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Inauguração da Policlínica de Conquista, uma festa em dois atos: um administrativo e outro (bem) político

Pode-se dizer que a inauguração da Policlínica Regional de Vitória da Conquista foi uma espécie de desagravo ao governador Rui Costa, que não participou da entrega oficial do Aeroporto Glauber Rocha porque, segundo ele, o governo federal foi deselegante com o governo da Bahia e organizou um evento para constrangê-lo, além de ter deixado a população do lado de fora, atrás de tapumes. Alguns dias antes, o presidente Jair Bolsonaro fez uma referência considerada pejorativa aos governadores e ao povo do Nordeste, a quem teria chamado de “paraíbas”, e isso teria se somado aos outros motivos para a ausência do governador.

O episódio da inauguração do aeroporto rendeu uma grande polêmica que chegou a toda imprensa brasileira e chegou a ser repercutida em sites internacionais de notícias. E antes que ele esfriasse, o governador tomou a decisão de antecipar a inauguração da policlínica, que estava marcada para o da 16. A intenção era clara: fazer um evento mais movimentado e com maior participação popular do que a inauguração do aeroporto.

O governo do Estado disse que a inauguração da policlínica, diferentemente do que teria sido a do Glauber Rocha, seria um ato administrativo aberto ao povo. E, de fato, uma parte foi: hasteamento de bandeiras, descerramento de placa, visita às instalações. Mas, da segunda parte já não se pode dizer que não tenha sido um ato político. Em um espaço marcado por faixas com a estrela do PT, trazendo mensagens de apoio ao governador, o próprio Rui disse que não faz de inauguração ato político.

Provavelmente tenha sido este o único senão do discurso dele, já que o evento, realizado no estacionamento da policlínica, era um ato político pleno e inquestionável. Com formato de comício, com direito a música épica na entrada do governador e a um locutor empolgado, que anunciou a fala de Rui Costa com uma poesia que celebrava as virtudes do homem humilde e sensível que veio do morro da Liberdade, da favela, para fazer o maior governo estadual do país.

Os oradores que falaram antes do governador foram praticamente na mesma linha. A atuação de Rui Costa como gestor e político deu o tom dos discursos. Tratado como o “melhor governador do Brasil” e defensor da Bahia e do Nordeste, Rui Costa ouviu seu nome ser lançado como pré-candidato a presidente da República. A maioria dos que falaram no palanque lotado de prefeitos, prefeitas, parlamentares estaduais e federais, além de secretários de Estado, fez questão de enaltecer qualidades que consideram ter o governador e, mesmo sem fazer comparação direta, quiseram destacar as diferenças entre ele e o presidente Bolsonaro, em especial por causa da refrega do aeroporto.

SEM TAPUME

Em uma fala interrompida várias vezes por aplausos, o governador listou suas obras em Vitória da Conquista e região, falou da importância das policlínicas, citando depoimento do presidente do Hospital de Amor, de Barretos, Henrique Prata, que lhe disse que os equipamentos não ficam nada a dever às melhores clínicas privadas de São Paulo, prometeu fazer 24 até o ano que vem e empolgou as cerca de três mil pessoas presentes ao fazer menções ao evento de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, lembrando que as pessoas ficaram separadas do ato de inauguração por tapumes e que atiradores de elite se posicionaram no alto do terminal, “para mirar a cabeça das pessoas com arma de precisão”.

O tempo todo sem citar nomes, Rui disse que os governantes não podem fugir do povo, precisam saber receber os aplausos e as críticas. Disse isso mencionando um grupo de servidores que portavam faixas cobrando aumento de salário, que não têm há cinco anos.

Rui Costa fez uma defesa enfática do estado da Bahia e da região Nordeste, para delírio do público presente, vindo dos municípios que fazem parte do consórcio que vai gerir da policlínica e que chegaram ali em caravanas providenciadas pelos prefeitos e por deputados. Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro, o governador ressaltou a capacidade do estado de trabalhar mesmo com as dificuldades burocráticas e financeiras impostas pelo governo federal. Segundo ele, o governo federal já deve mais de meio bilhão de reais ao governo da Bahia, por obras que o estado manteve ou concluiu e citou o exemplo da Comunidade de Atendimento Socioeducativo (Case), cujas obras o governo estadual toca sem que os recursos federais tenham sido liberados.

O governador ainda falou da barragem do Catolé, que era para ter começado a ser construída no início do ano, o que não aconteceu, de acordo com o governador porque o governo federal não liberou ainda a primeira parcela do convênio. Apesar disso, Rui Costa afirmou que as obras da barragem começarão ainda este ano, independente da liberação dos recursos do governo federal.

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