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Eleições Política

Eleições de prefeito 2020 | Herzem se mexe, candidatos a terceira via se mexem e PT espera cair no colo

Entre 1º de janeiro 1983 e 31 de dezembro de 1988 Vitória da Conquista testemunhou um dos governos mais produtivos da sua história. Naquela época foram construídas dezenas de obras que ainda hoje servem à população, pela sua qualidade técnica e pela forma como foram planejadas, considerando a mobilidade urbana (presente e futuro) e o crescimento da cidade. Tem gente que há anos diz que o terminal tem que sair da Lauro de Freitas e ir para o lugar do Ceasa, que mudaria para qualquer lugar. O terminal foi feito em 1984, a feira em 1986, desde que o prefeito José Pedral os inaugurou, Conquista já teve quatro prefeitos. Os dois equipamentos são exemplos de obras bem pensadas e não mudaram sua destinação e atendem à população há bem mais de 30 anos.

A isso se chama planejamento. Mas, este não se completa sem ação.

O mesmo Pedral – que fez o terminal e as feiras (Ceasa e bairro Brasil), dezenas de escolas, esgotamento sanitário do bairro Brasil, biblioteca, Hospital Esaú Matos, asfalto na cidade e na zona rural, modernização do centro da cidade, praça Tancredo Neves, etc., continuou planejando, mas engolfado nas dívidas que ele mesmo fez quando construiu as obras mencionadas, quando não havia repasses federais, como existem agora do SUS, do Fundeb (educação), assistência social e outros que ajudam prefeitos a pagar contas e a investir – não fez quase nada no seu terceiro mandato, entre janeiro de 1993 e final de 1996.

Enquanto o governo pedralista se via às voltas com atraso no pagamento de salários, deficiência na limpeza pública, ausência de obras (só dá para lembrar do Bigode de Pedral e da intervenção na área do Poço escuro, para fazer uma ligação do bairro Guarani ao centro, passando por baixo do viaduto), a oposição se movimentava. Na Câmara provocava uma CPI, constrangia aliados do prefeito; na cidade usava a mídia, os programas de rádio, incluindo a Resenha Geral do Meio Dia, com o atual prefeito Herzem Gusmão à frente, e pressionava a administração com denúncias de corrupção, leniência e incompetência. Sem dinheiro, o governo de Pedral sucumbiu.

Quando vieram as eleições de 1996 a questão da corrupção e a denúncia de escândalos estavam mais ou menos refreadas. Mas, a cidade estava suja, a prefeitura funcionava mal e, mais que tudo, cerca de 4 mil servidores estavam revoltados pelos prolongados atrasos no pagamento de salários. O grupo pedralista ainda rachou, sob inspiração de Antônio Carlos Magalhães, que convenceu o ex-prefeito Murilo Mármore, aliado de Pedral, graças a quem foi eleito em 1988, a sair candidato pelo PL, contra o prefeito, que manteve seu apoio a Yvonilton Vonca Gonçalves, pelo PPB. A chapa que tinha Guilherme Menezes (PT) como candidato a prefeito e Clóvis Assis (PSDB), vice, apoiada por ex-pedralistas e adversários mais notáveis do prefeito, ganhou de goleada, obtendo 59,75% dos votos, mais de 20 pontos percentuais a mais que Murilo (19,76%) e Vonca (19,52%) juntos. Tarcísio Matos, do PCdoB, teve 0,97%.

Três fatores foram fundamentais para que isso acontecesse. 1. Desgaste do governo; 2. Cisão na base do governo; 3. Unidade das oposições. Tudo bem que ainda não havia eleição em dois turnos, essa desculpa que os partidos têm para lançar candidatos sabendo que não têm chance, gastar dinheiro do povo na campanha e depois apoiar o candidato que eles já poderiam ter apoiado no primeiro turno, mesmo assim, a unidade da oposição ao grupo pedalista-carlista foi fundamental.

E hoje, o que temos?

– Um prefeito desgastado, embora as razões sejam muito diferentes daquelas de 1996, porque não há notícia ou denúncia de corrupção, os compromissos com servidores e fornecedores estão em dia, a cidade está limpa, existem obras físicas e há dinheiro para que o prefeito atual tente reverter o desgaste em que se encontra seu governo e a sua própria imagem.

– Uma oposição desgarrada e quase silenciosa. Nem o mais organizado e forte dos partidos opositores se une. Provavelmente acha cedo, mas permite prever que vai repetir 2015/2016, quando se deu ao luxo de refregas internas (chamadas de debate democratico) expostas ao público, combatendo-se mutuamente para firmar seus nomes preferidos para a disputa da eleição, que perderam.

– Um enxame de moscas azuis rondando o cenário e alimentando as “terceiras vias”. Os nomes são muitos. De Davi Salomão (PRTB), o mais forte neste momento, a Ivan Cordeiro (PSDB), que deixou recentemente o governo municipal e tem sido colocado com uma alternativa da direita se ela resolver abandonar Herzem; aos Rangel (PSL), pai ou filho; passando, mais uma vez, por Marcelo Melo, também PSL, ex-candidato a deputado federal e, como Ivan, ex-secretário da administração herzista. Todos estão se movimentando em busca do necessário conhecimento popular que os alavanque à condição de competitivos – e de apoios políticos.

Os Rangel com Magno Malta

Os Rangel (Kleber, pai, e Thiago, filho) anunciam a vinda do ex-senador Magno Malta, que, apesar de ter perdido a reeleição pelo Espírito Santo e ter sido rejeitado pelo presidente Jair Bolsonaro para ser ministro, ainda goza de prestígio no campo conservador. O evento com Malta será na sexta-feira, 15, na Fainor.

Ivan Cordeiro com Marcell Moraes

Ivan Cordeiro desceu esta semana à capital e foi costurar apoio externo em conversas com deputados como João Roma, do PRB (ilustre desconhecido do conquistense), Marcell Moraes, do PSDB (que teve quase 10 mil votos na cidade) e Tiago Correia, conquistense, também do PSDB.

Marcelo (dir) e Lucas, em primeiro plano, com direção do PSL na Bahia

Marcelo Melo conseguiu a direção em Conquista do PSL, partido do presidente Bolsonaro, e lá colocou seu fiel escudeiro, o advogado Lucas Dias.

Davi Salomão em um de seus discursos inflamados na Câmara

Davi Salomão age de forma independente. Na Câmara, não se associa a nenhuma das bancadas e já fez discursos fortes tanto criticando o PT como Herzem e Bolsonaro. Ele comprou uma briga gigante com o governo do Estado por conta das biltzes do IPVA e esse embate, somado ao histórico de defesa da candidatura de Bolsonaro, lhe deu projeção para uma excelente votação para deputado federal. Do ponto de vista de grupo político, Salomão está sozinho, diz que por opção. Não procura deputados. Pelo contrário, assumiu posição frontalmente contra a deputada Dayane Pimentel, principal parlamentar bolsonarista na Bahia, e segue fazendo discursos contundentes contra qualquer político que não seja ele mesmo. Por enquanto, está dando certo e o vereador é o nome a ser vencido na pré-campanha pelos demais candidatos a candidatos da chamada terceira via.

Já o PT, olha. Os nomes mais lembrados são os ex-prefeitos Guilherme Menezes e José Raimundo Fontes. Os dois negam que queiram ser candidatos de novo. O deputado federal Waldenor Pereira não nega, mas também não pode assumir. Todos os três podem ser enquadrados no mesmo tipo de silêncio que faz a maioria dos vereadores de oposição na Câmara e os petistas conquistenses de um modo geral, como se tivessem certeza de que o prefeito Herzem Gusmão não tem mais como se recuperar da impopularidade que construiu nos 26 meses de governo. Parecem ter certeza de que acontecerá um revival de 1996, como uma espécie de devolução do poder.

Herzem, Salomão, Ivan Cordeiro, Marcelo Melo, os Rangel e até o Cabo Herling discordam. E Vitória da Conquista já demonstrou, historicamente, que não é dada a recomeços políticos.

É esperar para ver.

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