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EDITORIAL | Caso da bala perdida na Prefeitura da Zona Oeste não pode demorar para ter resposta da polícia

Esta não é uma crítica à polícia e nem uma contestação à versão conhecida sobre o episódio da bala perdida, ocorrido ontem (7) nas instalações da denominada Prefeitura da Zona Oeste, localizada no bairro Brasil. Rememorando: uma bala teria perfurado a parede de uma das salas onde servidores atendem a população no Centro Cultural Glauber Rocha. Isso teria ocorrido pela manhã, mas só foi percebido à tarde e divulgado pela prefeitura somente à noite.

A primeira pergunta a ser respondida, missão para o jornalista Diego Gomes, secretário ao mesmo tempo da Transparência e da Comunicação (uma boa ideia de fusão que o prefeito Herzem Gusmão pode analisar), é: por que um fato tão sério que aconteceu pela manhã só foi reconhecido e apresentado à população 12 horas depois, à noite? Foi o tempo para se chegar a uma versão? Foi orientação da polícia? Foi displicência ou negligência diante de um fato de tamanha gravidade?

A outra pergunta está a cargo das investigações da Segunda Delegacia Territorial responder (o blog não entende os trâmites, por isso não sabe porque está com essa delegacia): de onde saiu a bala? Teria sido atirada de que distância? A pessoa estava dentro do Glauber Rocha? Foi um tiro dado do meio da rua? Quem ouviu o tiro? Se foi de dentro do espaço onde está a Prefeitura da Zona Oeste, por que ninguém ouviu o disparo e só à tarde os servidores acharam a bala e o furo na parede?

Há duas questões a envolver a bala perdida. Uma é: quem atirou, estando dentro do Espaço Glauber Rocha, atirou no quê ou em quem? A gente não pode esquecer que aquele é um espaço institucional, onde, por força de uma reforma no gabinete principal, na Praça Joaquim Correia, o prefeito também atende e despacha diariamente. Isso não é qualquer dado. Quais as condições para que Herzem Gusmão e demais servidores continuem a trabalhar ali? Mesmo com toda fé propagada pelo governo e defendida pelos servidores evangélicos como tendo sido a razão para que um deles – ou mais – tenha se livrado de ter estar no caminho da bala perdida, fica evidente que a segurança ali deixa a desejar.

Mas, se o tiro não foi dado lá dentro, mas em qualquer ponto fora, os questionamentos não diminuem. Porque o episódio enseja a preocupação de que a cidade não esteja segura. Mais gente do que um grupo de servidores municipais estava em situação suscetível de ferimento. Transeuntes, crianças, idosos, homens e mulheres que não sabiam que alguém estava armado e que atiraria no meio da rua. No quê? Em quem? Por quê?

Enfim, não é uma coisa qualquer achar um projétil de arma de fogo deflagrado sobre uma mesa numa repartição oficial e em seguida perceber um buraco na parede, logo atrás da cadeira de um servidor público que, naquele local, atende pessoas todos os dias. Não é qualquer coisa que um tiro tenha sido dado em qualquer ponto da cidade e tenha atingido uma instituição pública.

Há muita investigação sem fim no Brasil, na Bahia e em Vitória da Conquista. Crimes que viram notícia de blogs e depois arquivo da polícia. As razões são muitas e a maioria explica, justifica e perdoa os agentes policiais, mas não o Estado, que precisa dar respostas. Neste caso da Prefeitura da Zona Oeste, de forma urgente – e rápida. Não apenas porque a bala atingiu uma das salas próximas ao local onde trabalha o prefeito Herzem Gusmão, mas porque antes dele, no entorno do Centro Cultural Glauber Rocha, há uma cidade, uma população e o tiro foi dado onde essa cidade e essa população se movimentam.

Não se pode dizer que no atentado da Prefeitura da Zona Oeste não houve vítima. Vitória da Conquista foi a vítima. O episódio confirma que os homicídios diminuem, mas os riscos não. O risco traz o medo e uma forma de reduzir ou acabar com o medo é a sociedade ter resposta dos organismos de segurança, do Estado. Saber que a polícia apura, descobre os culpados e suas razões e o coloca na prisão, deixa a cidade com um pouco mais da almejada sensação de segurança, confiante de ir e vir, usufruindo de equipamentos como o Centro Cultural Glauber Rocha, a Prefeitura da Zona Oeste, a feira, o mercado, o bar,  a igreja, a escola, a praça, a rua… com mais confiança.

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