Anúncios
Geral

Polêmica envolvendo pastor e mãe de santo: advogado reclama de repercussão e da OAB


Antes de começar a matéria, propriamente dita, sobre o que disse o advogado, faço questão de esclarecer dois pontos, já que hoje qualquer abordagem sobre um assunto, especialmente delicados como este, pode gerar culpas e condenações.

PRIMEIRO: Eu não procurei o advogado Jean Ricardo Gusmão Vieira. Ele fez o contato, por meio do WhatsApp, para reclamar de eu ter colocado sic diante da expressão glamuralização, escrita por ele em mensagem ao BLOG contestando as narrativas existentes sobre o episódio envolvendo o pastor evangélico Wellington da Silva e a yalorixá Mãe Rosa, que afirma ter sido vítima de racismo, homofobia e intolerância religiosa da parte do pastor.

A conversa evoluiu quando eu disse ao advogado que aquela era uma questão irrelevante diante do caso em que ele atua e que poderíamos tratar de algo mais útil, ao que ele respondeu enviando um print da página da subseção local da OAB, acerca de posição da Comissão de Direitos Humanos da entidade sobre o caso, com a qual ele não concorda.

O advogado Jean Ricardo gravou, então, um áudio de pouco mais de cinco minutos e fez um desabafo, tema desta matéria. “Acho que por áudio nossa versão fica melhor explicada”, disse. Agradeci. “Eu que agradeço. Farei matéria baseada no áudio”. Ele finalizou com emoticons: 😘😘😘🤝🏻🤝🏻🤝🏻🤝🏻👍🏻👍🏻👍🏻👍🏻

SEGUNDO: Liguei várias vezes para a yalorixá Rosilene dos Santos Santana Sousa, a Mãe Rosa, nos números que o amigo jornalista Fábio Sena me passou, mas não obtive sucesso. Para o número com prefixo 77, as chamadas não se completavam. E para o de prefixo 71 as chamadas não foram atendidas, inicialmente, e depois a gravação da operadora de telefonia informava que o número para o qual eu ligara não estava recebendo ligações.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Jean Ricardo Gusmão Vieira fez questão de esclarecer que não defende o pastor Wellington da Silva pela razão de também ser um pastor. Disse que aceitou a tarefa para ajudar, porque Wellington da Silva não tem recursos para se defender, explicou Jean. “O fato de eu ser pastor é totalmente irrelevante ao caso, eu fui chamado para o processo porque o pastor não tem, sequer, condições de colocar 40 reais de gasolina para vir aqui no centro me procurar. Aí eu tive que eu ir na casa dele e eu fui várias vezes. Ele não vai ter dinheiro nem para ir no dia da reunião lá no Ministério Público, que é dia 18”.

Boa parte da conversa com Jean, bem como de seu áudio, ele usou para dar respostas (direta ou indiretamente ao BLOG) em relação à menção ao fato de ser pastor e ao uso do sic depois da palavra glamuralização. Na matéria que fizemos baseada em comentário dele à primeira publicação sobre o episódio o identificamos como pastor, por ele ser um pastor formado no Centro de Formação Teológica Batista Nacional (CFTBN), de Vitória da Conquista. Isso apenas por rigor jornalístico, sem dar relevância maior que ao fato de ele ser advogado, no caso. Sobre o sic ele disse que ao escrever a palavra “glamuralização” o fez aspeado porque é uma palavra que circula na internet e ele pegou “de algum lugar”. Não estaria errada. Segundo Jean, o sic usado pelo BLOG ajudou a aumentar a ridicularização pela qual ele estaria passando.

“E aí, qualquer coisinha, está sendo motivo de ridículo, ridicularização. Por exemplo, me disseram isso: ‘É Jean, você criou um novo termo?’. Eu falei: ‘Não, eu copiei um termo que está circulando aí na internet, que é um neologismo, por isso coloquei entre aspas simples, para ficar claro que é um neologismo que estou pegando de algum lugar’. E aí até esse ‘sic’ seu foi motivo para me ridicularizarem”, afirmou, completando que ele sendo ridicularizado, ridicularizada fica toda comunidade evangélica, que reagiria. “Está me ridicularizando, está ridicularizando toda comunidade evangélica. Nós somos um gigante adormecido. Talvez um dia despertaremos, mas somos um gigante adormecido”, enfatizou.

O advogado também reclamou da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cuja Comissão de Direitos Humanos mandou representante a um ato público de apoio à yalorixá que se queixa de ter sido ofendida pelo pastor que ele defende. Jean Ricardo enviou ao BLOG um print (já grifado) de postagem da entidade feita na página do Facebook, dizendo tratar-se de uma informação útil que o eu poderia aproveitar. No áudio, ele detalha o motivo da indignação com a postagem da OAB.

“E, por último, a OAB soltou essa pérola. Eu faço parte da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Eu tenho um diálogo, aqui, com Ronaldão, que é o atual presidente. A Comissão de Direitos Humanos se equivocou tremendamente quando ela publicou isso. Isso só aconteceu agora. Por que que isso não aconteceu antes? Eu vou te explicar por que, Giorlando. Vou explicar, agora, à população porque não aconteceu”. Segundo ele, a yalorixá Rosilene Santana teria sido aconselhada por alguém de que se continuar com a ação poderia acabar sendo considerada culpada, e não o pastor, que teria sido vítima de invasão de residência, quando a mãe de santo, de acordo com Jean Ricardo, invadiu o culto, realizado na casa dele, onde a igreja de reúne, e até vilipendiou um objeto sagrado, a Bíblia.

“Eu acho que algum técnico imparcial, algum, abre aspas (vou abrir aspas aqui, tá? [fazendo referência ao debate sobre a palavra glamuralização]) operador de direito, fecha aspas, alguma pessoa deve ter alertado a Mãe Rosa que a coisa não era bem assim como ela estava pensando, que ela não pode invadir uma residência aos gritos, que ela não pode atrapalhar um lugar, um local de culto, que ela não pode vilipendiar objeto sagrado, que foi o caso da Bíblia, que ela tomou da mão de uma pessoa e disse que não tinha validade nenhuma. Então, acho que alguém alertou ela disso aí. E a persecução criminal sequer começou. Denúncia não foi oferecida, não houve absolutamente nada. Quinze dias se passaram e parece que estão querendo ganhar a coisa no grito, exatamente onde? Não vão conseguir vencer isso na esfera judicial, porque não há prova suficiente”.

Jean afirma que não prova de que o cliente dele, o pastor Wellington da Silva, tenha cometido os crimes de que a mãe de santo o acusa. Ele diz que, na verdade, quem cometeu crime foi Rosilene. “Aliás, há prova de crime em contrário, de crime contra a liberdade de culto da igreja que se reúne na casa do pastor. Lá é a casa dele, lá não é um templo, é um apêndice da casa dele. Então, me parece que como não estão conseguindo convencer os agentes judiciais a respeito do fato típico, estão tentando convencer a sociedade. E aí, qualquer coisinha, está sendo motivo de ridículo, ridicularização.”

Convicto da inocência do cliente, o advogado diz que há um grupo pequeno fazendo “zuada”, mas que sabe que não tem como provar nada contra o pastor Wellington. “E é isso que eu estou tentando te esclarecer: eles estão percebendo, há um grupo que percebe, um grupo militante, militante ativo, que faz muita zuada… Um pequeno grupo”. Neste momento, Jean Ricardo diz que é pastor evangélico e não tem nenhum problema com as comunidades que professam religião africana. Seus melhores amigos e um sócio são povo de santo, diz. “Para você ter uma ideia, eu sou pastor, mas meus melhores amigos são do povo de santo. Meus três melhores amigos são do povo de santo. E um sócio, também. Me dou muito bem com isso”.

Por esta razão, por não ter problemas com as comunidades afro-brasileiras, o fato de ele ser pastor também não tem relevância para o caso. “É totalmente irrelevante minha função sacerdotal aí. Se eu não fosse pastor também atuaria para ele. Então, tudo isso é detalhe. ‘Ah, ele também é pastor, é por isso que ele está nessa militância toda’. Não é por isso. Sou membro da Comissão de Direitos Humanos e em momento nenhum estou utilizando prerrogativas dela para beneficiar A ou B.”

Para Jean, o episódio vai acabar em paz, já que a mãe de santo acusa o pastor de ofendê-la, mas teria sido ela a ofensora. “Eu acho que isso vai acabar caindo em um entendimento, porque se for apurado, mesmo, quem cometeu crime, não vai ficar muito legal para a parte que está acusando, não, porque o pastor estava dentro da sua igreja, celebrando culto, funciona em sua casa a igreja, e teve sua residência, sua igreja, invadida, o culto foi interrompido, que é um direito sacramentado na Constituição Federal, a liberdade de culto, uma Bíblia foi ridicularizada e dentre outras coisas”.

Jean assegura que há 40 testemunhas e mais alguns policiais que podem confirmar o que ele diz, mesmo assim, ele prefere que o caso não evolua, que a polêmica cesse e não precise ser judicializada. “Mas a gente quer que isso não chegue a nada, a gente não quer acalorar o debate. O problema é que parece que só um lado está falando. Parece que só um lado. Então, entendem que não vão conseguir convencer a justiça, mas vão conseguir convencer a comunidade”, sugere.

Para alcançar o resultado pretendido, Jean Ricardo e seu cliente optaram, segundo o advogado, pelo silêncio, por não falar do episódio e não responder diretamente à mãe de santo, mas isso não teria sido possível porque o assunto tem ocupado a mídia, sendo repetido por viés ideológico e partidário. “Veja bem, na verdade a nossa estratégia de defesa foi ficar calado, não se manifestar. O problema todo é que houve reiteradas publicações, repetições, fatos que já estavam sob a administração da polícia judiciária e do Ministério Público foram republicados com outros vieses ideológicos, partidários, enfim… E, por último, a OAB soltou essa pérola”.

LEIA A TRANSCRIÇÃO DO ÁUDIO ENVIADO PELO ADVOGADO JEAN RICARDO

Veja bem, na verdade a nossa estratégia de defesa foi ficar calado, não se manifestar. O problema todo é que houve reiteradas publicações, repetições, fatos que já estavam sob a administração da polícia judiciária e do Ministério Público foram republicados com outros vieses ideológicos, partidários, enfim… E, por último, a OAB soltou essa pérola. Eu faço da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Eu tenho um diálogo, aqui, com Ronaldão, que é o atual presidente. A Comissão de Direitos Humanos se equivocou tremendamente quando ela publicou isso. Isso só aconteceu agora. Por que que isso não aconteceu antes? Eu vou te explicar por que, Giorlando. Vou explicar, agora, à população por que não aconteceu.

Eu acho que algum técnico imparcial, algum, abre aspas (vou abrir aspas aqui, tá?) operador de direito, fecha aspas, alguma pessoa deve ter alertado a Mãe Rosa que a coisa não era bem assim como ela estava pensando, que ela não pode invadir uma residência aos gritos, que ela não pode atrapalhar um lugar, um local de culto, que ela não pode vilipendiar objeto sagrado, que foi o caso da Bíblia, que ela tomou da mão de uma pessoa e disse que não tinha validade nenhuma… Então, acho que alguém alertou ela disso aí. E a persecução criminal sequer começou. Denúncia não foi oferecida, não houve absolutamente nada. 15 dias se passaram e parece que estão querendo ganhar a coisa no grito, exatamente onde? Não vão conseguir vencer isso na esfera judicial, porque não há prova suficiente… Aliás, há prova de crime em contrário, de crime contra a liberdade de culto da igreja que se reúne na casa do pastor. Lá é a casa dele, lá não é um templo, é um apêndice da casa dele. Então, me parece que como não estão conseguindo convencer os agentes judiciais a respeito do fato típico, estão tentando convencer a sociedade. E aí, qualquer coisinha, está sendo motivo de ridículo, ridicularização. Por exemplo, me disseram isso: “É Jean, você criou um novo termo?”. Eu falei: Não, eu copiei um termo que está circulando aí na internet, que é um neologismo, por isso coloquei entre aspas simples, para ficar claro que é um neologismo que estou pegando de algum lugar. E aí até esse SIC seu foi motivo para me ridicularizarem. Ainda bem… Está me ridicularizando, está ridicularizando toda comunidade evangélica. Nós somos um gigante adormecido. Talvez um dia despertaremos, mas somos um gigante adormecido. O fato de eu ser pastor é totalmente irrelevante ao caso, eu fui chamado para o processo porque o pastor não tem, sequer, condições de colocar 40 reais de gasolina para vir aqui no centro me procurar. Aí eu tive que eu ir na casa dele e eu fui várias vezes. Ele não vai ter dinheiro nem para ir no dia da reunião lá no Ministério Público, que é dia 18. E é isso que eu estou tentando te esclarecer: eles estão percebendo, há um grupo que percebe, um grupo militante, militante ativo, que faz muita zuada… Um pequeno grupo. Para você ter uma ideia, eu sou pastor, mas meus melhores amigos são do povo de santo. Meus três melhores amigos são do povo de santo. E um sócio, também. Me dou muito bem com isso. É totalmente irrelevante minha função sacerdotal aí. Se eu não fosse pastor também atuaria para ele. Então, tudo isso é detalhe. “Ah, ele também é pastor, é por isso que ele está nessa militância toda”. Não é por isso. Sou membro da Comissão de Direitos Humanos e em momento nenhum estou utilizando prerrogativas dela para beneficiar A ou B.

Eu acho que isso vai acabar caindo em um entendimento, porque se for apurado, mesmo, quem cometeu crime, não vai ficar muito legal para a parte que está acusando, não, porque o pastor estava dentro da sua igreja, celebrando culto, funciona em sua casa a igreja, e teve sua residência, sua igreja, invadida, o culto foi interrompido, que é um direito sacramentado na Constituição Federal, a liberdade de culto, uma Bíblia foi ridicularizada e dentre outras coisas. Enfim, nós temos 40 testemunhas e mais alguns policiais, mas a gente quer que isso não chegue a nada, a gente não quer acalorar o debate. O problema é que parece que só um lado está falando. Parece que só um lado. Então, entendem que não vão conseguir convencer a justiça, mas vão conseguir convencer a comunidade. Ok. Obrigado, viu?

Anúncios

0 comentário em “Polêmica envolvendo pastor e mãe de santo: advogado reclama de repercussão e da OAB

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: