PSDB, um partido que não consegue projeção em Vitória da Conquista por conta de seus próprios embaraços

Nas eleições do ano passado, o candidato a deputado estadual representante do PSDB em Vitória da Conquista, Esmeraldino Correia, ficou à deriva e acabou fazendo dobradinha com um candidato a deputado federal do DEM, Leur Lomanto Júnior, depois que o presidente estadual do partido, João Gualberto, que era deputado federal, desistiu da reeleição. Sem apoio da estrutura partidária, Esmeraldino teve apenas 2.347 votos. Colado nele, Thiago Correia, da mesma legenda, teve 2.317, e, acima dos dois, Marcell Moraes ficou com 9.277 votos dos conquistenses. Nada desprezíveis 13.941 somente os três.

Mas, o PSDB vem dando sinais de que não tem interesse em ser um partido de proa na política local. Em 2016, com candidato a prefeito (Arlindo Rebouças) que ficou em terceiro lugar no 1º turno com 12.423 votos, o partido tucano não conseguiu eleger nenhum vereador. O candidato mais votado, Ivan Cordeiro, considerado o melhor quadro do PSDB em Vitória da Conquista, teve 1.544 votos, o segundo do lado dele, Paulo César Oliveira, ficou com 886.

A última vez que o PSDB teve sucesso eleitoral de verdade em Vitória da Conquista (à exceção de votações para presidente da República) foi em 1996, quando o PT deu um lugar na chapa de Guilherme Menezes ao ex-deputado federal Clóvis Assis, como vice. Na mesma época  o partido elegeu Arlindo Rebouças para a Câmara de Vereadores, onde ele ficou por dois mandatos seguidos. Depois os tucanos tiveram apenas um vereador, Edjaime Rosa, o Bibia, eleito em 2012, e que trocou o PSDB pelo MDB nas vésperas da reeleição, em 2016.

Agora, sem alarde e, segundo um ex-filiado, sem aviso legal (o BLOG não confirma), o diretório se reuniu e escolheu nova direção partidária. Nova, não, um pouco diferente, com o mesmo presidente, o professor Claudionor Dutra Neto, e um novo vice-presidente, o secretário municipal de Agricultura, Paulo César de Andrade Oliveira, que substituiu o ex-secretário de Mobilidade Urbana, Ivan Cordeiro, pleiteiante de uma pré-candidatura a prefeito. Fiel ao prefeito Herzem Gusmão, o PSDB decidiu apressar a saída de Ivan do partido. E ele diz que já estava de saída porque o PSDB está distante do que sinaliza a sociedade. “Pena que o partido não ouviu a voz das ruas e das urnas”. Segundo, ele, o PSDB saiu menor das últimas eleições e “enquanto a sociedade está pedindo transparência e verdade, o partido aqui na cidade insiste com a velha política”.

A história recente do partido mostra que é provável que Ivan Cordeiro tenha razão. Ele não é o primeiro a ter o tapete puxado na boca de um processo de definição política e de posicionamento em relação à disputa por protagonismo na política conquistense. Há mais de dois episódios. Poderia ser o primeiro o apoio retirado de Arlindo Rebouças, que, secretário da Agricultura do governo Herzem entre janeiro e fim de agosto de 2017 foi exonerado sem que uma voz tucana se ouvisse. Arlindo não faz mais parte do partido desde outubro do ano de sua saída da prefeitura.

Quando ainda estava no PROS, pelo qual se elegeu vereador em 2012, Arlindo estava em reunião que o PSDB realizou no Livramento Palace Hotel, no dia 10 de setembro de 2015, quando o atual presidente municipal era o dirigente nomeado do partido. Era uma reunião com a presença de próceres da agremiação como Jutahy Magalhães Júnior e o presidente estadual da legenda, João Gualberto, e o que se dizia antes do encontro era que Claudionor Dutra apresentaria o nome do médico Valverde Montalverne Alves Marinho como pré-candidato a prefeito. Não deu nem para Valverde e nem para Claudionor. O PSDB não apenas desconversou sobre a pré-candidatura, como os líderes do partido saíram da reunião direto para uma conversa com o empresário Onildo Oliveira Filho, a quem entregaram o partido e a esperança de terem o dono do Labo Laboratórios como candidato a prefeito na eleição que se realizaria no ano seguinte.

Por sua capacidade de diálogo e reconhecido sucesso gerencial, Onildo sempre foi um nome lembrado por agremiações partidárias diversas, mesmo da chamada esquerda, para ser candidato a prefeito. Sempre resistiu, mas nunca desistiu do debate sobre um projeto de união pelo desenvolvimento de Conquista.  E assim ele fez várias conversas, planejou várias alternativas e levou alguns nomes de possíveis candidatos para a análise dos dirigentes estaduais do PSDB. Não obteve êxito. Os tucanos topariam lançá-lo, mas não as opções que ele apresentou. E Onildo deixou a direção do partido e de fazer parte do mesmo.

Mas, antes da saída de Onildo, o PSDB conquistense ainda faria um lance que é a cara dele. Era 8 de janeiro, quando um pequeno grupo de filiados, maioria pré-candidatos a vereador, se reuniu na Livraria Nobel/Maxtur e anunciou que Arlindo Rebouças seria o candidato a prefeito. Arlindo nem tinha entrado no partido. Quando soube disse, Onildo duvidou. Nem Claudionor confirmou, pois ele não estava na tal reunião. O anúncio da pré-candidatura de Arlindo foi autorizado pelos caciques Jutahy Júnior e João Gualberto, em conversas pelo telefone, em viva voz, com os presentes.

Mesmo com a divulgação da decisão de lançar Arlindo Rebouças, que, de fato, viria a ser o candidato em outubro, Onildo Oliveira Filho ainda tentou. No dia 25 de janeiro, ele teve uma longa reunião com os dirigentes estaduais do PSDB, em Salvador, quando fez a defesa de sua ideia para Conquista. Defendia que o mais importante é um projeto para o futuro e não necessariamente o nome do candidato a prefeito e chegou a expor que o PSDB poderia se aliar a outros partidos. Mas, não agradou a Gualberto e Jutahy. Então, ele se afastou por incompatibilidade conceitual. Claudionor, o que foi afastado em 2015, reassumiu.

No fim de semana que passou, Claudionor Dutra e membros do diretório anteciparam a escolha da nova Executiva do PSDB e deixaram o ex-candidato a vereador e ex-secretário municipal Ivan Cordeiro de fora. Ivan diz que já estava pensando em sair, mas o fato é que os seus correligionários, quase ex-, se adiantaram e escancararam a porta para que ele saía o mais rápido possível.

Mas, este artigo não pode terminar sem lembrar os planos feitos pelo deputado estadual Marcell Moraes e o empresário e ex-candidato a vereador, Francisco (Chico) Estrela. Chico foi avisado de que assumiria a direção do PSDB. Deu entrevistas a programas de rádio e blogs falando como presidente. Avisou que o partido romperia com o prefeito Herzem Gusmão e abriria mão dos cargos, quem quisesse ficar ficaria por razão pessoal, mas não estaria representando o PSDB. De repente, não deu. Não foi para Chico Estrela que Gualberto entregou a direção partidária e o PSDB continua perfeitamente entrosado com o governo municipal. Um problema para Marcell Moraes, que disse que será pré-candidato a prefeito de Vitória da Conquista e não tem economizado críticas a Herzem.

É esperar para ver quem estará sobre o tapete tucano doravante e quanto tempo dura nele, porque, há sempre o risco de ser puxado.

 

 

 

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