no estádio foi o governo Herzem Gusmão. O principal ponto foi, justamente, o gramado. Não a drenagem. A grama estava passando por ameaças de fungos. Cara, teria que ser recuperada. E foi. O trabalho da equipe comandada por Marcos Ferreira, secretário do Gabinete Civil a quem cabe o esporte, incluiu arrumar os vestiários, banheiros, cabines de imprensa, tribuna de honra e dotar a arquibancada de corrimões. O gramado recebeu especial cuidado e isso também foi fundamental para que houvesse jogo depois do temporal. Porque o gramado resistiu. Poderia ter sucumbido. Não bastava a água correr para os drenos, o gramado teria que ter resistência, não se soltar em tufos ou se esburacar, já que o terreno estava encharcado e mole.

Assim, créditos em cada lugar, vem a questão final: e o estádio, em si?

É charmoso ter um campo de futebol incrustado em um bosque. É lindo o Lomantão nas fotos e visto de cima, mas o espaço ainda é malamanhado: cabines de imprensa, tribuna de honra, banheiros… Coisa de décadas e décadas, só recebendo ajustes e pintura ano a ano. Quem estava no estádio, ontem, viu que o fato de não haver uma infraestrutura adequada vai fazer o torcedor sofrer toda vez que acontecer outro temporal. Lama, pedras, pedaços de madeira, chão irregular, com valas abertas, área de acesso às cabines de rádio e TV cheia de poças de água, terreno escorregadio e total desorganização na área onde se vendem lanches e bebidas. Não pode melhorar? Fere algum preceito ambiental?

Isso é feio e ruim. Se arrumar pode ser que ganhe parabéns nas redes sociais e elogio no Fantástico de novo.


FOTOS: GIORLANDO LIMA; FOTO DESTAQUE DE TADEU SCHIMIDT/REDE GLOBO: REPRODUÇÃO DA INTERNET

 

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One thought on “Chuva x Lomantão: “Isso é que é sistema de drenagem!”, elogiou Tadeu Schimidt sem saber quem fez

  1. Além de melhorias na estrutura física do estádio, é preciso adotar providências urgentes no que concerne a arborização existente no local, pois a maioria das árvores (eucalipto) é velha e apresenta problemas fitossanitários.

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