Chuva forte faz estragos em Jacobina. Em poucas horas cidade registra índice pluviométrico acima da média mensal

Com reportagem e texto original de Gervásio Lima

A cidade de Jacobina, a 330 quilômetros de Salvador e a 620 quilômetros de Vitória da Conquista, amanheceu sob fortes chuvas nesta terça-feira (2). Pelas informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), choveu 162,6 mm, sendo que em alguma áreas da cidade o volume chegou perto dos 200 mm. O índice pluviométrico ficou bem acima da média histórica mensal que é de pouco menos de 90 mm. Ainda há previsão de chuva em Jacobina para amanhã e depois, mas pancadas e não mais chuva prolongada como foi nesa madrugada.

A chuva começou no início da madrugada. Muito forte e volumosa provocou transbordamento do  Rio do Ouro e graves alagamentos. No bairro do Leader, local mais afetado, as águas do rio invadiram residências, derrubaram uma ponte e partes do cais em vários pontos. Um carro chegou a ser arrastado, mas não foram registrados ocorrências com pessoas feridas.

A queda d’água conhecida como Riacho do Judeu, localizada em uma das serras próximas ao bairro do Leader e que se forma em todos os períodos de chuvas, repetiu os estragos ocorridos em outros momentos. A forte correnteza formada na parte de baixo da queda d’água levou tudo que encontrava pela frente, danificando pavimentações e invadindo residências, principalmente nas ruas São Judas Tadeus e parte da Cônego Samambaia.

Os moradores reclamam da falta de uma galeria pluvial para facilitar o escoamento das águas das chuvas. “Toda chuva forte é assim, algum estrago é certo. Graças a Deus temos sofrido apenas prejuízos materiais. É a segunda vez que vou precisar trocar meu sofá e alguns móveis. Espero que não se espere morrer alguma pessoa para se tomar providências”, disse uma moradora que teve sua casa invadida mais uma vez pela água da cachoeira.

Em Jacobina, a última grande obra de drenagem ocorreu durante o mandato do prefeito Carlito Daltro, quando foi construída a galeria pluvial da Rua da Saudade, próximo ao cemitério da cidade, até o Rio Itapicuru, onde existem outras duas galerias, também construídas por Carlito.

ABANDONO

A falta de cuidado com os principais rios que cortam a cidade (do Ouro e Itapicuru) é um problema visivelmente percebido pela população e tem contribuído para o aumento dos estragos após os temporais como o desta terça-feira. Em diversas imagens postadas em redes sociais na manhã desta terça-feira, é possível ver a grande quantidade de vegetação presa em colunas de pontes e outras construções no leito do Rio do Ouro, formando uma espécie de barreira para a passagem das águas. Impedida de percorrer seu curso natural a água tende a procurar outros atalhos e, consequentemente, enchentes provocam os prejuízos já conhecidos. A falta de capina indica sempre uma ‘tragédia anunciada”.

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