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Turismo e Lazer

São Pedro Tôa Tôa, uma marca conquistense de muita vitalidade. Veja fotos exclusivas da festa.

 

Por 22 anos eu nunca tinha ido ao São Pedro do Tôa Tôa. Tenho dificuldade para me entender com filas, mesmo para comer. Isso me afasta dessas festas all inclusive, já que, normalmente, me recuso a gastar um tanto dinheiro para comprar um ingresso vip e usufruir do serviço de um camarote. Mas, ando imbuído de falar das marcas de Vitória da Conquista, sejam eventos, empresas, pessoas ou ideias que, ao serem mencionadas, façam lembrar de terra de ricos valores. E, pelo que andei ouvindo, o São Pedro realizado pelo empresário Elvis Neri Leite de Oliveira, é uma dessas marcas*.

No sábado, 6 de julho, vi o que imaginava ver: dezenas de locais servindo comida, cerveja à vontade, gente, gente, muita gente. Era um inesperado sábado de calor, uma intervenção do sol num inverno que está fazendo os conquistenses lembrarem do frio de décadas passadas. Aberto às três da tarde, o espaço de shows do Parque de Exposições Teopompo de Almeida aos poucos ia sendo ocupado por gente vinda de todas as partes da cidade e de outros lugares. Muito casais, mulheres de botas, homens de chapéu, todos rindo e conversando muito, como se combinando antecipadamente os passos e as músicas que dançariam.

Como parte da experiência e para constar da reportagem entrei em filas, nenhuma muito longa, nenhuma demorada a ponto de me fazer desistir ou reclamar. Nem da qualidade. A variação ia dos típicos mingau, milho verde, quentão, passando por acarajé, espetinhos, hamburgueres, pizza da Pietri (assim apresentada porque, afinal, não é uma pizza qualquer a pizza Pietri), biscoitos de Condeúba, até chegar a foundue e comida japonesa. Tudo incluído no preço da camisa, que dava direito a seis shows com gente do quilate de Dorgival Dantas, Adelmário Coelho e Bell Marques, incluindo a inquestionável Mastruz com Leite e ainda Donas do Bar e Forró do Tico.

Qualquer avaliação honesta dirá que o valor cobrado pelo ingresso/camisa (preço médio de R$ 230,00) já estaria justificado pela quantidade de artistas no palco, considerando que o preço individual de ingresso para um show de Bell, por exemplo, não ficaria por menos R$ 50,00, com Dorgival, Adelmário e Mastruz Com Leite perto disso. E eu nem falei da programação da boate onde Simone Sampaio, Betão e o Dj David faziam uma festa especial, com rock, pop, indie, MPB, axé… Mesmo assim, eu sei que teve gente que não iria se não tivesse cerveja Devassa à vontade e comida boa para reforçar o corpo para a maratona de quase 12 horas de festa.

E o texto chega ao ponto que eu queria abordar: a vitalidade da festa. Do público, do evento e de uma pessoa em especial, Bell Marques. No caso dele nem é da vitalidade física, mas a vitalidade do som que o cara faz, da longevidade da relação do axé chicleteiro, porque é Bell, não é Chiclete, mas lá embaixo, seguindo o comando do artista, estava uma incontável legião de chicleteiros, aquele pessoal que vai aonde Bell for tocar. Ele chama e todo mundo vai.

Não vi todos os shows. Apenas Dorgival, Adelmário e Bell. Os dois primeiros fizeram apresentações sensacionais, com clássicos da música nordestina, do bom forró, canções dos próprios artistas e de outros compositores. Fizeram dezenas de casais dançarem e por diversas vezes levaram o público a cantar com eles. Fiquei impressionado com a simpatia de Dorgival Dantas e Adelmário Coelho. Simplicidade pessoal, belas vozes, grandes músicos acompanhando, interação com o público, amizade. Os dois chegaram a se encontrar no palco, num abraço de dois dos principais nomes da música nordestina, que ecoa pelo Brasil todo e é adorada em Vitória da Conquista e região, principalmente na época das festas juninas, ou julinas, como o consagradíssimo São Pedro Tôa Tôa.

Mas, rapaz, o que é aquilo que Bell faz com o público? Conexão total. O espaço lotado de gente cantando, dançando, levantando a mão sempre que o criador da banda Chiclete com Banana convocava. Via-se milhares de pessoas em estado de êxtase. Fazendo o show com o cara da bandana, o simpático Washington Bell Marques da Silva, amado como Bell. Incansável nos seus 66 anos de idade, esbanjou energia. Bombou! Posso dizer que se o ingresso já estava pago com as maravilhosas apresentações de Dorgival e Adelmário, Bell foi um bônus antecipado. Depois dele, viriam o Forró do Tico e Mastruz com Leite. Não vou dizer que o pessoal já estava satisfeito, afinal também eram boas atrações, o Mastruz, em especial, mas quem, como eu, foi embora depois do show de Bell, saiu satisfeito. Cansado, como eu, talvez, mas satisfeito.

Com 22 edições, nenhuma festa recente durou tanto em Vitória da Conquista. O Festival de Inverno chega, este ano, à 15ª edição. A micareta, o evento mais forte da cidade, realizado em parceria de poder público e iniciativa privada, durou de 1989 a 2007, 18 anos. O carnaval não vou colocar na conta, não tenho informações sobre o tempo que durou até substituído pela micareta, mas, certamente, foram algumas décadas. Também não incluo a Exposição Agropecuária – um dos eventos mais importantes da Bahia – porque estou falando da parte festiva, em si, com shows, etc. e nem sempre foi assim.

A vitalidade de São Pedro Tôa Tôa pode ser explicada por muitos fatores, mas, com certeza, um dos principais é a escolha acertada das datas, dos locais e o modo como o seu produtor, o empresário, Elvis Neri a formatou. É uma festa sem frescuras. Não é uma passarela de moda, uma vitrine para as pessoas desfilarem e fazerem selfies, para deixar claro que estão em uma festa privada famosa, pela qual puderam pagar. Embora, também sirva para isso. Nem é uma festa para explorar o folião, o brincante, o forrozeiro, é um evento em conta.

Eu ouvi pessoas falarem da festa enquanto estive lá e depois. Provavelmente tenha quem não tenha gostado, que se queixe de alguma coisa que faltou ou passou do ponto. Não tinha lâmpada no banheiro para cadeirantes, por exemplo. Um lapso a ser corrigido. Mas, a imensa maioria dos comentários, nas redes sociais e em conversas, dava conta de um evento merecedor de elogios. Vitalidade, longevidade, com qualidade.

Sei que já tem mais de uma semana que o São Pedro Tôa Tôa aconteceu, mas eu não poderia deixar de dar meu testemunho. Se vivo estiver, morando em Vitória da Conquista, no próximo ano pretendo ir de novo. Mesmo que seja Bell, mais uma vez, a principal estrela.

* Como era a micareta, como são Tia Sônia, Labo, Teiú, Shopping Conquista Sul, Sonnar, ECPP Vitória da Conquista, IBR, Samur, São Vicente, Coopmac, Conveima, Novo Horizonte, Uesb, Fainor…

VEJA FOTOS DO EVENTO:

 

 

 

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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