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Economia Sociedade

Mulheres grávidas aguardam mais que marmanjos nas filas do Banco do Brasil


A legislação brasileira (lei 10.048/2000) assegura a deficientes, idosos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e obesos atendimento prioritário nas filas para atendimento em repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos, além das instituições financeiras.

Segundo o decreto nº 5.296/04, para prestar o atendimento mencionado, os estabelecimentos devem manter um local específico, no caso de bancos, um guichê ou caixa. Mas, isso não quer dizer que este deva ser o único local de atendimento das pessoas que se encaixam na lei. Se a fila no caixa preferencial estiver longa e o atendimento demorado a ponto de se perceber que os beneficiários da lei estão sendo prejudicados, deficientes, idosos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e obesos devem receber o atendimento imediato no local destinado ao público em geral.

Mas, não no Banco do Brasil, onde um único caixa é reservado para atender aos prioritários e todos os outros para os demais, sem opção de mudança. Assim, muitas vezes uma mulher grávida pode ficar um tempo longo para ser atendida, enquanto jovens aparentemente fortes e marmanjos musculosos são chamados antes. Presenciamos essa situação duas vezes em Vitória da Conquista, há cerca de 30 dias. A primeira foi no posto de atendimento da Praça Barão do Rio Branco. A segunda, na agência da Olívia Flores.

Quando entramos no posto, havia uma mulher grávida, aparentando uns cinco meses, esperando sentada. Chamou a atenção que o tempo passava, senhas iam sendo chamadas, mas ela continuava lá. Olhava o display, respirava fundo e continuava a esperar. Todo mundo sabe que atendimento bancário em Vitória da Conquista, apesar de uma lei municipal que determina que não pode passar de 15 minutos, quase nunca leva menos de meia hora. Quando chegou a minha vez, mais de 40 minutos depois da minha chegada, chamei a mulher, perguntei se o serviço que ela tinha ido fazer era pessoal ou para terceiros e, sabendo que era para ela mesma, convidei-a a ir comigo ao caixa. Lá, conversei com a pessoa que atendia e disse que não entendia por que pessoas que chegaram depois da mulher grávida já tinham sido atendidas e ela não.

A funcionária, uma mulher, explicou que havia apenas um guichê para as prioridades e por isso, quando tinha muita gente nas condições descritas na lei, demorava mesmo. Me ofereci para trocar a senha com a cliente gestante. A caixa deu como desculpa o fato de eu ter incluído meu CPF na senha, que as senhas eram específicas, que ia criar um embaraço operacional, etc. etc. etc. E disse que quando eu terminasse, ela chamaria a grávida e a atenderia.

Durante meu atendimento, a funcionária disse que quando ela estava grávida pegava fila normal, que gravidez não é doença. Fez um discurso quase em desfavor das prioridades, enfim. Com o adendo de falar em nome do patrão. Disse que o banco agia daquela forma porque se fosse atender as prioridades como eu estava sugerindo, os clientes que têm movimento, os clientes normais, não iriam aprovar e poderiam deixar o banco, um prejuízo a se evitar.

Quando terminou de me atender, a mulher do caixa perguntou pela gestante, dando a entender que a atenderia, como prometera. Eu respondi que ela estava esperando do outro lado do biombo e que a chamaria. A funcionário, então, desistiu da boa ação.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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