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Hoje não é o dia das namoradas, das mães, da amiga. Embora seja o dia de todas elas, é o Dia da Mulher. Conheça a história

Quem sou eu para dizer que você não deve dar bombons para as suas colegas de trabalho, flores para sua namorada ou esposa, abraços carinhosos na sua mãe ou postar mensagens de felicitações com imagens coloridas nas redes sociais. Isso é bom. Mas, hoje não é o dia. Hoje é o dia de colocar a mão na consciência, como se diz, e perguntar se, além de beijar a mulher que está a seu lado, você a respeita plenamente e a TODAS AS OUTRAS.

O Dia Internacional da Mulher não surgiu como um dia de festa, de homenagem, como o dia das mães ou dos namorados. Foi instituído para lembrar da luta das mulheres para ter o espaço que lhe é devido na sociedade e que lhe vem sendo negado desde a origem e ainda é negado nos dias de hoje.

A data é celebrada em 68 países, além do Brasil. Sobre a sua criação há muitas versões. Mas, não é verdade que o Dia da Mulher surgiu depois de um incêndio numa fábrica nos Estados Unidos. Essa versão traz uma carga de dor e comoção, porque o fato foi grandemente lamentável. O incêndio aconteceu. Foi na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, no dia 25 de março de 1911. O fogo tomou o prédio de dez andares onde a empresa ocupava os últimos três. Avisados a tempo, a maioria dos ocupantes dos primeiros andares se salvou, mas, não os do nono. Havia apenas duas portas e as duas estavam fechadas para evitar que os trabalhadores saíssem durante o horário de trabalho, de 14 horas por dia.  Morreram mais de 150 pessoas, 85% eram mulheres.

Não é incorreto afirmar que as mulheres deram início à sua luta por direitos e espaços iguais em um lugar longe de todo mundo, na Nova Zelândia, em 1893, quando, tendo à frente Kate Sheppard, elas garantiram o direito ao sufrágio, isto é o direito de votar.  Quatro anos depois, as mulheres pediram a mesma coisa no Reino Unido. Em 1897, Millicent Fawcett fundou a União Nacional pelo Sufrágio Feminino e as mulheres fizeram vários movimentos, inclusive greve de fome em busca de reconhecimento de seu valor como cidadãs.

Os movimentos de mulheres em buscar igualdade e pelo respeito aos direitos inerentes à sua condição humana e com participação na construção da sociedade se intensificaram a partir de 1908. Primeiro, ainda pelo voto, nos Estados Unidos. Depois pelas condições de trabalho, como no dia 28 de fevereiro, quando o Partido Socialista da América, celebrou um dia da mulher em memória de uma greve ocorrida um ano antes, também envolvendo trabalhadoras do setor de fabricação de roupas.

Em 1910, a Internacional Socialista realizou uma conferência internacional em Copenhague, capital da Dinamarca, quando foi aprovada a criação de um Dia Internacional da Mulher, proposta pela alemã Clara Zetkin, mas não foi definida uma data. No ano seguinte, em quatro países, Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça, milhões de pessoas foram às ruas pedir igualdade para as mulheres no trabalho e na política. Isso foi no dia 19 de março de 1911.

A data de 8 de março tem uma relação histórica com a Revolução Bolchevique na Rússia. Em 1917 os russos ainda adotavam o calendário implantado por Júlio César, em 46 a.C e era 23 de fevereiro do calendário Juliano quando irrompeu uma greve de mulheres que trabalhavam no setor de tecelagem (que era o setor industrial onde elas eram admitidas), acabando por levar à queda o czar russo Nicolau II e ao direito do voto para as mulheres. O dia de 23 fevereiro coincidia com o 8 de março do calendário gregoriano que jé era usado no Ocidente.

Durante muitos anos esta data foi comemorada em vários países do mundo, especialmente naqueles que formavam o antigo bloco socialista, formado após a Segunda Guerra Mundial. No Ocidente não durou muito e acabou esquecido, sendo ressuscitado pelos movimentos feministas em meados dos anos 1960.

Até que a ONU declarou o ano de 1975 como o Ano Internacional a Mulher, estabelecendo a data de 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, como forma de rememorar as lutas e as conquistas femininas nos diversos campos. Uma data em memória de um jornada difícil, incompreendida, perseguida, injustiçada, maltratada, que nem sempre terminou em vitória individual, mas que vem constituindo uma vitória coletiva no decorrer dos anos.

A data se mistura com festa, com flores, bombons e cards nas redes sociais. Mas, não é isso. Ou não é só isso. Vale comemorar, sim. Elas podem, se achar que devem. Os homens, ao dar rosas e bombons, se o fazem conscientes do que representa a data, estariam agradecendo, porque a luta das mulheres faz uma sociedade melhor, fornecem uma perspectiva de mais justiça no mundo. Se não sabem porque as parabenizam é importante procurar saber.

O Dia Internacional da Mulher não é uma data que foi escolhida pelo mercado, nem pela mídia. Foi construído pela luta das mulheres. Para elas e para nós, se pensarmos que as conquistas que obtiveram (e ainda falta muito) proporcionam avanços também para todos os homens. O dia 8 de março é uma data de consciência. Dia de pensar no respeito às mulheres como seres com os mesmos direitos que os homens e de refletirmos sobre o quanto participamos com elas na sua luta.


FOTOS: INTERNET. FOTO DESTAQUE: ARTE MARAVILHOSA TOMADA POR EMPRÉSTIMO DA AGÊNCIA 3TOM DIGITAL (INTERNET)

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