Anúncios
Administração Pública Política Transporte e Trânsito

Opinião | Eu não acredito que Herzem disse isso o que dizem que ele disse sobre o transporte público. Seria um desastre

Reproduzimos, para começar este artigo, nota do Blog do Anderson intitulada A suposta posição da Prefeitura de Vitória da Conquista: Herzem teria mandado recado para a Cidade Verde:

“O radialista Humberto Pinheiro de Oliveira resolveu se manifestar sobre o caos no Transporte Coletivo Urbano revelando um recado que veio da cúpula da Prefeitura de Vitória da Conquista e, segundo o comunicador, avalizada pelo prefeito Herzem Gusmão Pereira. “É essa a posição da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, comandada pelo prefeito Herzem Gusmão, de que se a Cidade Verde, repito, encerrar as atividades nas chamadas linhas operadas de forma emergencial, e que eram as linhas da antiga Viação Vitória, a Cidade Verde pode arrumar as malas definitivamente ir embora de Conquista”, eis a afirmação do comunicador em seu editorial via telefone ao Sudoeste Agora, na Rádio Clube de Conquista, ao meio dia da sexta-feira (12). Tudo acontece após a Cidade Verde Transporte Rodoviário Limitada anunciar o encerramento das atividades no Lote 1, recebido em caráter emergencial após a falência da Viação Vitória Limitada. O prefeito Herzem Gusmão Pereira não se manifestou oficialmente, mas pelo que tem sido divulgado no Blog da Resenha Geral leva a crer que o comentário de Pinheiro bate com a posição do Executivo Conquistense.”

Eu não acredito que esta seja a posição de Herzem Gusmão. O prefeito já cometeu vários deslizes políticos e erros de gestão, o que ele e seus seguidores podem negar, mas a realidade escancara. No entanto, mandar a empresa embora sem ter, sequer, começado um processo licitatório para a sua substituição seria mais do que despedaçar, de vez, qualquer possibilidade de organizar o setor no curto e médio prazos, e seria um golpe na população. Mesmo que a cidade tivesse mil vans rodando e que a prefeitura se comprometesse a cobrir a diferença no preço da passagem (a maioria dos usuários paga R$ 1,90 ou tem direito à gratuidade), o caos seria de difícil previsão.

Herzem não faria isso. Se a relação com a Cidade Verde chegou a esse ponto pode haver muitos culpados, Prefeitura, empresa, conselho dos transportes (omisso e vergonhoso), Câmara de Vereadores, menos a população, menos as pessoas que precisam do transporte público.

Se a administração municipal tem errado, é no transporte público que esse erro é menos compreensível. Prefeitura e empresa disputam um cabo de guerra em que um lado quer impor suas regras ao outro, passando por cima da lei (a emergência não tem um contrato assinado), repassando responsabilidades, impondo à população a condição de refém: todo dia pode ser o dia que a Cidade Verde vai embora, todo dia pode ser o dia que a prefeitura mandará a Cidade Verde embora.

E o que todos sabemos é que a empresa só fica na cidade se quiser, mas não fica se a prefeitura não quiser mais. O prefeito Herzem Gusmão apadrinhou a Viação Vitória por mais de um ano e meio, mesmo tendo em sua mesa o processo administrativo, concluído no ano anterior, que recomendava o fim do contrato com a empresa, que veio a falir. O prudente seria abrir uma nova concorrência, fazer uma licitação para ter uma segunda empresa na cidade, mas ele optou por acertos verbais com a Cidade Verde. Deixou a sorte do usuário na mão da empresa que já tinha demonstrado, diversas vezes, que a concorrência do transporte clandestino lhe causava prejuízos e que a continuidade destes a fariam desistir de prestar o serviço. A Cidade Verde expôs seu posicionamento legítimo. E no dia 2 de abril, mandou uma carta elegante ao prefeito reiterando as suas razões e avisando que no dia 31 de maio deixará o lote emergencial, o que herdou da Vitória.

Mas, a prefeitura não levou a sério. Achou que retomar timidamente a fiscalização sobre as vans contemplaria a Cidade Verde. Colocou na conta também a isenção de ISS concedida, que, segundo a empresa, compensa o valor da passagem, mas não cobre o prejuízo que vem tendo com a perda de mais de um terço dos passageiros para as vans. Nessa condição, não vendo perspectiva de acabar com a concorrência do transporte clandestino, já cancelou o serviço em cinco linhas, as mais distantes e deficitárias.

Negociações para que a decisão da Cidade Verde fosse revista se iniciaram com a liderança da Câmara de Vereadores e caminhavam para um bom termo. O secretário de Mobilidade Urbana propôs 15 dias para avaliação das ações da prefeitura e da possibilidade de a empresa continuar prestando o serviço nas antigas linhas da Vitória. Porém, enquanto o secretário negociava, representando o prefeito, o Blog da Resenha Geral publicou matéria em que o prefeito dizia que não havia mais negociação e determinara o cancelamento do contrato. Jogou suco com validade vencida no ventilador.

No sábado, conforme tinha avisado, a Cidade Verde não rodou nas cinco linhas. E a prefeitura não pôde fazer nada, já que nem contrato assinado existe para o serviço emergencial (o contrato foi enviado à empresa pela Semob na sexta-feira, 12, oito meses depois de decretada a emergência).

Surgiu a questão: a prefeitura teria como garantir o transporte nas demais linhas, já que, segundo o Blog da Resenha Geral, caso ocorresse “a suspensão das linhas, a Viação Cidade Verde, será avisada do impedimento de continuar operando o Lote 1, que pertencia a Viação Vitória. A medida será aplicada imediatamente já para segunda-feira (15)”?

Apesar da assertiva do blog, o aviso da prefeito à Cidade Verde limitava-se ao lote emergencial, às linhas da Viação Vitória.

 

A fala do radialista Humberto Pinheiro (na foto, de camisa vermelha), da Clube FM, que é um dos comunicadores mais ligados ao governo e ao prefeito Herzem Gusmão, no entanto, traz uma informação a mais – e mais preocupante. Segundo Humberto, citando “fonte limpa” e não sendo desmentido por qualquer pessoa do governo, muito menos pelo prefeito, a Cidade Verde está automaticamente mandada embora, dispensada não apenas do contrato (tácito) da emergência, mas também do seu contrato original, já que de fato retirou os ônibus das linhas. “Pode arrumar as malas definitivamente ir embora de Conquista”, por ordem do prefeito, segundo Humberto Pinheiro, já que a empresa estaria agindo de “forma cruel, desigual, sustentado por um discurso mentiroso de que ela tem compromisso com essa cidade”, nas palavras do apresentador do programa Sudoeste Agora.

Eu não acredito que Herzem tenha dito isso. Que esteja pensando assim. Mesmo que seja verdade, como se comenta, que a Novo Horizonte está pronta para assumir. Pois, se for, seria na base da pressa e do improviso. Além da grande confusão que isso tudo sinaliza, há riscos grandiosos de a judicialização da questão deixar a cidade sem ônibus e com um passivo financeiro gigantesco, prejuízo para a população pagar. Conquista não aguenta mais gambiarras e contas a pagar de dívidas que ela não criou.

Eu acredito que Herzem achará uma solução que não sejam essas possibilidades que seu blog e o radialista Humberto Pinheiro propagaram.

LEIA MAIS DA FALA DE PINHEIRO

“Estou sabendo de fonte absolutamente limpa, absolutamente com um peso de crédito, fonte, portanto, como nós chamados no jornalismo, uma fonte limpa, de que, atenção Conquista. Companheiros de bancada: se a Cidade Verde encerrar amanhã (sábado, 13) as atividades com relação ao cumprimento das linhas da Vitória, que até agora ela operava em caráter e em sistema emergencial, a Prefeitura Municipal de Conquista vai mandar e vai pedir que a Cidade Verde vá embora, que Cidade Verde arrume suas malas, que a Cidade Verde, definitivamente, dê as costas pra cidade. Que a Cidade Verde assuma definitivamente, de forma clara, a forma cruel, desigual, sustentado por um discurso mentiroso de que ela tem compromisso com essa cidade. É essa a posição da Prefeitura de Municipal de Conquista, comandada pelo prefeito Herzem Gusmão, de que se a Cidade Verde, repito, encerrar as atividades nas chamadas linhas operadas de forma emergencial e que eram as linhas da antiga Viação Vitória, a Cidade Verde pode arrumar as malas e definitivamente ir embora de Conquista. Não isso que esse jornalista quer, não é isso que esse jornalista defende. Defende que a Cidade Verde vá para o diálogo aberto, franco, público, com a administração de Conquista.”

NOTA DO EDITOR: O BLOG DEU CONHECIMENTO DO TEOR DESTE ARTIGO AO SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO, DIEGO GOMES, E AO SECRETÁRIO CHEFE DO GABINETE CIVIL, MARCOS FERREIRA, BEM COMO AO GERENTE DA CIDADE VERDE, SÉRGIO HUBNER, E AGUARDOU POR OBSERVAÇÕES DOS DOIS LADOS. NÃO HAVENDO, PUBLICA-O COM A TRANQUILIDADE DE QUE EXPÕE UM PENSAMENTO RESPEITOSO E BASEADO EM FATOS.


Anúncios

0 comentário em “Opinião | Eu não acredito que Herzem disse isso o que dizem que ele disse sobre o transporte público. Seria um desastre

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: