Ex-secretário avalia governo Herzem, fala de erro de foco e diz que prefeito precisa estar mais na rua

Na quarta-feira (29), o BLOG publicou a primeira parte de uma entrevista com o ex-secretário Marcos Ferreira, que deixou o governo Herzem Gusmão para assumir a direção da Band FM de Vitória da Conquista, em que ele falou dos planos e apresentou as novidades da rádio nesta fase. Mereceram destaque, além das mudanças na grade da emissora e a dinamização pretendida para a empresa, a afirmação de Marcos Ferreira de que a rádio vai assumir uma postura não-partidária, com um jornalismo dos fatos cotidianos, entrevistas e prestação de serviço. Política, sim; partidária, não, assegurou o executivo.

Com essa visão, a emissora vai reivindicar o horário das 18 às 19 horas, quando o comunicador Elton Becker apresenta o programa Conquista de Todos. Segundo Marcos, o horário é espetacular, campeão, e interessa à emissora colocar um programa próprio, mais leve, na linha que será adotada com a sua chegada. Ele diz que a decisão não tem apenas cunho político. De qualquer forma, a declaração causou impacto, porque, afinal, o horário é locado pelos deputados petistas Waldenor Pereira e José Raimundo.

Mas, não foi apenas esse o ponto político da entrevista. Marcos Ferreira fez uma avaliação do governo Herzem Gusmão e de sua própria atuação na equipe. Com sinceridade, ele fala com empolgação da atuação do prefeito, ressalta qualidades da administração, mas não deixa de manifestar alguma crítica, como às consultorias e ao trabalho da Secretaria de Comunicação. O secretário deixou o Gabinete Civil na sexta-feira (31). Ele diz que saiu leve, certo de que cumpriu bem seu papel de conselheiro. E destaca dois momentos recentes que considera importantes para o governo, para o prefeito e para Vitória da Conquista.

Um deles foi ter enfatizado para Herzem a importância de aderir à Policlínica Regional, “porque é importantíssima a presença da policlínica. Se ela não der certo, lá na frente, é outra história e tem tudo para dar”. Para Marcos, mesmo tendo resistido, por identificar interesses políticos na fase de instalação, o que permitia prever o uso inadequado do equipamento, o prefeito considerou, no final, a importância da policlínica para a população. E foi nessa tecla que ele bateu como secretário com obrigação de fazer recomendações ao Chefe do Executivo.

O outro gol, como Marcos, homem ligado ao esporte, tendo sido diretor da Federação Baiana de Futebol (FBF) e vice-presidente da CBF, costuma se referir às ações que dão certo, foi a reunião com o governador Rui Costa, no dia 23, marcada por ação dele. Ele diz que insistia com o prefeito para ter a conversa. “Não entrava na minha cabeça que o prefeito da terceira maior cidade da Bahia não tivesse ainda uma audiência formal com o governador, independente de cor partidária”, ressalta. Mas, segundo Marcos Ferreira, era preciso dar tempo para que algumas situações se ajustassem. Para ele, a hora veio depois que a adesão à policlínica foi resolvida e a questão do aeroporto estava definida, com tudo pronto e data marcada para inauguração.

Continua depois do anúncio

ELEIÇÃO POLARIZADA

Convicto de que Herzem será reeleito, Marcos Ferreira diz que não há espaço para uma terceira via. Para ele, a terceira via não tem força e nem um nome ou, como diz, pelo menos não apareceu ainda. “Esse papo de terceira via não pega. As manifestações e intenções são todas legítimas, mas acho muito difícil prosperarem”. Marcos prevê que a eleição será polarizada. “Isso é para mim muito claro. Acho que vai ser Herzem contra o candidato do PT e acho que as pessoas que não gostam do PT vão querer votar em Herzem”

Marcos Ferreira acredita que o governo está avançando e que isso não aconteceu antes por conta de problemas de comunicação e de foco. Ele coloca o resultados ruins do primeiro ano da administração no fato de que Herzem teve que trabalhar com um orçamento já pronto, que obrigou o governo a levar um tempo fazendo ajustes. “O primeiro ano é um ano meio perdido, porque você precisar conhecer melhor a máquina, se ajustar ao que encontrou, antes de colocar seu projetos em andamento”.

Mas, ele diz, o segundo ano poderia ter sido melhor, do ponto de vista de imagem e popularidade. Na opinião de Marcos, o governo demorou para fazer as mudanças na área de comunicação e diluiu recursos e foco em consultorias. “Acho, também, que se investiu muito em assessorias de origens diversas, quando poderia ter se concentrado, esse assessoramento, em um foco só, embora todos bem-intencionados, de alto nível, como GO Associados, Dom Cabral, quem vai questionar isso?”.

Em 2019 a situação é diferente, defende o ex-coordenador-geral da campanha de Herzem. “Mudou muito, melhorou muito a comunicação, muita coisa ele está fazendo e vai fazer”, anuncia, se referindo aos recursos existentes na Caixa Econômica Federal e ao volume de R$ 107 milhões já anunciados por Herzem para investimentos. “É muito dinheiro e eu acho que ele precisa aplicar bem, como vem aplicando, e divulgar isso de uma forma melhor. Investir em comunicação é essencial para que essa visão distorcida que existe do governo mude”.

Marcos era o principal assessor do prefeito e Herzem não abria mão de sua companhia nas agendas oficiais. Para muitos, a saída do ex-secretário do Gabinete Civil foi a maior perda do governo


MUDANÇA PESSOAL


Porém, conhecedor dos meandros da política e do marketing, Marcos Ferreira avalia que o sucesso na tarefa de melhorar a imagem do governo e, mais especificamente, do prefeito, visando às eleições de 2020, depende muito do próprio Herzem, muito visado pela oposição e pela imprensa, por conta de desgastes e polêmicas no decorrer dos dois primeiros anos de gestão. “Acho que o prefeito precisa fazer alguma mudança no próprio estilo. O que já foi sugerido por marqueteiros daqui, de Salvador e de Brasília, onde estive com ele visitando, para que ele mudasse um pouquinho o estilo de se comunicar, fazendo valer o fato de ser ele um grande comunicador.”

O conselho é que, além de evitar os desgastes em embates pessoais, Herzem tenha cada vez mais contato com a população. “O prefeito precisa estar mais na rua, como ele já está fazendo, pois tem muita coisa para mostrar. Acho que ele tem que estar nas ruas, nos bairros, em reuniões, para se comunicar mais de perto da população, sem proselitismo, sem marketing pelo marketing. São praças lindíssimas, várias escolas, quilômetros e mais quilômetros de ruas asfaltadas e de estradas melhoradas na zona rural. Ele tem que sair na rua mostrando mesmo, porque ele tem direito de fazer isso, porque ele fez e aplicou com lisura os recursos públicos. Eu acho que isso é honesto com ele mesmo.”

A sugestão de mudança no estilo de agir do prefeito seria muito mais na comunicação, no momento de se manifestar sobre questões de governo, problemas imediatos. Mas, outra característica deve se expandir, acredita Marcos Ferreira, para quem Herzem é um estadista. “O prefeito tem uma qualidade que eu não tenho, que é essa de estadista, de não perseguir ninguém, de colocar em cargos-chaves técnicos declaradamente comprometidos ou simpatizantes de outros grupos políticos e ele não se importa com isso. Ele se pega muito num pensamento de Jadiel [Matos, ex-prefeito] que dizia ‘nem todos poderiam ter votado em mim’. Eu acho de uma nobreza enorme. A mesma nobreza que Herzem usou na campanha de 2018, quando não pediu a nenhum secretário que apoiasse A ou B. Não imagino, por exemplo, ACM fazendo isso, nunca vi. Quer dizer, cada um tem seu estilo.”

Outro exemplo dessa qualidade que Marcos enaltece em Herzem seria a abertura, a facilidade de acesso, o que estaria definido no slogan da administração, que reflete atitudes da gestão, como um todo, porém, ainda mais um comportamento do prefeito. “O slogan Mais de Perto de Você se traduz também num prefeito de porta aberta. Também sou diferente dele nisso. Acho que um pouco de privacidade é bom até para planejar. Mas, chega qualquer pessoa ele atende. Quantas vezes eu presenciei empresários – e não empresários – dizerem ‘eu nunca entrei nesse gabinete’, ‘tem 20 anos que eu não entro aqui’, ‘tem 15 que eu não era recebido’. Digo isso sem nenhum proselitismo, sem chapa-branca, apenas por questão de justiça. Então, acho que essa é a marca do governo.”

Voltando a falar da relação da rádio com a política, considerando que ele próprio transita nos dois campos, Marcos Ferreira admite que muita gente está pensando que a sua ida para a Band FM faz parte de uma estratégia política. Ele nega. “É mais um paradigma para quebrar e para eu provar que a gente sabe fazer e vai fazer diferente. Até porque, a partir de 1º de junho, os meus compromissos são com a família Rebouças”. Diz que foi movido pela oportunidade de fazer algo na área em que se especializou e que gosta, que é a comunicação, e claro, pelas condições oferecidas pelas acionistas da emissora. “Eu venho amadurecendo a decisão de deixar o governo e assumir a Band há mais de seis meses, conversei com o prefeito, muito baseado na confiança, no respeito, mas a minha decisão foi meramente executiva, comercial, financeira, de perspectiva de mudança na área que eu adoro trabalhar, que é a comunicação, em especial, o rádio”.

LEIA A SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA

BLOG –  Você pensa no que pode representar a sua saída de um governo que está lutando para firmar uma imagem positiva, para recuperar um desgaste que ocorreu, por razões diversas, nos últimos dois anos e que, agora, estaria embalando?

“Foi uma decisão muito difícil, por conta disso mesmo. Eu só tenho a agradecer ao prefeito Herzem Gusmão. Eu sempre pensei muito em voltar para Vitória da Conquista e depois que, no final de 2015, eu tive um grave problema de saúde, isso passou de desejo para plano, até para ter uma qualidade de vida melhor, também porque aqui é a terra de minha mulher e de duas das minhas filhas, além da minha paixão pela cidade e pelos amigos que aqui deixara e que me prezam e me respeitam tanto, me prestigiam tanto. E quem viabilizou a minha volta, foi o prefeito Herzem Gusmão, quando nos reencontramos por acaso em Salvador e ele, de uma forma altruísta e corajosa, me fez uma proposta, no início de 2016, para eu assumir a coordenação da campanha dele à prefeitura. O convite teve um padrinho que eu amo e respeito muito, que é o professor Ubirajara Brito. E isso que acontece agora, esse meu novo desafio, tem tudo a ver com a oportunidade que o prefeito Herzem me abriu.”

BLOG – Você indicou o seu sucessor no governo?

“Eu não indiquei nenhuma pessoa em dois anos e cinco meses de prefeitura. Para não errar no que digo, como eu não sabia o que encontraria na secretaria, ao aceitar o convite para ser secretário, pedi para levar Lilian, que trabalhou 15 anos comigo na TV Sudoeste e que ficou apenas 15 dias. Ela tem outras atividades e disse: ‘Olha, Marcos, eu não tenho condição de lhe atender, mas tem boas secretárias aqui, pessoas boas’. Foi a única pessoa que indiquei. Porque achei que o prefeito tem muitos pedidos, tem as demandas políticas, as demandas pessoais, tem as demandas técnicas e eu preferi ficar isento a isso, até para, em um momento como esse, eu ter essa independência, essa tranquilidade de não ter ninguém na prefeitura dependendo de mim por ter sido indicação minha. Então, saio, livre, leve e solto. Então, também, não indiquei sucessor, até porque sei que o prefeito saberia fazer a melhor escolha”.

BLOG – Considerando os dois anos e meio da administração, qual avaliação você faz?

“Acho que o governo tem muita coisa para mostrar ainda – e vai mostrar. O primeiro ano foi um ano de aprendizado, como diz o prefeito. Um ano em que você trabalha com o orçamento feito pelo antecessor, eu não digo inimigo, mas antecessor, então, completamente diferente da realidade que você vai encontrar. Então, o primeiro ano é um ano meio perdido, porque você precisa conhecer melhor a máquina, se ajustar ao que encontrou, antes de colocar seus projetos em andamento. Mas, no segundo ano, aí sim, acho que se demorou muito para fazer as mudanças na área de comunicação. Acho, também, que se investiu muito em assessorias de origens díspares, diversas, quando poderia ter se concentrado, esse assessoramento, em um foco só, embora todos bem-intencionados, de alto nível, como GO Associados, Dom Cabral, quem vai questionar isso? Mas, acho que a gente poderia ter feito uma coisa de cada vez, focado muito na comunicação. Porque projetos, que a gente até gestou, de extrema eficiência e popularidade, como Prefeitura Móvel, Gabinete Itinerante, Bairro Legal, Condomínio Legal, esses projetos é que impactam diretamente a população quando você está começando o governo, mas não tiveram o melhor cuidado de comunicação.”

“Eu me lembro bem de uma visita que fizemos ao ex-governador Paulo Souto, na Secretaria da Fazenda de Salvador, e chegamos super empolgados, o prefeito falou bastante dos planos, quando Paulo Souto disse: ‘Olha, Herzem, nos dois primeiros anos, limpe a rua e pague ao professorado, pague os servidores, porque você só vai conseguir trabalhar no terceiro’. Opinião de um ex-senador, ex-governador, quer dizer, não é ser político antigo, é conhecer a realidade e as dificuldades. Nós vínhamos de um governo de 20 anos, de um mesmo grupo político. Dos 8.500 servidores, a maioria tinha outra tendência, não tinha simpatia pelo governo atual, tem outra visão de mundo que não a do nosso grupo político, então, tem muitos torcendo contra e outros tantos trabalhando contra, fazendo corpo mole, embora existam quadros excelentes, que o governo tem sabido valorizar.”

Marcos Ferreira, ao lado de Herzem, com Paulo Souto

“O prefeito tem uma qualidade que eu não tenho, que é essa de estadista, de não perseguir ninguém, de colocar em cargos-chaves técnicos declaradamente comprometidos ou simpatizantes de outros grupos políticos e ele não se importa com isso. Ele se pega muito num pensamento de Jadiel [Matos, ex-prefeito] que dizia ‘nem todos poderiam ter votado em mim’. Eu acho de uma nobreza enorme. A mesma nobreza que Herzem usou na campanha de 2018, quando não pediu a nenhum secretário que apoiasse A ou B. Não imagino, por exemplo, ACM fazendo isso, nunca vi. Quer dizer, cada um tem seu estilo.”

“Mas, avaliando o momento do governo, acho que mudou muito, melhorou muito a comunicação, muita coisa ele está fazendo e vai fazer. Existem já verbas carimbadas disponíveis na Caixa para que se possa fazer obras. São R$ 107 milhões, é muito dinheiro, e eu acho que ele precisa aplicar bem, como vem aplicando, e divulgar isso de uma forma melhor. Investir em comunicação é essencial para que essa visão distorcida que existe do governo mude. Além disso, acho que o prefeito precisa fazer alguma mudança no próprio estilo. O que já foi sugerido por marqueteiros daqui, de Salvador e de Brasília, onde estive com ele visitando, para que ele mudasse um pouquinho o estilo de se comunicar, fazendo valer o fato de ser ele um grande comunicador.”

BLOG –  Com isso, você diz que se o prefeito evitar os embates pessoais ele sai da área de desgaste e o governo aparece, o positivo ganha, revertendo a situação ruim?

“É. O prefeito precisar estar mais na rua, como ele já está fazendo, pois tem muita coisa para mostrar. Acho que ele tem que estar nas ruas, nos bairros, em reuniões, para se comunicar mais de perto com a população, sem proselitismo, sem marketing pelo marketing. São praças lindíssimas, várias escolas, quilômetros e mais quilômetros de ruas asfaltadas e de estradas melhoradas na zona rural. Ele tem que sair na rua mostrando mesmo, porque ele tem direito de fazer isso, porque ele fez e aplicou com lisura os recursos públicos. Eu acho que isso é honesto com ele mesmo.”

BLOG – E qual a marca do governo?

“Mais Perto de Você é o que melhor define o governo. Essa é a grande marca, que está traduzida no Prefeitura Móvel, no Gabinete Itinerante, no Bairro Legal e, agora, no Condomínio Legal, esse show de bola que foi feito recentemente em condomínios do Minha Casa, Minha Vida. Isso é a cara de Herzem. Mais de Perto de você se traduz também num prefeito de porta aberta. Também sou diferente dele nisso. Acho que um pouco de privacidade é bom até para planejar. Mas, chega qualquer pessoa ele atende. Quantas vez eu presenciei empresários – e não empresários – dizerem ‘eu nunca entrei nesse gabinete’, ‘tem 20 anos que eu não entro aqui’, ‘tem 15 que eu não era recebido’. Digo isso sem nenhum proselitismo, sem chapa-branca, apenas por questão de justiça. Então, acho que essa é a marca do governo.”

“Mas, o outro slogan, que eu até ajudei a criar, que é o Tá Mudando, Tá Melhor, já tem que sair de cena, porque gera a pergunta: não muda nunca? Eu vi isso na Band em São Paulo. O slogan da Band News é Em 20 minutos tudo pode mudar, aí Betinho falou para mim: “isso aqui já está antigo, porque as coisas estão mudando em menos de 20 minutos”. Então, acho que é uma questão apenas de reposicionamento de marca. Mas, a cara do governo é o Mais Perto de Você.”

BLOG – Então, você está dizendo que o governo ganhou uma nova dinâmica este ano e que, melhorando a comunicação, dá tempo de mostrar o que faz e fortalecer a imagem do prefeito para assegurar a reeleição?

“Não tenho dúvida. Do final do ano passado para cá, as reuniões com os secretários têm sido mais frequentes e isso é importantíssimo para envolver todo mundo. E acho até que ele fez algumas mudanças importantes – e as mudanças são naturais – reforçando o quadro, como a chegada do secretário Gilmar Ferraz para Agricultura, além de outras mudanças. Tem a minha saída, mas acho que ele, em breve, reposiciona alguém para fazer esse trabalho. Na minha opinião, a eleição será polarizada. Isso é para mim muito claro. Esse papo de terceira via não pega. As manifestações e intenções são todas legítimas, mas acho muito difícil prosperarem. Acho que vai ser Herzem contra o candidato do PT e acho que as pessoas que não gostam do PT vão querer votar em Herzem.”

“A terceira via não tem força e nem um nome, pelo menos não apareceu ainda.”

BLOG – Você disse que seu plano era voltar para Vitória da Conquista, para fazer o que gosta e ter qualidade de vida. Essa etapa na Band FM completa o seu plano ou ainda há outras metas?

“Primeiro, descarto ambições políticas. Objetivamente, não tenho saúde, por exemplo, para ser prefeito. Mas, não tenha dúvida de que estar aqui é união da fome com a vontade de comer. Eu fiz esse experimento entre junho e novembro do ano passado, na Rádio Brasil, substituindo o coronel Esmeraldino no programa dele, e depois fizemos na Clube, por três meses, porque apareceu a proposta da Band e fui muito honesto com o Doutor Washington, expliquei a ele a situação e abrimos mão do Porque Hoje é Sábado, que vínhamos fazendo com Rossane Nascimento, e as duas experiências sinalizaram para mim que esse era o meu caminho, o meu destino. Mas, é difícil falar de futuro e se meus planos estão completos. Na minha idade, com os dois problemas de saúde que já tive, as duas fogueiras que já pulei, um problema gravíssimo nos rins e uma cirurgia no coração, diria que chegar aqui completa no plano da realização pessoal. Se eu tiver saúde estarei sempre buscando melhorar isso, mas não tenho nenhuma outra pretensão.”

“Eu só queria fazer um registro, no campo da política, que eu quero frisar como a minha última grande atuação dentro do governo, que foi o encontro do prefeito Herzem com o governador do Estado. Eu vinha falando com o prefeito, há muito tempo, que não entrava na minha cabeça que o prefeito da terceira maior cidade da Bahia não tivesse ainda uma audiência formal com o governador, independente de cor partidária. Evidente que eu esperei o tempo certo, esperei o tempo do prefeito e o tempo do governador. Existiam outras pessoas no meio disso aí, imprensa, representantes políticos, etc., mas, com a situação do aeroporto definida e, principalmente, da policlínica, que eu também insisti para que o prefeito aderisse, porque é importantíssima a presença da policlínica, se ela não der certo, lá na frente, é outra história e tem tudo para dar, eu achei que era a hora. Com esses dois pontos resolvidos e sublimados, eu achei que era o momento certo e conversei com o secretário de Comunicação do estado, André Curvello, que é meu amigo e gentilmente nos atendeu e, para minha alegria, no meu epílogo no governo, no fim dos meus dois anos e cinco meses, eu consegui marcar a audiência. Acho que é mais um serviço prestado, porque Vitória da Conquista não pode estar longe do governo e o governo não pode estar longe de Conquista. Então, fiquei muito feliz em fazer aquela foto lá, na quinta-feira passada (23).”

BLOG – Aquele encontro muda alguma coisa? O que, além do que foi conversado sobre o que passou, pode servir para o futuro?

“Foi sensacional. O governador nos atendeu sozinho, depois foi que chamou um dois assessores para registrar a fotografia. Éramos apenas ele, o prefeito e a equipe, eu, os secretários Esmeraldino e Kairan e o assessor Gildásio Oliveira. O governador conversou, foi gentil, cordial, como a gente imaginava que fosse, fez pedidos, convidou o prefeito para a inauguração da policlínica e nos confirmou que virá para a inauguração do aeroporto – como Bolsonaro disse que vem também. O que eu penso disso é que Conquista, mais uma vez. Quando cheguei a Vitória da Conquista e vi Pedral, Murilo e depois os governos do PT, percebi que era uma cidade independente. E tem que se mostrar independente. Para mim, o encontro do prefeito com o governador mostra que Conquista é uma cidade altiva e independente e pode partir para qualquer rumo. Conquista tem que influenciar e não ser influenciada.”

BLOG – Você falou que seu projeto é fazer um rádio não partidarizado politicamente, independente de qual seja o lado, um rádio que não perca a isenção para defender um lado, mesmo que seja no horário de um programa alugado. Mas, você sabe que pela sua identificação com o prefeito, vai haver a interpretação de que a Band pode estar, em algum momento, ligada ao prefeito mais que aos demais. O que você diz disso?

“É mais um paradigma para eu quebrar e para eu provar que a gente sabe fazer e vai fazer diferente. Até porque, a partir de 1º de junho, os meus compromissos são com a família Rebouças”.

2 Replies to “Ex-secretário avalia governo Herzem, fala de erro de foco e diz que prefeito precisa estar mais na rua”

  1. Fico intrigado o pq ele não disse tudo isso ao Prefeito, já que era o Chefe da Casa Civil, e portanto a sua função seria verdadeiramente, avisar que a comunicação não estaria indo bem!
    Será que é mais fácil falar depois da saída do governo, ou será que seria muito difícil manter o emprego, falando o que o Prefeito não gostaria de ouvir?

Comente