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Irresponsabilidade? Decano do radialismo chuta o pau da barraca e diz que houve atentado político na Prefeitura da Zona Oeste

Humberto Pinheiro é radialista há muitos anos. Está na história da comunicação de Vitória da Conquista e da Bahia. É um dos decanos do radialismo conquistense. Tem o respeito de grande parte da cidade. Influencia muita gente. Eu mesmo o ouço e, ainda que, eventualmente, discorde do que ele diz, respeito seu posicionamento e não deixo de considerá-lo um comunicador competente. Ele tem posição política conhecida e isso é absolutamente normal e legítimo.

Toda profissional de imprensa – como outra pessoa qualquer – tem lado, uns assumem mais, outros menos; alguns buscam mais a isenção, outros não fazem questão. E até isso pode ser considerado normal, já que é comum. O problema é quando, no afã de defender os políticos a quem segue, o profissional resvala para o exagero. E foi isso o que Humberto Pinheiro, na condição de âncora do programa Sudoeste Agora, fez nesta sexta-feira, ao comentar o episódio da bala que atingiu uma das salas da prefeitura no Centro Cultural Glauber Rocha.

Pinheiro começa o comentário na linha sensata. Diz: “Taí. Sinônimo da violência que grassa por todo o país e aqui na Conquista não é diferente. Embora nós não tenhamos tido notícia de nenhuma bala perdida que tenha atingido um ambiente tão sensível quanto o ambiente da Prefeitura Municipal de Conquista, no seu gabinete móvel, lá na Zona Oeste. Um atentado, uma violência contra a segurança individual. As pessoas estão lá trabalhando e, daqui a pouquinho, são surpreendidas por uma bala perdida furando e cruzando o ambiente onde elas trabalham. É preciso que a Polícia Militar, as autoridades, façam um cerco, primeiro ao local, para que não se repita esse atentado, e, segundo, que se proceda uma investigação a mais profunda possível no sentido de identificar os criminosos…”

Daí em diante, BLOG não teme dizer, o respeitado comunicador passou do tom e fez uma aposta de altíssimo risco, inspirada em seu posicionamento de defesa do governo Herzem Gusmão, ao jogar mais acidez sobre os já castigados sentimentos políticos locais, ao chutar o pau da barraca, como se diz popularmente, e enfatizar que o episódio foi um atentado político deliberado para atingir o governo. E isso depois de ter dito que não há ainda investigação e que ela é necessária para que se possa dizer quem e por que atirou. O que Humberto fez extrapola a sensatez. Mesmo dizendo que não tem qualquer prova, ele fez uma aposta no escândalo. Ninguém pode dizer que não foi atentado, no sentido de agressão, ou que quem atirou não queria atingir alguém específico naquele local.

Mas, a mínima leitura faria ele pensar duas vezes. O atirador mirou numa parede arriscando acertar uma pessoa do outro lado? A quem? Naquela sala estariam servidores com função política? Mais uns dois minutos de reflexão ele não faria as afirmações que fez. Por que ele decidiu tensionar o ambiente político desse jeito? A quem direcionou sua fala? Quantas vezes houve atentados políticos em Vitória da Conquista? Há clima e razão para ele acontecer agora? Não. Já não se pode dizer que a intenção do discurso não mira um beneficiário.

“A mim parece que essa é uma atitude de agressão política, porque não se registrou nenhum fato de briga no entorno da prefeitura, do gabinete da Zona Oeste. Não se verificou nenhum confronto em que as pessoas estivessem armadas, pelo menos as investigações não registraram esse fato. E é, na verdade, no mínimo curioso que uma bala venha e rompa a parede de um ambiente em que está funcionando a Prefeitura Municipal de Conquista. É preciso que se faça uma investigação. E na minha avaliação, é um atentado de natureza política, eu não tenho a menor dúvida, ainda que, ainda que, não possa ter aqui provas substanciais que possa embasar o que tou colocando aqui. Mas, eu sou obrigado a admitir que tenha fundo de um atentado de iniciativa política. Porque as investigações não conseguiram identificar nenhum atrito no entorno em que as pessoas estivessem armadas, correto? Daí desembocar, o meu raciocínio nesse tipo de pensamento, nesse tipo de posição”.

O palpite arriscado de Humberto Pinheiro, com incontestável viés político, se vier a se confirmar nos colocará a todos a pisar em brasa quente nas discussões político-partidárias que ja começaram, com a aproximação do ano da eleição de prefeito. Se negado, será um prejuizo não apenas para ele e sua destacada história de comunicador, mas também para o grupo político ao qual ele direcionou a sua defesa. Vai ser difícil explicar que não foi uma aposta combinada.

Quanto à ocorrência, em si, estão com a palavra as autoridades, em especial a delegada Jaqueline Ferreira, da 2ª Delegacia Territorial, que está à frente das investigações.

OUÇA O ÁUDIO EM QUE HUMBERTO PINHEIRO AFIRMA QUE NÃO FOI BALA PERDIDA, MAS UM ATENTADO POLÍTICO.


FOTO DESTAQUE: HUMBERTO PINHEIRO (AUTORIA: BLOG DO ANDERSON)

 

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