Anúncios
Educação Sociedade

Do protesto dos estudantes da Uesb contra o reinício das aulas esta semana

Os estudantes do campus da Uesb em Itapetinga decidiram fazer greve desta segunda até o dia 19. Eles protestam contra a forma como se deu o retorno das aulas depois da greve de mais de dois meses dos professores da instituição. Os estudantes de Itapetinga têm razão.

Eu faço o terceiro semestre de Direito no campus de Vitória da Conquista. Sei que o Centro Acadêmico Ruy Medeiros jamais pensaria em fazer um protesto semelhante, porque segue a Adusb em tudo. Por coerência ideológica. Este texto será depreciado depois, eu sei.

Mas, o curso de Direito da Uesb tem um número muito grande de estudantes que moram em outras cidades, algumas bem longe de Vitória da Conquista. Não tinham razão para estar aqui durante a greve. Mas, tiveram que voltar logo que os professores – são eles que mandam, neste caso, com o aval do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) – decidiram que as aulas recomeçariam hoje.

E vão parar quarta-feira. Porque quinta-feira (20) é feriado de Corpus Christi. Na Uesb todo feriado é sucedido por um ponto facultativo e se o feriado for na quinta, o sábado também não terá aula. Na segunda-feira (24) é o feriado de São João. É um dia que quase todo nordestino gosta de passar em casa, ou mais perto dela. Ou seja, os estudantes que moram longe e que vieram correndo para cumprir a agenda dos professores, vão gastar de novo – tempo e dinheiro – para voltar para suas cidades. Quem não tiver como, ficará aqui. E gastarão dinheiro que poderiam economizar, por conta do feriadão.

Ainda bem que na sexta (21) tem Fulor do Cangaço e Edigar Mão Branca, no Espaço Cultural Glauber Rocha; no sábado tem Rege de Anagé e Forró do Karoá; domingo terá Genival Lacerda e Narjara e na noite de São João, o São João conquistense encerra com Cacau com Leite, Robertinha e Xamêgo Proibido.

A greve dos professores foi decidida por 100 votos a favor, 39 contra e 10 abstenções. A assembleia, realizada no dia 4 de abril definiu por uma greve que durou, efetivamente, 68 dias (que, para efeitos de atraso – que afetam quase exclusivamente os estudantes – superam mais que os dois meses e poucos dias de sua duração), tinha 149 professores, dos cerca de 1.100 que trabalham na Uesb. Para encerrar a greve foram para a reunião 89 professores. Deles, 65 votos votaram pelo encerramento, 10 contra e 14 e abstiveram.

Os estudantes são 11 mil. Ficaram mais de dois meses sem aula, mas não puderam reivindicar os três dias desta semana (de pouquíssima produtividade, podem apostar). Os professores não podem mais perder tempo. Os estudante é que têm que correr.

POSICIONAMENTOS

No Instagram do Site Avoador, produzido por alunos da disciplina Jornalismo Digital, do curso de Jornalismo, publicou três cartas abertas dos estudantes da Uesb em Itapetinga e dos centros acadêmicos de História e Engenharia Agronômica, de Vitória da Conquista. Os dois últimos apoiando posicionamento dos alunos de Itapetinga e manifestando seu protesto contra o retorno às aulas nesta segunda-feira, sem que os estudantes tivessem sido ouvidos.

O CA de História disse que a decisão foi arbitrária. O Centro Acadêmico Livre de Engenharia Agronômica aderiu ao movimento decidido em Itapetinga, considerando o prejuízo para os alunos que viajaram para suas cidades em razão do período junino e afirmou que a greve, apesar da importância de suas reivindicações, já havia começado em momento inoportuno.

Segundo o CA de Engenharia Agronômica, que ficaram prejudicados muitos estudantes que estão fora do município e não haviam se programado para retornar às atividades nesse período, principalmente na semana de recesso junino, o que implica em custos extras de deslocamento e até de manutenção na cidade. Diz que sempre entendeu os reais motivos da greve, mas não foi favorável ao início dela, “em momento inoportuno, dificultando a finalização de um semestre já fragmentado pelas férias e pelo carnaval”.

O Centro Acadêmico de História se manifestou reiterando seu apoio à luta dos professores contra o sucateamento e o desmonte da educação pública na Bahia, mas apontou que a forma como ficou decidido o reinício as aulas propiciou um calendário totalmente truncado e insuficiente para compreender a realidade dos alunos da Uesb. O CA de História diz que a decisão atribuída ao Consepe foi arbitrária e infeliz. Lembrou que muitos estudantes ficaram na cidade durante a greve realizando atividades de pesquisa, ensino e extensão e somente na última semana foram liberados, viajando para as suas cidades.

Anúncios

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

0 comentário em “Do protesto dos estudantes da Uesb contra o reinício das aulas esta semana

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: